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Tensão geopolítica, cobrança de Maia a Bolsonaro, encontro de Trump e Kim Jong-Um e mais

Por Pablo Vinicius Souza
27 fevereiro 2019 - 10:16

O mundo se volta para o segundo encontro histórico entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder norte-coreano Kim Jong-Um, no Vietnã.

No encontro incomum, os dois líderes devem discutir as políticas de desnuclearização e flexibilização das sanções contra a Coreia do Norte.

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Essa, contudo, não é a única tensão que deve derrubar os índices norte-americanos em sua abertura.

O Exército do Paquistão confirmou ter derrubado dois caças indianos em seu espaço aéreo. Antes, a Índia havia bombardeado acampamentos insurgentes dentro do território paquistanês, destacando um grande risco geopolítico que afetam as principais bolsas internacionais.

Os índices acionários asiáticos encerraram a sessão sem direção definida, impulsionados pelas preocupações quanto aos eventos envolvendo o Paquistão e a Índia.

Na Europa, seus principais índices operam em queda e em commodities, os preços do petróleo sobem enquanto a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) se prepara para novos cortes de produção.

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Saiba quais são os principais compromissos econômicos globais nesta quarta-feira

O grande destaque nos Estados Unidos é a continuidade das conversas com a China. Paralelo a isso, o país também contará com a divulgação dos números de pedidos à fábricas e de bens duráveis, ambos relacionados ao mês de dezembro do ano passado.

Investidores também seguem atentos quanto ao rumo dos juros no país. Hoje, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell fala no segundo dia do painel sobre bancos no Senado.

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Internamente, após um início de semana mais tranquilo, nossa agenda econômica está movimentada. Agora pela manhã a PNAD Contínua divulgará os dados do mercado de trabalho, relacionados ao mês de janeiro.

Um pouco mais tarde, os números de estoque de crédito medidos pelo Banco Central serão publicados, seguidos do resultado primário do governo central referente ao mês de janeiro.

Falta muito para o carnaval?

O mercado internacional segue receoso e de olho em um risco geopolítico. Por um lado, aguarda o encontro de Trump com Kim (norte-coreano) para negociarem um acordo de desnuclearização, no Vietnã. Por outro, acompanha uma possível tensão após o Paquistão derrubar dois jatos indianos (lembrando que os dois países já estiveram em guerra em 1971).

Enquanto isso, vemos o mercado local já de olho no feriado prolongado da próxima semana e sem muitos estímulos para sustentar o Ibovespa. Ao que tudo indica, a reforma da Previdência já está no preço e sofrerá impactos com sinais mais concretos com avanços sobre a sua aprovação. Está mais fácil cair diante de fatos negativos do que buscar os 100 mil pontos. Com isso, o volume de negociações é reduzido e continuamos em compasso de espera.

Glenda Ferreira – Economista e bacharel em Relações Internacionais pela Facamp, tem experiência em planejamento financeiro. Atualmente é Especialista em Investimentos na Levante Ideias de Investimentos.

Rodrigo Maia cobra mais engajamento do presidente quanto a Nova Previdência e mais

A reforma da Previdência deveria estar mais evidente, é o que acredita o vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente, bem como Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados.

Em sua conta pessoal no Twitter, o vereador mostrou-se insatisfeito com o silêncio de alguns parlamentares eleitos com a ajuda de seu pai, no que diz respeito a reforma previdenciária.

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“Gostaria de ver mais deputados eleitos por Bolsonaro defendendo a não tão popular, mas necessária proposta da Nova Previdência. Sabemos que alguns já o fazem, mas qualquer um vê que a esmagadora maioria nem toca no assunto. Um time tem que jogar junto interessado só no Brasil!”, publicou.

Os parlamentares, contudo, não são os únicos criticados. Até o presidente Jair Bolsonaro foi cobrado, decorrente da sua falta de engajamento para defender a Nova Previdência.

Ontem, Rodrigo Maia criticou a pouca manifestação do governo Bolsonaro em favor da reforma, embora detenha uma forte rede de comunicação por meios digitais.

Apesar da cobrança por parte de Maia, o presidente da República se reuniu com líderes de partidos na Câmara na noite de ontem para discutir a reforma.

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O encontro durou quase três horas, onde 22 deputados federais puderam tratar com o presidente de eventuais mudanças na proposta encaminhada ao Congresso, em especial para as regras previstas para o Benefício de Prestação Continuada e aposentadoria rural.

Antes considerado um tabu no meio rural, o fim da isenção de contribuição previdenciária (Funrural) sobre as exportações agropecuárias não deve mais ser um problema para o agronegócio brasileiro.

Ainda em reunião, os líderes presentes cobraram a entrega da proposta de reforma para os militares. O vice-presidente da República, Hamilton Mourão ressaltou que a proposta em questão será encaminhada por meio de projeto de lei, e não por medida provisória como havia sido dito pelo líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo.

Com o assunto ainda em aberto, Hasselmann, a nova líder do governo no Congresso, acredita que será possível entregar o texto referente aos militares muito em breve.

No plenário, Roberto Campos Neto foi aprovado (por 55 as 6) para a presidência do Banco Central, após ter sido sabatinado na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Para oficialização, a aprovação deverá ser comunicada à Presidência.

Joint venture entre Embraer e Boeing é aprovada por acionistas e outras notícias corporativas

A Assembleia Geral Extraordinária quase não aconteceu, mas a Embraer conseguiu revogar a liminar que impedia sua realização. Desse modo, acionistas da fabricante de aviões aprovaram ontem (26), com 96,8% de todos os votos válidos, ambos os acordos estratégicos fechados com a Boeing, que preveem a criação de uma joint venture na área de aviação comercial, bem como uma outra joint venture com o objetivo de promover o cargueiro KC-390.

O grupo RD assinou acordo para aquisição da rede Onofre, empresa controlada pela americana CVS Health (desde 2013). Em fato relevante divulgado ontem a noite (26), a empresa destacou as 50 lojas da nova aquisição, distribuídas entre São Paulo (47), Rio de Janeiro (2) e Minas Gerais (1). Em 2018, totalizou R$ 479,4 milhões em vendas brutas. Com a negociação, a Raia Drogasil adquire o último pedaço de participação estrangeira em mercado brasileiro dentro do setor.

Recuperar seus índices em vendas a partir de 2019 é uma das prioridades da BR Distribuidora, que recém superou um ano difícil em termos operacionais, ainda que tenha aumentado sua rede varejista. Na ocasião, o volume de vendas da empresa recuou 1,6% nos postos e, desse modo, a empresa viu sua participação no mercado ser tomada por concorrentes. Isso, contudo, não comprometeu outros bons resultados para a empresa que fechou 2018 com lucro recorde.

Grande parte do mercado espera que a Petrobras divulgue seu primeiro resultado anual positivo nesta quarta-feira (27), após amargar prejuízos por quatro anos consecutivos. De acordo com apurações realizadas pelo jornal Valor Econômico junto a sete instituições, a estatal deve reverter o prejuízo do último trimestre de 2017 (R$ 5,477) e apresentar um lucro líquido de R$ 7,7 bilhões no quarto trimestre de 2018.

Parte dos acionistas minoritários da Klabin estão pleiteando a migração da fabricante brasileira para o Novo Mercado da B3. Quem apurou a informação foi o Valor, que destacou ainda um aumento na pressão para que a empresa implemente melhorias na governança corporativa.

O “follow-on” da resseguradora IRB pode indicar que o vento está mudando para o mercado por parte de investidores externos, que voltam a manifestar interesse nas ofertas de ações junto a bolsa brasileira. Duas fontes ouvidas pelo Valor apontam que 66% da demanda foi respondida por investidores internacionais.

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Paralelo ao agito junto a bolsa brasileira, a IRB confirmou oferta pública restrita de 27,6 milhões de suas ações ordinárias. A expectativa, de acordo com o Valor, é que a operação resulte em um montante de R$ 2,51 bilhões (R$ 91 por ação). O acionista vendedor é o fundo Caixa Fgeduc Multimercado, gerido pela Caixa Econômica Federal.

A CPFL Energia deve investir em novas fazendas solares, como fez em uma operação para atender a Algar Telecom. Nesse caso, a medida está sendo pensada para aperfeiçoar a resolução da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que trata da geração distribuída a energia solar.


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