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Sedento por barganhas, investidor quer ‘saldões’ no Ibovespa para voltar às compras

Por TradersClub
28 fevereiro 2020 - 11:06
ações da B3

Gestores, traders e membros experientes do TC estão em modo de espera, aguardando uma correção mais forte na bolsa brasileira para voltarem fortemente às compras, especialmente com foco em empresas pouco expostas ao efeito do coronavírus na economia da China ou com fundamentos sólidos.

Nenhum dos dez investidores ouvidos pela TC Mover quer estar na ponta vendedora no atual cenário. No geral, eles indicam que o movimento mais acertado no momento seria manter as atuais posições inalteradas e esperar “pechinchas” de empresas que não sejam impactadas diretamente pelo surto ou pela desaceleração esperada na economia global e cujos modelos de negócio sejam resilientes em uma situação de crescimento fraco ou de compressão de margens. Por exemplo, Bruno Bitencourt, investidor e membro experiente do TC, disse que gostaria de ver o Ibovespa abaixo dos 100 mil pontos para entrar de novo.

O mercado aposta que uma eventual declaração pela Organização Mundial da Saúde de que o vírus se tornou uma pandemia, levando à restrição de circulação de pessoas, e mais empresas revendo suas projeções de lucro pelo surto possam ampliar as vendas na bolsa e levar o índice Bovespa a buscar patamares inferiores aos atuais. Porém, eles apontam que uma queda ainda mais acentuada pode ser limitada por uma melhora das bolsas americanas e possíveis atuações de bancos centrais nos juros, ou de governos, com estímulos fiscais. Além disso, para alcançar o nível apontado como ideal pelos traders, o indicador precisaria registrar uma perda de pouco mais de 4% para chegar perto do chamado território de correção, quando a baixa bate 20% desde a mais recente máxima.

Desde a descoberta do primeiro caso de coronavírus nos Estados Unidos, em 21 de janeiro, o Ibovespa acumula uma baixa de 13,64%, tendo saído dos 117 mil pontos, para os 102.983 pontos ontem, uma perda de cerca de 15 mil pontos. No fim de janeiro, o índice chegou a ultrapassar a marca dos 119 mil pontos.

Para o trader Jorge Tomaz, o investidor deve dar preferência para papéis domésticos que não dependam do PIB chinês. Nessa estratégia, Bittencourt aponta a Movida como uma opção acertada. Também com postura cautelosa, à espera de novos ajustes, outro membro experiente do TC, André Almeida, diz que está de olho em papéis do setor bancário, elegendo o Banco do Brasil como o preferido. Três dos investidores citaram Itaúsa. O trader Vinicio César quer entrar em Banrisul e elevar a exposição à Energias do Brasil. Por fundamentos, a trader Natanaelen Albino vai reforçar as compras de ações que já tem em carteira, como a Cteep
e Cemig, aproveitando as “pechinchas”.


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