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Vale a pena investir em ações do setor varejista no Brasil?

Por Gear SEO
26 julho 2022 - 11:13 | Atualizado em 25 julho 2022 - 12:18
Ações do setor Varejista
Imagem: Freepik

Entre os pilares da nossa economia, o setor de varejo, sem dúvida, é um dos mais sólidos e dinâmicos. As empresas que atuam nessa área respondem por quase 30% das riquezas produzidas no país, além de serem grandes geradoras de empregos, ao lado das companhias do setor de serviços.

A importância desse segmento para o nosso desenvolvimento econômico vem chamando a atenção dos investidores para as empresas com ações listadas na Bolsa de Valores de São Paulo (B3), como Americanas (AMER3), Magazine Luiza (MGLU3), Via (VIIA3), Lojas Renner (LREN3), entre outras.

Mas a grande questão é: será que vale a pena investir em ações do setor varejista no Brasil, considerando o cenário macro de juros, inflação e poder de compra da população? De que forma os resultados das empresas nacionais de varejo podem ser impactados pela concorrência externa de players como Mercado Livre, Amazon, Alibaba, Shopee, entre outros?

Continue a leitura deste artigo para saber a resposta para essas e outras perguntas.

Qual é a importância do setor de varejo para a economia brasileira?

As empresas varejistas são responsáveis por vender mercadorias diretamente aos consumidores, geralmente em pequenas quantidades. Supermercados, shopping centers, farmácias, postos de combustíveis, lojas de roupas, depósitos de construção e concessionárias de automóveis são apenas alguns dos numerosos exemplos de empresas que constituem esse pilar importantíssimo da nossa economia.

Nas últimas décadas, o setor de varejo vem aumentando sua participação em nosso Produto Interno Bruto, isto é, o volume de riquezas produzidas pelo país. Para se ter uma ideia da relevância desse segmento em nossa economia, em 2004, o varejo era responsável por menos de 20% do PIB nacional; em 2020, sua representatividade saltou para quase 30%.

O setor também é um grande gerador de empregos em todo o país, garantindo o sustento de dezenas de milhões de famílias que dependem do vigor do comércio nacional para manter sua fonte de renda e qualidade de vida. Isso explica por que o varejo é considerado estratégico para o nosso desenvolvimento econômico e é acompanhado de perto pelos investidores, que buscam sempre boas oportunidades para diversificar suas carteiras com ativos ligados ao segmento.

Setor de varejo passou por profundas mudanças nos últimos anos

O comércio varejista passou por uma verdadeira revolução com o advento do e-commerce, especialmente durante a pandemia de Covid-19. O mercado físico foi extremamente prejudicado pelos bloqueios econômicos e pela drástica redução da circulação de pessoas pelas cidades, obrigando muitos empresários a acelerarem a digitalização dos seus negócios.

Para não sair de casa durante a crise sanitária, as pessoas passaram a realizar mais compras pela internet, impulsionando as vendas de empresas mais estabelecidas no ambiente eletrônico. Entre elas estão as gigantes do varejo físico e digital, como Lojas Americanas, Magazine Luiza, Via, Arezzo, Lojas Renner, Grupo Carrefour, entre outras.

Isso fez com que as ações dessas companhias registrassem forte valorização na bolsa de valores (B3), diante da expectativa dos investidores de que essa tendência continuaria a todo vapor após a pandemia. Infelizmente, não foi isso o que ocorreu.

Após o boom ocasionado pela crise de Covid-19, o Ibovespa, índice que reúne as maiores ações da bolsa brasileira, sofreu um duro revés, recuando quase 12% em 2021, em grande parte devido à profunda queda dos papéis ligados ao varejo.

O que explica a queda das ações de varejo na bolsa de valores?

Não existe um fator específico responsável pela liquidação das ações de varejo após a pandemia, e sim um conjunto de eventos macroeconômicos que estão pesando sobre a cotação dos papéis das empresas brasileiras.

A alta da inflação e dos juros básicos da economia pode ser apontada como a grande vilã pelo recuo das ações do setor varejista no Brasil. Isso por que a inflação diminui o poder aquisitivo da população, especialmente das famílias de menor renda, obrigando-as a mudar seu comportamento de consumo e estilo de vida. No caso dos juros, sua elevação desincentiva o consumo, a medida em que o crédito fica mais caro. Os juros do cartão sobem, o empréstimo pessoal fica menos acessível e as parcelas de financiamentos se tornam mais caras.

Além disso, o aumento da concorrência de players externos, como Mercado Livre, Amazon, Alibaba e Shopee, entre outros, acabou reduzindo as vendas das empresas brasileiras no comércio eletrônico, criando um ambiente operacional mais desafiador.

Vale a pena investir em ações do setor varejista?

Muitos analistas apontam que o forte recuo dos papéis das varejistas brasileiras na bolsa de valores cria uma excelente oportunidade para fazer compras “oportunísticas” de longo prazo, especialmente no setor de shoppings e e-commerce, que podem registrar um crescimento vigoroso assim que o crescimento econômico for retomado.

No entanto, no curto prazo, é provável que essas ações continuem altamente voláteis. Por isso, o ideal seria fazer entradas escalonadas, aproveitando quedas para inserir na carteira papéis de alta qualidade e bons fundamentos.




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