Política

Transcrição parcial de vídeo citado por Moro contradiz Bolsonaro; tensão aumenta

Por Bruna Santos
15 maio 2020 - 08:05 | Atualizado em 15 maio 2020 - 11:33
Bolsonaro e Moro

O vídeo citado por Moro em seu depoimento à Polícia Federal foi parcialmente transcrito pela Advocacia-Geral da União. De acordo com o ex-ministro da Justiça, o presidente da República, Jair Bolsonaro, teria tentado intervir na política da Polícia Federal.

Bolsonaro, por sua vez, negou e chegou a afirmar que “não existe no vídeo a palavra Polícia Federal e nem superintendente”. Agora, contudo, a afirmativa é contestada. Isso porque a AGU antecipou-se à decisão do ministro Celso de Mello, relator do inquérito na Suprema Corte, e extraiu do vídeo citado por Moro os trechos que considera relevantes.

De acordo com as transcrições do encontro, Bolsonaro teria afirmado na reunião ministerial que não estava recebendo informações da Polícia Federal e iria “interferir”.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) reagiu à revelação dos trechos pela AGU.”Fica claro que, com a possível revogação do decreto de exoneração, qualquer “interferência” por parte do Presidente deixaria de existir. Game Over”, escreveu ele, que também reproduziu um trecho da conversa deputada Carla Zambelli Salgado e Moro.

Após a divulgação parcial da transcrição do vídeo relacionado à reunião ministerial citada por Moro em seu depoimento, o ex-ministro reproduziu em sua página pessoal no Twitter uma nota do advogado Rodrigo Sánchez Rio.

Conforme o documento, a “transcrição parcial revela disparidade de armas pois demonstra que a AGU tem acesso ao vídeo, enquanto a defesa não tem“.

Com a repercussão e o término do prazo para que as partes do inquérito se manifestassem sobre a retirada do sigilo do vídeo, o relator do caso no Supremo Tribunal Federal, ministro Celso de Mello, pode decidir hoje (15) sobre a divulgação do conteúdo na íntegra.

Confira um dos trechos extraídos do vídeo citado por Moro, segundo a AGU:

“Eu não posso ser surpreendido com notícias. Pô, eu tenho a PF que não me dá informações; eu tenho as inteligências das Forças Armadas que não têm informações; a Abin tem os seus problemas, tem algumas informações, só não tem mais porque tá faltando realmente… temos problemas… aparelhamento, etc. A gente não pode viver sem informação. Quem é que nunca ficou atrás da… da… da… porta ouvindo o que o seu filho ou a sua filha tá comentando? Tem que ver pra depois… depois que ela engravida não adianta falar com ela mais. Tem que ver antes. Depois que o moleque enchou os cornos de droga, não adianta mais falar com ele: já era. E informação é assim. [referências a Nações amigas]. Então essa é a preocupação que temos que ter: “a questão estratégica”. E não estamos tendo. E me desculpe o serviço de informação nosso – todos – é uma vergonha, uma vergonha, que eu não sou informado, e não dá pra trabalhar assim, fica difícil. Por isso, vou interferir. Ponto final. Não é ameaça, não é extrapolação da minha parte. É uma verdade”.


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