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Sentimento anti-China elevado pode levar o país a um conflito armado com os Estados Unidos

Por Bruna Santos
04 maio 2020 - 16:00 | Atualizado em 04 maio 2020 - 18:49

A Covid-19 levou o sentimento anti-China ao seu maior nível desde o massacre da Praça da Paz Celestial em 1989. Informações dadas à Reuters falam de um relatório elaborado por Pequim que atribui a onda de hostilidade ao novo coronavírus.

Além disso, a fonte que não quis ser identificada dada a sensibilidade do assunto sinalizou, no pior dos cenários, para um possível confronto armado entre China e Estados Unidos por causa das fragilizadas relações sino-americanas, uma vez que os EUA estariam liderando o sentimento anti-China, conforme descrito no relatório.

Essa não é a primeira vez que relacionam a pandemia do novo coronavírus ao sentimento anti-China, segundo informou a Reuters. Agora, contudo, as relações ficaram ainda mais estremecidas desde que os Estados Unidos voltaram a acusar o governo chinês de omitir do mundo inteiro a gravidade da epidemia.

A notícia, inclusive, contribuiu para azedar o humor dos principais mercados globais nesta segunda-feira (4). Na Europa, por exemplo, o FTSE 100 de Londres, foi o único dentre os principais índices acionários da região a findar o pregão próximo da estabilidade (-0,16%, aos 5.753,78 pontos).

Diante disso, o governo norte-americano pode aplicar novas tarifas aos produtos chineses como forma de punição, segundo o Valor Investe. O relatório indica ainda que a Casa Branca encara a ascensão chinesa como uma ameaça econômica e de segurança nacional.

De acordo com a Reuters, isso poderia aumentar a resistência aos projetos de investimento em infraestrutura da China. Outro receio é que Washington aumente o apoio financeiro e militar a aliados regionais.

Em contrapartida, a Organização Mundial de Saúde (OMS) foi categórica nesta segunda-feira e reafirmou, em coletiva à imprensa, que o novo coronavírus tem origem natural.

Reflexo local do sentimento anti-China elevado

Embora o Ibovespa esteja refletindo a tensão externa com baixa, a retomada da economia chinesa pode impulsionar as exportações brasileiras.

Próximo das 15h42, o Ibovespa recuava -2,90% aos 78.168,05 pontos.

A exportação da soja, por exemplo, recuou em janeiro e fevereiro na comparação anual (2019), mas atingiram um recorde de 13,3 milhões de toneladas no 1T20 (+9% interanual).

Até mesmo a carne bovina contabilizou bons números em março na mesma base de comparação. Nesse sentido, a China respondeu por aproximadamente 35% das 147,08 mil toneladas exportadas no 1T20, isto é, +108% ante 2019.


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