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“Super quarta-feira”; Bolsonaro é citado em investigação; pacto federativo e outros destaques

Por Bruna Santos
30 outubro 2019 - 09:09

Mais uma “super quarta-feira” chegou, com potencial de alavancar ou derrubar os mercados globais, que inauguram o dia com cautela.

Tanto no Brasil, quanto nos Estados Unidos, saem a decisão monetária sobre os juros locais.

De um lado, o consenso aposta em um corte de 0,25 ponto percentual, para o intervalo entre 1,5% e 1,75% pelo Federal Open Market Committee (Fomc) sobre os juros americanos.

Por aqui, a previsão ampla é que o Comitê de Política Monetária (Copom) aplicará um corte de 0,5 ponto percentual.

O dia ainda servirá para digerir uma enxurrada de balanços corporativos divulgados na véspera (29) e novas publicações de hoje.

Além disso, o mercado pode ficar balançado após o presidente Jair Bolsonaro ter sido citado em investigação sobre o assassinato da vereadora do Rio Marielle Franco e de Anderson Gomes.

Em reportagem, o Jornal Nacional revelou que os registros do porteiro do Condomínio Vivendas da Barra apontam que Élcio de Queiroz, suspeito do crime, esteve no local horas antes do assassinato, em 14 de março de 2018.

No registro, Queiroz pede para ir à casa de Jair Bolsonaro – o que teria sido autorizado, conforme mostrado pela reportagem.

Em contrapartida, Queiroz foi à residência de Ronnie Lessa, acusado disparar e morava no mesmo condomínio do presidente.

Da Arábia Saudita, Bolsonaro realizou uma live e direcionou duras críticas à Rede Globo e imprensa, após a reportagem.

O presidente chamou a matéria de “patifaria” e declarou que o governador do Rio, Wilson Witzel – que negou –, teria vazado as investigações, que correm sob sigilo.

Com a citação do presidente nas investigações, o Supremo Tribunal Federal (STF) deve se pronunciar nesta quarta-feira sobre o caso.

Copom e Fomc divulgam nova taxa de juros; PIB; emprego e mais indicadores econômicos

O destaque do dia é a divulgação da nova taxa de juros, pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC.

Mais cedo, saem os dados do IGP-M de outubro, pela FGV, e os números das contas do governo central de setembro, bem como os dados semanais de fluxo cambial.

Nos EUA, além da decisão de política monetária, saem dados do Departamento do Comércio sobre o Produto Interno Bruto (PIB).

Os investidores monitoram ainda os dados de outubro do emprego privado – ADP.

O PIB francês contrariou as expectativas de desaceleração e subiu 0,3% sobre o segundo trimestre, em meio a preocupação sobre o impacto das disputas comerciais internacionais sobre a economia global.

Na zona do euro, o índice de sentimento econômico caiu de 101,7 em setembro para 100,8 no mês de outubro.

Esse foi o menor patamar do índice que mede a confiança de setores corporativos e consumidores desde janeiro de 2015.

O dado foi publicado nesta quarta-feira (30) pela Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia.

Ontem, o primeiro ministro inglês conseguiu que o Parlamento aprovasse sua convocação para eleições gerais em 12 de dezembro, que deveriam ocorrer só em 2022, ainda falta o aval da Câmara dos Lordes e da Rainha Elizabeth 2ª. Nada mais é do que uma tentativa de as eleições antecipadas pode servir como uma espécie de novo referendo popular sobre o Brexit e que uma vitória com boa margem faça com que as chances de um acordo para a saída do país da União Europeia sejam facilitadas. É uma tentativa.

Às 15h, o Fed (banco central americano) decide qual será a sua nova taxa de juros, a expectativa é que seja um corte de 0,25 ponto percentual, caindo para o intervalo de 1,5 por cento a 1,75 por cento. Mas, mais importante do que isso é saber quais serão os próximos passos da autoridade monetária, tudo indica que não haverá novos cortes preventivos, mas os investidores ficarão atentos a todas as pistas (que são bem poucas) do que acontecerá daqui em diante.

Por aqui, a chance de corte de Selic para renovar mais uma vez a mínima histórica é aguardada. É um novo cenário que se configura no Brasil e que deve durar um bom tempo. Com isso, os investidores estão se mexendo. Uma alta de 117 por cento na quantidade de investidores desde dezembro de 2018 foi a B3 apontou ontem, agora são 1,5 milhão de investidores pessoa física cadastrados no mercado brasileiro de ações e esse número só está começando a aumentar, tem espaço para muito mais gente.

Por Glenda Ferreira – Especialista em Investimentos na Levante Ideias de Investimentos

Parte do pacto federativo pode ser apresentada hoje

Batizada como “Plano Mais Brasil”, de acordo com o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), o governo pode apresentar nesta quarta-feira (30) uma parte do tão aguardado pacote da fase pós-reforma Previdência, através do pacto federativo.

A proposta do ministro da Economia, Paulo Guedes refere-se, por exemplo, à liberação de recursos para Estados e municípios.

Bezerra prometeu que a proposta surpreenderá de forma positiva.

“A proposta vai criar um novo volume de partilha, vai surpreender o número da partilha com Estados e municípios. A partir de agora, cada um cuida de si”, afirmou ele no Senado sobre o pacto federativo.

Segundo o Estadão/Broadcast, dos cinco eixos do pacote, dois devem estar na proposta formalizada hoje: o chamado DDD (desvincular, desindexar e desobrigar) que tem como propósito tirar as “amarras” dos gastos do Orçamento, mas também uma nova divisão dos recursos de Estados e municípios, com repartição da arrecadação do pré-sal.

Para o que o pacote seja apresentado, no entanto, é preciso que haja um entendimento em torno da reforma tributária.

Bezerra afirma que o ministro Paulo Guedes quer ver essa pauta avançar e, portanto, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), vai tentar convencer senadores a aceitar a proposta de uma comissão mista de Câmara e Senado para fechar um texto comum.

Lucro da Magazine Luiza sobe 12,7% com avanço de 300% do marketplace

O lucro da Magazine Luiza (MGLU3) alcançou R$136,3 milhões no terceiro trimestre, o que equivale a um crescimento de 12,7%.

Esse resultado líquido ajustado leva em consideração a diluição das despesas financeiras e o benefício dos juros sobre capital próprio.

Em termos líquidos, o lucro do grupo somou R$ 235,1 milhões, avanço de 96,7% frente ao mesmo trimestre de 2018.

Dados operacionais da varejista medido pelo lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado chegou a R$ 300,7 milhões, 7% a mais que no ano anterior. O Ebitda líquido, por sua vez, cresceu 79,7% e contabilizou R$ 501,2 milhões.

As vendas do e-commerce foram um destaque à parte (+96,0%), atrelado ao crescimento do mercado (+24,7%) e vendas totais (+48,3%)

O marketplace da Magazine Luiza contribuiu com vendas adicionais de R$853,7 milhões, crescendo 300,3% e representando 26,0% do e-commerce total.

“Em setembro, pela primeira vez na história da companhia, o e-commerce representou mais da metade das vendas totais”, conforme documento.

Segundo o relatório do grupo, a Magazine Luiza teve ganho consistente de participação de mercado no terceiro trimestre deste ano.

Além do lucro da Magazine Luiza reportado, a varejista informou que o Luizacred, seu braço financeiro, tinha uma carteira de crédito de mais de R$ 10 bilhões ao final de setembro, expansão de 42% em 12 meses.

Multiplan lucra R$ 121,5 milhões no 3º trimestre

As demonstrações financeiras da Multiplan (MULT3) publicadas na véspera referentes ao terceiro trimestre indicaram lucro líquido de R$ 121,5 milhões.

Segundo o press release, o resultado contabilizado representa um avanço de 4,4% frente a julho, agosto e setembro de 2018.

Esse montante, conforme instruções da companhia, foi apoiado amplamente por maiores vendas em 18 das 19 unidades da Multiplan.

Foram R$ 3,8 bilhões reportados em vendas no trimestre pelos lojistas dos shopping centers da Multiplan.

O resultado equivale a uma alta de 5,2% sobre um ano antes. Já as vendas base mesmas lojas cresceram 5,4%.

A taxa de ocupação dos shopping centers da Multiplan foi de 97,6%, levemente abaixo dos 97,7% de um ano antes.

De julho a setembro, a administradora de shopping centers reportou receita líquida 8% maior no comparativo anual, R$ 328,6 milhões.

De acordo com o balanço financeiro da companhia, o dado ilustra sinais de recuperação da atividade econômica identificadas no país.

Por fim, o resultado operacional medido pelo lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização (também conhecido como Ebitda, na sigla em inglês) foi de R$ 235,1 milhões, isto é, um avanço de 3,4% sobre o terceiro trimestre de um ano antes. Em contrapartida, a margem Ebitda contraiu 3,2 pontos percentuais, para 71,5%.

Faturamento bruto da Smiles sobe 7,7%, lucro cai, mas receita líquida bate recorde no 3T19

O faturamento bruto da Smiles (SMLS3) bateu a marca dos R$ 633,7 milhões, uma expansão de 7,7% frente ao 3T18.

De acordo com a companhia, o terceiro trimestre foi marcado por uma intensificação da dinâmica de competição na indústria.

Foi o flexível modelo de negócio da Smiles que permitiu ajustar rapidamente a operação diante da concorrência de outros players

Embora a companhia tenha se posicionado diante da concorrência, o lucro líquido da Smiles contraiu 29,5% no trimestre (R$ 149,6 milhões).

Desconsiderando os ganhos extraordinários de 2018, a queda seria de 2,5%, conforme balanço enviado ao mercado na véspera.

O faturamento bruto da Smiles – um tradicional indicador da direção e intensidade das receitas dos próximos períodos – não foi o único destaque positivo, uma vez que sua receita líquida registrou novo recorde.

Segundo o press release da empresa, o índice chegou a R$ 279,3 milhões, 6,1% a mais ante ao 3T18.

“Apesar do cenário desfavorável, com aumento de yields e da taxa de ocupação da Gol (GOLL4), o volume resgate de milhas teve um incremento de 12,6%. Isso é muito importante, pois mostra o engajamento dos clientes”, afirma André Fehlauer, presidente da Smiles.

Volume financeiro da Cielo cresce, mas lucro recua 51,7% e decepciona mercado

Embora o volume financeiro da Cielo (CIEL3) tenha aumentado 11,6% na comparação anual do terceiro trimestre, seu lucro reportado desapontou.

A maior empresa de meios de pagamentos do país anunciou na véspera um lucro líquido de R$ 358,1 milhões, o que representa uma contração significativa de 51,7% na comparação 3T18.

O resultado veio abaixo da previsão média de analistas da Refinitiv, que especulavam R$ 376,6 milhões para o período.

Seguindo o rumo da queda, seu resultado operacional medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) desabou 37,2%, totalizando R$ 724,3 milhões. Assim como o lucro da Cielo, o resultado operacional também veio abaixo da linha de previsão de analistas da Refinitiv, que projetavam um resultado de R$ 825,4 milhões.

Por outro lado, assim como o volume financeiro da Cielo cresceu, os volumes processados subiram, aproximadamente, 11% na comparação anual e 4,4% ante o 2T19.

Apesar da consistência reportada (afinal, a Cielo viu a expansão de volumes crescer pelo terceiro trimestre consecutivo e a adição de novos clientes pelo quarto), a receita líquida consolidada da companhia recuou 5,5%, para R$ 2,8 bilhões, no comparativo anual.

Esse dado foi impactado “pela pressão nos preços médios decorrente do ambiente competitivo e pelo aumento do business de venda de soluções de captura”, segundo a Cielo.

Na outra ponta, o custo dos serviços prestados evoluiu 13,9%, para R$ 1,84 bilhão, “substancialmente relacionado a gastos com subsídios na venda de terminais de captura”.

Além disso, a Cielo anunciou em 19 de setembro a distribuição de JCP1 relativos ao 3T19 equivalentes a R$78,1 milhões.

Posteriormente, em 29 de outubro, o JCP2 complementar equivalente a R$42,0 milhões foi divulgado, totalizando R$ 120,1 milhões que serão pagos no dia 18 do próximo mês.


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