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Tensão nos mercados provocados pelo coronavírus deve chegar à B3 nesta quarta de Cinzas

Por Bruna Santos
26 fevereiro 2020 - 10:26
1º pregão do ano

A B3 pode voltar da pausa de Carnaval com forte queda na tarde desta quarta-feira (26), após elevada tensão global. Essa tensão foi provocada pelas desvalorizações nos mercados internacionais, inclusive nos ADRs brasileiros, por causa do avanço do coronavírus.

Um primeiro francês morreu devido ao Covid-19. Aqui, um primeiro caso de suspeita concreta no Brasil pode complicar o cenário. Como resposta, os preços das ações e do petróleo caíram, com rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA tocando mínima.

Na segunda-feira (24), os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) disseram que os americanos deveriam se preparar para a disseminação do vírus. Além disso, no mesmo dia, as ações protagonizaram os maiores recuos em mais de dois anos.

Embora ainda não tenham sentido o efeito aqui, muitas ações de empresas brasileiras viram os efeitos dessa aversão ao risco.

O Dow Jones Brazil Titans 20 ADR, que reúne o desempenho dos 20 ADRs brasileiros mais líquidos no mercado americano, contraiu 4,81% na segunda-feira (24) e 1,99% na terça (25), acumulando baixa de 6,71% em apenas duas sessões.

Esse cenário incerto leva investidores a buscar uma forma de gerenciar os riscos. Além disso, parte da expectativa é descobrir quanto da queda das ações e rali dos títulos é razoável.

Além de derrubar o rendimento dos títulos de longo prazo do Tesouro dos Estados Unidos, a perspectiva negativa do coronavírus para o crescimento da economia global elevou o franco suíço à cotação mais alta desde 2015 em relação ao euro e o preço do ouro para o maior nível em sete anos.

Segundo a Oxford Economics, uma crise internacional da saúde pode eliminar mais de US$ 1 trilhão do PIB global.

Coronavírus puxa índices acionários chineses; mercado europeu cai para níveis de 4 meses atrás

Com o aumento dos temores sobre uma epidemia do Covid-19, os índices acionários chineses fecharam em queda nesta quarta-feira (26). O que pode ser considerado certo alívio para a região é que as novas infecções caíram na China e os investidores aguardam mais estímulos de Pequim a fim de sustentar a economia doméstica.

De acordo com o analista do Fortune Securities, Luo Kun, Pequim pode incluir suporte para os setores imobiliário e infraestrutura. Apenas hoje, a Ásia informou centenas de novos casos de coronavírus, incluindo o primeiro soldado norte-americano a ser infectado.

Na segunda-feira (24) os Estados Unidos já haviam alertado para sua população sobre uma inevitável pandemia. Ademais, os surtos na Itália e Irã se espalham para outros países, incluindo o Brasil que confirmou seu primeiro infectado.

Desse modo, um dos principais índices acionários chineses, o índice CSI300 que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, caiu 1,23%. Assim também, o índice de Xangai recuou 0,83%, após fortes perdas em Wall Street.

O coronavírus também é destaque sobre os índices acionários europeus nesta quarta, levando-os a uma mínima em quase quatro meses. Embora o comissário de economia da União Europeia, Paolo Gentiloni, diga que ainda é cedo demais para avaliar o impacto do surto do Covid-19 no bloco, às 08:00 (horário de Brasília), o índice FTSEEurofirst 300 caía 1,19%, a 1.557 pontos.

O índice pan-europeu STOXX 600, por sua vez, perdia 1,31%, a 399 pontos, após cair 2,6% mais cedo. Essa é a primeira série de cinco perdas para o índice desde julho do ano passado. “Uma avaliação e uma previsão séria ainda não são possíveis”, disse Gentiloni em entrevista à imprensa em Bruxelas.

Confiança do consumidor nos EUA; economia mexicana; indicadores preliminares da China

De acordo com o Conference Board, o índice de confiança do consumidor nos Estados Unidos subiu para 130.7 em fevereiro. Economistas consultados pela Reuters haviam previsto que ele subiria para 132.0 em fevereiro.

No mês anterior, conforme apontamentos feitos pelo próprio Conference, o resultado do indicador econômico norte-americano era de 130.4. Desse modo, a confiança do consumidor nos EUA permanece estável e com potencial de sustentar a economia local.

A notícia é importante para o presente momento, em meio aos crescentes temores sobre a rápida disseminação do coronavírus. Embora os mercados financeiros estejam estressados, a pesquisa publicada deixou de fora a doença que já escalou em nível global.

Além disso, saem os números relacionados as vendas de casas novas em janeiro. No México, a economia local enfraqueceu mais que o esperado nos últimos três meses de 2019.

O Produto Interno Bruto (PIB) do México encolheu 0,1% entre outubro, novembro e dezembro ante ao trimestre anterior. Desse modo, o resultado contribuiu para prolongar uma recessão moderada, conforme os dados da agência nacional de estatísticas.

No continente asiático, uma série de indicadores preliminares da economia chinesa em fevereiro confirma que o surto de coronavírus afetou a produção e o consumo. Cinco dos oito indicadores rastreados pela Bloomberg recuaram em fevereiro em relação a janeiro.

Dois indicadores de confiança das empresas atingiram o menor nível já registrado, enquanto as fábricas operam abaixo da capacidade. Para o Goldman Sachs, a economia da China chinesa deve registrar o crescimento mais lento desde 1990. A entidade estima que o PIB deve subir apenas 2,5% neste trimestre e se recuperar nos meses seguintes.

No cenário local, o Banco Central divulga o tradicional boletim Focus. Na Europa, a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, discursará sobre os desafios para a economia europeia.

Os balanços corporativos da última semana de fevereiro; Ambev é destaque

Mesmo na semana mais curta de fevereiro por causa do Carnaval, os balanços corporativos ganham destaque nos próximos dias. O principal destaque dessa agenda de resultados do 4º trimestre 2019 é a Ambev (ABEV3), que divulga na sexta-feira (28). Amanhã (27), estão previstas as divulgações dos balanços corporativos da multinacional Marcopolo (POMO4) e da empresa elétrica AES Tietê (TIET11).

Além disso, a partir da próxima semana começa uma nova agenda de resultados corporativos relacionados ao mês de março. Diversas companhias como a MRV, CSN, BR Distribuidora, B2W, Eletrobras, Via Varejo, Embraer, JBS e Aliansce vão divulgar seus balanços.

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