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PN e ON: descubra a diferença das ações preferenciais e ordinárias

Por Rodrigo Santos
17 outubro 2019 - 11:49 | Atualizado em 03 fevereiro 2021 - 17:20
PN e ON: descubra a diferença das ações preferenciais e ordinárias

Você já deve ter reparado que as ações na Bolsa de Valores trazem o nome da empresa seguido pelas siglas PN e ON. Agora, você sabe o que significam? Trata-se de duas classes diferentes de ações: as preferenciais e as ordinárias.

Elas têm características específicas e é importante que os investidores as conheçam, para que, assim, sejam capazes de tomar uma decisão de investimento bem embasada. Neste artigo, vamos explicar as especificidades das ações PN e ON, as vantagens e as desvantagens de cada uma e como escolher entre elas. Boa leitura!

O que são ações ordinárias (ON)?

As ações ON são as chamadas ações ordinárias. A sua principal característica é conferir aos seus detentores o direito ao voto nas assembleias de acionistas da empresa.

No entanto, para o pequeno investidor, essa possibilidade não faz muita diferença. Isso porque, pelo fato de deter uma parte muito pequena da corporação, o voto dele não terá praticamente nenhum peso em qualquer decisão que seja.

Agora, existe outro benefício importante nas ações ordinárias: elas dão direito ao chamado tag along. Isso quer dizer que, se a companhia for vendida, os acionistas com ações ordinárias têm direito de receber, pelo menos, 80% do que for pago a título de prêmio de controle.

Vamos explicar melhor. Suponha que as ações ordinárias e preferenciais estejam cotadas a R$ 50 na Bolsa. A empresa é vendida e o comprador ofereceu ao grupo que detém o controle da companhia R$ 70 por ação. Isso quer dizer que quem tem ações ordinárias tem direito de receber R$ 56 por ação, enquanto os detentores das ações preferenciais não têm essa opção.

Existe, ainda, outra questão importante em relação às ordinárias. Na Bolsa de Valores, há o mercado comum e, depois, três níveis diferenciados de governança corporativa. O mais baixo é o nível 2; em seguida, o nível 1 e, depois, o chamado Novo Mercado, que é o patamar mais alto de governança corporativa, reservado às empresas com as melhores práticas nesse sentido.

Nenhuma companhia é obrigada a aderir a esses níveis diferenciados, mas o fato de participar deles dá mais credibilidade a ela e atesta a qualidade de sua gestão. Por isso, muitas empresas se esforçam para se enquadrar nas exigências desses níveis.

Uma dessas exigências é que, no Novo Mercado, as companhias devem ter apenas ações ordinárias. Além disso, nesse nível, os acionistas minoritários têm direito a 100% de tag along. O mercado entende que, assim, os interesses dos investidores estão mais protegidos e que a empresa é obrigada a respeitá-los.

A escolha de ações ordinárias

No mercado, você identifica as ações ordinárias pelo número 3 após as quatro letras que compõem o código da ação. Por exemplo: ITUB3, que são as ações ordinárias do Itaú Unibanco, ou VALE3, que são os papéis ordinários da Vale.

No entanto, você não deve comprar uma ação apenas pelo fato de ela ser ordinária, pois, apesar de o Novo Mercado ser um bom sinal de governança e de você possuir 100% de tag along por comprar uma ação ordinária, não necessariamente a empresa que você vai adquirir dá lucro e é uma boa corporação para se ter na sua carteira de investimentos.

Dessa forma, se você utiliza a análise fundamentalista na sua carteira de investimentos, deve entender como a empresa ganha dinheiro, avaliar o seu balanço patrimonial, o histórico de lucros, a análise de demonstração de resultados, o setor em que a organização está inserida, quais são seus principais concorrentes, quais os seus principais riscos e vários outros fatores para poder realizar o investimento em uma determinada companhia ou não.

Já se você utiliza a análise gráfica para comprar ou vender ações, deve entender quais são os principais indicadores gráficos daquela ação, se ela está em uma zona de resistência ou suporte, em uma tendência de alta ou em uma tendência de baixa e analisar os diferentes padrões a partir da análise técnica de ações para definir o seu ponto de entrada naquele ativo.

A política de dividendos para ações ordinárias

Cabe ressaltar, ainda, que cada companhia tem uma política de dividendos diferente. Geralmente, ações do setor elétrico e bancário são conhecidas por serem boas pagadoras de dividendos, contudo, caso elas tenham ações ordinárias (ON) e ações preferenciais (PN), o valor a ser distribuído varia conforme a ação que você detém, portanto, é muito importante entender qual o histórico de dividendos da companhia e ler os seus relatórios trimestrais e anuais.

Dessa forma, você vai compreender como é feita e qual costuma ser o histórico de distribuição da empresa, pois, caso queira comprar aquela determinada ação para receber dividendos, você precisará verificar, caso a corporação disponha de ações ON e PN, para qual das duas classes ela paga valores maiores.

O que são ações preferenciais (PN)?

As ações preferenciais não dão direito ao voto, mas, em compensação, conferem aos detentores a preferência no pagamento em caso de falência da empresa. É daí que vem o nome “preferencial”.

Existe, no entanto, a possibilidade de os preferencialistas terem direito ao voto em duas situações. A primeira delas é se isso estiver previsto nas regras da própria empresa. Além disso, se a companhia não pagar dividendos por três anos seguidos, os acionistas preferenciais ganham esse direito.

Antes da Lei das Sociedades Anônimas, as empresas podiam emitir até dois terços das suas ações como preferenciais, mas isso foi alterado na legislação e, agora, só é possível emitir uma PN para cada ON. No entanto, várias das empresas mais tradicionais da Bolsa são anteriores à legislação e, com isso, existem muitas ações preferenciais circulando no mercado.

Isso nos leva a uma das principais vantagens das PNs sobre as ONs: muitas vezes, elas têm maior liquidez e é por isso que tantos investidores as compram.

No mercado tradicional, as ações preferenciais não têm direito a tag along. Isso quer dizer que, se a empresa for vendida, o comprador pode fazer uma oferta aos preferencialistas apenas pelo valor de mercado. Já no nível 2 de governança corporativa, as ações preferenciais têm direito a 100% de tag along, assim como as ordinárias. No Novo Mercado, como dissemos, não são aceitas ações preferenciais.

As ações preferenciais são identificadas normalmente pelo número 4 presente no código. Assim, ITUB4 são os papéis preferenciais do Itaú Unibanco.

Aqui, há ainda outra questão relevante: as empresas podem emitir diferentes classes de ações preferenciais, com algumas características específicas. É por isso que existem ações PNA ou PNB, por exemplo. Nesses casos, elas podem ser identificadas pelos números 5 ou 6. Assim, por exemplo, BRSR6 são as ações PNB do Banrisul.

Vale mencionar que existem também as Units, que são “pacotes” compostos por certa quantidade de ações ordinárias e preferenciais que são negociadas em conjunto, como se fossem uma única ação. A proporção depende da definição de cada empresa. As Units podem ser identificadas pelo número 11 no código. É o caso de SANB11, que são as Units do Santander, formadas por 55 ONs e 55 PNs.

Um ponto muito importante que deve ser analisado em relação às Units é quanto ao seu tag along, pois, por serem pacotes de ações ON e PN, eles podem acabar representando uma porcentagem baixa e, caso a empresa seja vendida, você pode acabar obtendo um percentual não tão relevante quanto ao valor que você tinha nas ações da companhia.

Por fim, cabe ressaltar que as Units geralmente são feitas pelas empresas para dar mais liquidez às suas ações, mas existem alguns casos em que isso não é verdadeiro e optar por Units é mais uma questão interna da companhia do que a disponibilização de liquidez para os investidores.

Dessa forma, quando a empresa tiver Units, você deve fazer uma boa análise em relação à governança da companhia e entender o motivo pelo qual ela optou por isso. Uma forma de fazer isso é enviando uma mensagem para o setor de Relação com Investidores (RI) da corporação.

Qual é a melhor — ON ou PN?

A resposta para essa questão é: depende. Em tese, as ações ordinárias protegem melhor o investidor do que as preferenciais, mas, no caso de empresas com bom histórico de governança corporativa e de respeito ao investidor, essa diferença pode não ser tão relevante.

Assim, pode pesar mais a liquidez do ativo e, nesse caso, é possível que a melhor escolha esteja nos papéis preferenciais.

Por fim, é muito comum que os investidores também tentem aproveitar eventuais distorções de preço entre as ações preferenciais e as ordinárias e escolham a que estiver mais descontada. Para isso, fique de olho nas recomendações de analistas especializados, que costumam indicar qual das duas está mais atraente no momento.

Contudo, essa diferença entre as ações ON e PN pode ser também pela precificação do mercado em relação ao risco das duas, já que uma tem 100% de tag along e a outra não. Dessa forma, você deve avaliar se essa é realmente uma oportunidade ou não.

Agora, você já sabe quais são as diferenças entre ações PN e ON e tem condições de fazer escolhas mais conscientes. Caso a empresa tenha chances de ser vendida e não esteja, pelo menos, no nível 2 de governança corporativa, as ações ordinárias são mais seguras. Se não for esse o caso, as condições de mercado é que vão dizer qual a melhor opção.

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