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Reforma administrativa; popularidade do governo recua e Congresso cresce; STJ barra Petrobras e mais

Por Pablo Vinicius Souza
28 maio 2019 - 10:19

Internamente, o destaque continua sendo político em meio a articulações do presidente para que a MP 870 seja aprovada.

A medida provisória redefiniu o governo Bolsonaro e expira na semana que vem. Agora, será apreciada ainda hoje pelo Senado.

Caso não seja aprovada, Bolsonaro precisará recuperar o modelo administrativo herdado da gestão anterior, com 29 ministérios.

O presidente da República se reúne ainda hoje com os presidentes do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre.

No exterior, a guerra comercial entre Estados Unidos e China provocou nos investidores a crença de que o Federal Reserve reduzirá a taxa de juros, a fim de sustentar a economia.

Nesta terça-feira (28) inicia-se as negociações para decidir quem governará a Europa nos próximos anos, com a reunião de chefes de governo da UE para discutir a nomeação da próxima Comissão Europeia.

Tesouro IPCA+ com vencimento em 2035 e 2045 rendem mais que o Ibovespa entre jan/abr

Entre janeiro e abril de 2019, o título Tesouro IPCA+ com vencimento em 2035 registrou retorno de 11,46%.

Esse título paga uma taxa prefixada, mas também a inflação do período e foi divulgado pelo relatório do Tesouro Direto.

Em contrapartida, o principal índice da Bolsa brasileira acumulou uma rentabilidade de apenas 9,36% dentro deste mesmo período.

Além disso, em contraste com o Ibovespa, o crescimento do Tesouro IPCA+ com vencimento em 2045, é ainda maior (16,67%).

O resultado equivale a quase o dobro do desempenho apresentado pelo Ibovespa até o presente momento, segundo o Valor Investe.

Só em abril deste ano, as vendas líquidas do Tesouro Direto somaram R$ 1,182 bilhão. De acordo com o Valor Econômico, esse resultado representa R$ 2,609 bilhões em compras e R$ 1,427 bilhão de resgates.

Saiba quais são os principais compromissos econômicos globais para esta terça-feira

Em nossa agenda doméstica, destaque para a publicação da FGV quanto a Sondagem da Indústria, relacionado ao mês de maio.

Esse levantamento promove informações úteis ao monitoramento, bem como antecipação de tendências econômicas para a tomada de decisões empresariais.

Lá fora, os Estados Unidos publicam o índice de confiança do consumidor, relacionado ao mês de maio. Posteriormente, o país divulgará o índice de produção manufatureira, referente ao mesmo período.

Na Zona do Euro, a confiança econômica atingiu 105,1 pontos em maio, impulsionado pelo otimismo do setor de serviços.

Este é primeiro resultado positivo que indica recuperação após 10 meses de quedas consecutivas e superou as expectativas projetadas anteriormente.

A confiança da indústria também superou as expectativas, de acordo com a Comissão Europeia.

O índice apresentou sua primeira melhora sólida após mais de um ano.

Café da manhã com o presidente

Às vezes, a ausência de notícias é melhor do que uma agenda cheia – caso desta terça-feira. Twitters silenciados e chineses e norte-americanos falando mais do mesmo, o foco vira para a Europa. Há a disputa pelo comando do Parlamento Europeu, que colocará frente a frente o presidente francês Emmanuel Macron e a premiê alemã Angela Merkel, e ainda a corrida pela escolha do próximo primeiro-ministro britânico. Como sempre, são buscas pelo poder.

Por aqui, o dia começa com um café da manhã com nomes de peso: o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, do Senado, Davi Alcolumbre, e do Supremo, Dias Toffoli. Todos atendendo ao convite de Bolsonaro, que pretende mostrar harmonia entre os poderes. Os investidores acompanharão de perto cada sinal da conversa: as manifestações realmente irão trazer avanços na agenda ou não foi criado capital político novo para o presidente? Por ora, o palpite está na primeira opção, mas vindo de Brasília, qualquer novidade é factível. O importante agora é a condução a agenda das medidas provisórias (MP) que estão prestes a expirar nos próximos dias. Com destaque para a votação no Senado hoje para onde o Coaf irá.

Por Glenda Ferreira – Especialista em Investimentos na Levante Ideias de Investimentos

Governo perde popularidade no mercado financeiro e Congresso melhora posicionamento

A variação no mercado financeiro tem sido diretamente impactada pela política.

Nesse sentido, a XP Investimentos realizou um levantamento junto a 79 gestores de recursos, bem como economistas e consultores.

O resultado indica que a aprovação do governo Bolsonaro recuou diante dos agentes do mercado financeiro, entre abril e maio.

De acordo com a pesquisa realizada entre os dias 22 e 24 deste mês, o porcentual daqueles que consideram o governo bom ou ótimo caiu de 28% para 14%. Por consequência, o índice daqueles que avaliam o governo como ruim ou péssimo, saltou de 24% para 43%.

Assim também, a expectativa quanto a aprovação da reforma da Previdência continua elevada.

80% do montante consultado acredita que a proposta será aprovada neste ano, mantendo o porcentual registrado na pesquisa de fevereiro.

Apesar do otimismo, a XP indicou expectativa mediana desidratada quanto a economia da reforma (R$ 700 bilhões em 10 anos).

Ademais, a maior parte dos agentes consultados acredita na votação da comissão especial entre junho e julho (80%). O restante avalia que o processo deve ocorrer entre agosto e dezembro.

Por fim, a aprovação final no Congresso acontecerá só no quarto trimestre (71%). Entre os consultados, 19% acreditam na aprovação ainda no terceiro trimestre. Os demais entendem que a reforma da Previdência postergará até 2020 ou depois.

Por outro lado, o Congresso Nacional melhorou em relação a abril diante da análise do mercado financeiro. Segundo a XP, o porcentual de agentes que consideram como ótima ou boa a atuação do Congresso mais que dobrou, passando de 15% para 32%.

Sob o mesmo ponto de vista, o Parlamento viu sua aprovação melhorar, reduzindo a avaliação negativa de 40% para 25%.

Impactos no mercado provocados pela aprovação da reforma da Previdência, segundo a XP

Diante do levantamento realizado pela corretora XP Investimentos, a Bolsa brasileira pode subir 7% para 100 mil pontos.

Para que esse índice seja alcançado, a proposta deve ser aprovada parcialmente, com impacto inicial de 50%.

Desse modo, o câmbio teria uma apreciação de 3%, para R$ 3,90.

Por outro lado, é possível que a Bolsa salte 28%, para 120 pontos, com a aprovação integral da medida.

Assim também, o câmbio poderia apreciar 10%, para R$ 3,60.

Por outro lado, caso a Nova Reforma não passe, a Bolsa corre sérios riscos de cair 20%, recuando para 75 mil pontos, levando a um salto de 12% quanto ao câmbio, para R$ 4,50.

STF suspende venda de 90% da TAG pela Petrobras e defende licitação

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a venda da TAG (Transportadora Associada de Gás) pela Petrobras.

A medida foi realizada por meio de uma liminar. Desse modo, Fachin reestabeleceu a decisão do Tribunal Federal da 5ª região, que já havia suspendido a mesma operação em 05 de junho do ano passado.

Em nota, a Petrobras afirmou que não foi intimada da decisão, mas que “avaliará a decisão e irá tomar as medidas cabíveis em prol dos seus interesses e de seus investidores”.

Não obstante, a petrolífera reforçou a importância dos desinvestimentos para redução do seu nível de endividamento e geração de valor.

Para especialistas, a decisão destaca incertezas quanto ao andamento da transação e insegurança jurídica em processos de privatização em geral.

Para Fachin, o negócio deve ter autorização legislativa prévia, mas também só pode ser realizado por meio de uma licitação, por se tratar da perda de controle estatal.

A suspensão deste negócio bilionário pode impactar diretamente o balanço do segundo trimestre da estatal que, ao final de abril, atualizou seu plano de venda de refinarias.

Com a modificação, a Petrobras indicou a pretensão de venda de oito das suas unidades de refino.

De acordo com a Reuters, uma fonte da empresa sinalizou que a companhia poderia levantar até 20 bilhões de dólares com a venda dos respectivos ativos.

Braskem desembolsará mais R$ 410 milhões após acordo de leniência com CGU e AGU

Em fato relevante, a Braskem informou a conclusão das tratativas para acordo de leniência junto à Controladoria Geral da União (CGU) e a Advocacia Geral da União (AGU).

Segundo a companhia, a assinatura do acordo (aprovada pelo conselho) resultará em um desembolso adicional de R$ 410 milhões, em razão dos cálculos e parâmetros utilizados pela CGU/AGU.

De acordo com a Braskem, o montante será pago em duas parcelas, entre 2024 e 2025.

Além de declarar a conclusão da operação, a petroquímica relacionou o acordo com a tratativa global que envolve Departamento de Justiça dos Estados Unidos, de 2016.

Primeiramente, a companhia se comprometeu em desembolsar quase um bilhão de dólares para encerrar as investigações junto a Lava Jato.

A operação envolveu ainda o Ministério Público Federal, a Securities and Exchange Commission e a Procuradoria Geral da Suíça.


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