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Como entender as Ondas de Elliott? Como funciona a teoria?

Por Fast Trade
08 outubro 2018 - 15:02 | Atualizado em 24 novembro 2020 - 12:59

Um dos conhecimentos mais difundidos no mercado de investimento é que ele se movimenta em ciclos de alta e baixa. Contudo, há certa divisão entre os traders, principalmente em relação às diferentes abordagens diante dos gráficos. Algumas pessoas preferem focar em padrões repetitivos, outras optam por olhar para as velas e existem aquelas que preferem utilizar a teoria de Ondas de Elliott.

A teoria tem esse nome pelo fato de o contador americano Ralph Nelson Elliott ter descoberto que os mercados financeiros apresentam movimentos repetitivos. A grande dúvida que fica é: como entender as Ondas de Elliott? Como a teoria funciona? Para saber as respostas para essas perguntas, continue a leitura.

Afinal, o que é a teoria de Ondas de Elliott?

A teoria de Ondas de Elliott baseia-se na experiência e observação do mercado, refletindo o comportamento das massas. Em outras palavras, Elliott propôs que os ciclos do mercado eram uma resposta às reações dos investidores aos fatores externos, fazendo o mercado ir da euforia ao pânico.

Ele percebeu que os movimentos descendentes e ascendentes seguiam certo padrão de repetições, dividindo-se em outros padrões chamados de ondas. Essa teoria é similar à teoria de Dow, na qual os preços de ações movem-se em ondas. Após alguns estudos, o fundador começou a analisar os padrões e suas respectivas repetições, percebendo que eles poderiam ser utilizados como indicadores de previsão dos futuros movimentos do mercado.

Elliott dividiu todos os movimentos de preços do mercado em dois aspectos: cinco ondas da direção da principal tendência (ondas 1 a 5) e três ondas de correção (ondas A, B e C). Ele acreditava ainda na subdivisão das ondas, na qual cada uma delas faz parte de uma onda maior, subdividindo-se em pequenas ondas. A subdivisão depende do sentido da onda maior.

O resultado da utilização dessa teoria é a identificação correta dos padrões de repetição dos preços, o que possibilita prever os próximos movimentos do mercado. Segundo essa teoria, o mercado pode estar em duas grandes fases: alta ou baixa. Contudo, uma das principais críticas em relação à teoria das Ondas de Elliott é que nem sempre há uma definição clara de quando uma onda começa ou termina. Além disso, as ondas de correção são mais difíceis ainda de serem identificadas.

Para chegar até a fórmula, Elliot utiliza os números de Fibonacci como base. Cada ciclo das ondas de Elliot é composto por um contador de ondas que está dentro dos padrões do número de Fibonacci. Assim, o movimento delas em uma determinada direção prolonga-se até chegar em um dos números de Fibonacci. Além disso, cada onda é descrita de maneira individual e existem relações entre as mesmas que medem a proporcionalidade do comprimento de cima para baixo.

Quais as características das ondas de principal tendência?

É válido dizer que as ondas podem apresentar margem de erro em torno de 10%. Esse erro pode ser explicado pelo curto prazo de influência de alguns fatores técnicos ou fatores fundamentais. As ondas de principal tendência são as de 1 a 5. Confira abaixo como as Ondas de Elliot são identificadas.

Onda 1

A onda 1 é identificada quando a “psicologia do mercado” está em baixa, ou seja, o momento não é muito favorável e as notícias continuam negativas. Ela pode representar um salto em relação à mudança de tendência. É válido afirmar que, durante essa onda, os investidores bem informados se posicionam. O topo da onda apresentará forte resistência e será utilizado para confirmar um pivot. O tamanho dessa onda é fundamental para saber o tamanho das demais.

Onda 2

A onda 2 acontece quando o mercado rapidamente reverte posições que foram fruto de uma conquista difícil. Pode-se dizer que ela é capaz de reverter quase 100% da onda 1, mas não se posicionando abaixo do seu nível de partida. Geralmente, ela apresenta 60% da primeira onda, desenvolvendo-se onde a maioria dos investidores prefere fixar seus lucros.

Onda 3

A terceira onda é a mais buscada por quem segue a teoria de Ondas de Elliott. Ela apresenta um rápido aumento, oriundo do otimismo dos investidores, sendo considerada a mais poderosa e de maior crescimento. A onda 3 nunca pode ser a mais curta, pois é nela que os preços são acelerados e os volumes tornam-se maiores. Sua tipicidade é exceder a onda 1 em, pelo menos, 1,618 vezes. A sua fase é representada por muitas compras, por conta da confirmação do pivot.

Onda 4

A quarta onda é a mais difícil de ser identificada. Ela não costuma reverter mais do que 38% da onda 3. Sua profundidade e seu comprimento não são muito significativos, apesar de o mercado ainda apresentar rumores otimistas.

Onda 5

A onda 5 pode ser identificada por conta de divergências de momento. Sua principal característica é uma alta com baixo volume. O tamanho ideal é igual ao da primeira onda, demonstrando o fim do movimento de alta. Na quinta onda, é comum o aparecimento de divergências nos indicadores, além de indicadores de perda de fôlego do movimento.

Por fim, podemos afirmar que houve uma falha de mercado quando a quinta onda não consegue superar a máxima da terceira onda. Essa é uma forte indicação de grande força contra a tendência, antecipando que o tamanho das ondas A, B e C terão, no mínimo, o mesmo tamanho da onda 4.

E as características das ondas de correção?

As ondas de correção podem ser utilizadas para definir quando comprar uma ação, por conta do seu movimento ascendente. Além disso, elas também podem ajudar a saber o momento de vender, quando a correção do movimento descendente ocorrer. Veja, a seguir, as características de cada uma dessas ondas.

Onda A

A onda A é formada por um período de forte baixa, apesar de o mercado ainda acreditar que seja apenas uma correção ­— uma vez que não há nenhum sinal confirmando a mudança de tendência.

Onda B

A onda B, por sua vez, é caracterizada por um período de alta com fraco volume, assemelhando-se à onda 4. Esse tipo de onda é de difícil identificação, apresentando movimentos insignificantes para cima, no fim do otimismo.

Onda C

A onda C apresenta como principal característica uma forte diminuição, mostrando que há uma nova tendência de queda. O fim desse período poderá ser antecipado por meio da observação de divergências nos indicadores.

Em que aspectos essa teoria relaciona-se com a teoria de Dow?

A teoria das Ondas de Elliot e a teoria de Dow têm como base que os preços variam de acordo com a razão (fundamentos) e com o sentimento (medo e ganância) dos investidores e traders. A grande diferença é que, para a teoria de Elliot, há uma atenção especial em relação ao fator sentimento que é expresso no gráfico através da geometria fractal.

Além disso, existem diversas outras diferenças, porém, pode-se afirmar que a teoria de Elliot é um desdobramento da teoria de Dow, que possui um pouco mais de complexidade e, por isso, diversos pontos são analisados de maneira diferente. Por exemplo, a teoria de Dow visa uma análise realizada para investidores de longo prazo, já Elliot pode ser utilizada tanto para o curto quanto para o longo prazo.

O que é a geometria fractal dos preços?

Os fractais podem ser utilizados para entender os movimentos que o mercado financeiro realiza. Eles fazem parte de padrões ou formas que podem ser divididos e, quando juntos, completam aquela determinada geometria que a figura gráfica do mercado apresenta. Dessa forma, eles também são um dos vários tipos de formas gráficas que representam a variação da cotação de determinados ativos com o passar do tempo.

Portanto, a partir da geometria divisível dos fractais, ao analisar o gráfico do mercado como um todo em um determinado período de tempo, o trader pode identificar quais os possíveis movimentos que o mercado pode fazer futuramente e desenvolver estratégias direcionais para rentabilizar a carteira de investimentos com os mesmos.

Por que é necessário fazer o mapeamento das ondas de Elliot?

Ao realizar o mapeamento das ondas de Elliot a partir da análise gráfica, o investidor vai poder identificar em qual onda o mercado está no momento atual e fazer uma projeção de qual seria a próxima onda. Assim, ele consegue fazer operações direcionais aproveitando-se de um movimento de alta ou de um movimento de baixa, na medida em que identifica qual será a próxima onda do mercado a partir dessa teoria.

Portanto, ao identificar as ondas de Elliot, o trader consegue rentabilizar melhor sua carteira se fizer isso da forma correta, pois vai conseguir de certa forma “prever” o mercado. Cabe ressaltar que nem sempre uma onda acaba ou termina naquele determinado momento que o trader ou até o mercado de uma maneira geral estavam esperando. Portanto, essa análise não garante rentabilidade futura nem uma previsão completamente correta do mercado, afinal, se isso fosse possível, todos fariam esse tipo de estratégia.

Como aplicar essa teoria no mercado financeiro?

Existem algumas dicas práticas que podem ajudar o investidor a aplicar a teoria de Ondas de Elliott na Bolsa de Valores. Antes de mais nada, é preciso confirmar o início e o fim de qualquer onda, por meio de indicadores. Saber utilizar as retrações e expansões de Fibonacci poderá ser extremamente válido para calcular a extensão de cada uma das ondas.

É importante deixar claro que as ondas podem ser classificadas de acordo com o tempo de seu ciclo. Caso um ciclo dure décadas, ele será denominado “Grande Super Ciclo”. Em contrapartida, se durar apenas alguns minutos ou horas, será chamado de “Subdiminuto”.

Apesar dessas e de outras classificações, é fundamental lembrar que um ciclo sempre será composto por oito ondas, sendo cinco de principal tendência e três de correção. Por fim, podemos destacar algumas regras sobre as ondas:

  • a onda 2 não pode ultrapassar a parte inferior da onda 1, em uma tendência ascendente, e não pode ultrapassar a parte superior da onda 1, em uma tendência descendente;
  • a onda 3 não pode ser menor, em comprimento e em tempo, quando comparada com a onda 1;
  • a onda 4 não pode ultrapassar o topo da onda 1, em uma tendência ascendente, e não pode ultrapassar a parte inferior da onda 1, em uma tendência descendente;
  • a onda 4 não pode ser mais longa que a onda 2.

A teoria de Ondas de Elliott é utilizada por inúmeros investidores, mas também é deixada de lado por outra parcela. Sendo assim, a melhor maneira de saber a validade desse procedimento é aplicando-o à sua realidade e, também, contando com a ajuda de especialistas no assunto. Então, que tal colocar essa teoria em prática?

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