Política

Witzel acusa o presidente de perseguição política e diz que Flavio Bolsonaro deveria estar preso

Por Bruna Santos
26 maio 2020 - 16:00 | Atualizado em 26 maio 2020 - 17:22

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC-RJ), negou participação em desvios de verbas que deveriam ser usadas para combater a pandemia da Covid-19 e acusou o presidente Jair Bolsonaro de perseguição política.

Alvo de mandado de busca e apreensão, ele chamou o Chefe de Estado de fascista e disparou que o senador Flávio Bolsonaro deveria estar preso.

“Com todas as provas que já temos contra ele – dinheiro em espécie depositado em conta corrente, lavagem de dinheiro, bens injustificáveis –, já deveria estar preso”, disse em pronunciamento no Palácio Laranjeiras, referindo-se ao filho 01 de Bolsonaro.

Nesse sentido, Witzel disse que a PF engaveta inquéritos contrários ao presidente e age com celeridade em casos que investigam adversários políticos dele.

Witzel afirmou sua inocência e manifestou indignação com a Operação Placebo da Polícia Federal que apreendeu, por exemplo, seus celulares na manhã desta terça-feira (26). De acordo com o governador, o Brasil é governado por um presidente que inicia perseguição política contra aqueles que considera inimigos.

“Não abaixarei minha cabeça, não desistirei do Estado do Rio e continuarei trabalhando para uma democracia melhor”, declarou. “Continuarei lutando contra esse fascismo que está se instalando no País, contra essa ditadura de perseguição”, completou.

Ele garantiu que não permitirá “que esse presidente que ajudou a eleger se torne mais um ditador na América Latina.”

“O que aconteceu comigo vai acontecer com outros governadores considerados inimigos”, disse, insinuando que a perseguição política – conforme sua própria classificação – continuará.

Repercussão da operação classificada como “perseguição política”

Na saída do Palácio da Alvorada, o presidente Bolsonaro parabenizou a PF pela operação.

Para o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), a operação da Polícia Federal indica uma escalada autoritária por parte do governo liderado por Bolsonaro.

De acordo com a Folha de S. Paulo, Doria ainda disse que “a utilização da PF para intimidar adversários, seja na política ou fora dela, deve ser condenada pela sociedade“.

Resta saber como os desdobramentos da Operação Placebo pode refletir na trégua entre Bolsonaro e demais governadores após a videoconferência da semana passada.

O Chefe de Estado tem até amanhã (27) para sancionar o projeto de ajuda aos Estados e municípios, discutido no encontro virtual.Caso a sanção venha com o veto ao reajuste salarial, ficará proibido qualquer mudança no salário do funcionalismo público até o final de 2021.


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