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“Se houve alguma irregularidade da minha parte, eu saio”, diz Moro no Senado

Por Pablo Vinicius Souza
20 junho 2019 - 13:46

A audiência do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, no Senado, terminou após quase nove horas de duração.

Moro propôs sua ida ao Senado para explicar as supostas mensagens trocadas e vazadas com procuradores da Lava-Jato, enquanto juiz.

Ao longo do dia, ao menos 40 senadores fizeram uso da palavra para perguntar e fazer comentários sobre o tema.

O ministro negou conluio com investigadores e apontou para a existência de um grupo criminoso voltado a anular condenações, bem como atrapalhar investigações, assim como atacar instituições.

Além de minimizar as supostas mensagens com o procurador Deltan Dallagnol, ainda acusou o site The Intercept Brasil de “sensacionalismo”.

Após fazer uso do termo diversas vezes, o ex-juiz foi questionado pelo petista e senador, Jaques Wagner (PT-BA).

Wagner perguntou se Moro não julgava as ações da Lava-Jato “sensacionalistas”, como o ministro julga as ações do The Intercept.

O parlamentar criou um paralelo entre as divulgações dos áudios, relacionados às conversas dos ex-presidentes Lula e Dilma Roussef.

Na época, a gravação e divulgação foi considerada ilegal, uma vez que foi realizada após o levantamento do grampo.

Embora Moro tenha se desculpado à época e reconhecido a irregularidade da gravação, alegou que a divulgação era necessária, porque, em sua opinião, “a democracia em uma sociedade livre exige que os governadores saibam o que fazem os governantes, mesmo quando estes buscam agir protegidos pelas sombras”.

O petista perguntou ainda se Moro “pensa em se afastar do cargo para não prejudicar as investigações se ela for para a Polícia Federal”. Em resposta, o atual ministro da Justiça afirmou: “se houve irregularidade de minha parte, eu saio. Mas não houve. Eu sempre agi na lei, de maneira imparcial”.

Bombardeado, o ministro afirmou que não poderia garantir a veracidade das mensagens vazadas pelo site, mas voltou a negar conluio.

O que dizem Moro e Ministério da Justiça

Apesar do desgaste político, Moro conseguiu obter apoio da maioria dos senadores que se pronunciaram durante a audiência na Comissão.

Dos 40 parlamentares, 30 ou saíram em defesa do ministro, ou, pelo menos, pouparam o ex-juiz de críticas mais duras.

Além de investigações na Polícia Federal, o caso levou a sindicância no Conselho Nacional do Ministério Público.

Desse modo, um dos desdobramentos mais aguardados em torno do caso está ligado às acusações de suspeição de Moro feitas pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ademais, foi promovida uma investigação contra Deltan Dallagnol no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), sob suspeita de falta funcional.

Segundo o Estado, a Polícia Federal abriu quatro inquéritos sobre a invasão de celulares de autoridades e vazamento de informações.

Por fim, o braço político dos desdobramentos da divulgação de conversas entre Moro e Dallagnol perdeu força por ora.

O contingenciamento da crise é oriundo da reação espontânea de Sergio Moro e sua ida ao Senado para prestar esclarecimentos.

Ainda de acordo com o Estado, o senador Angelo Coronel (PSD-BA) propôs a abertura de um inquérito para investigar o caso.

Conforme publicação, embora o parlamentar tenha até iniciado a coleta de assinaturas, decidiu engavetar até que mais conversas sejam vazadas.

Moro e o Ministério da Justiça continuam negando o teor das mensagens e cobram “que o suposto material, obtido de maneira criminosa, seja apresentado a autoridade independente para que sua integridade seja certificada”.


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