Mercados

Rali do petróleo é interrompido apesar do acordo da Opep+

Por Bruna Santos
08 junho 2020 - 17:33 | Atualizado em 08 junho 2020 - 18:07

O acordo firmado entre a Organização dos Países Produtores de Petróleo e aliados (Opep+) não bastou para sustentar o rali do petróleo nesta segunda-feira (8). A queda excedeu os 3%, na primeira grande liquidação da commodity em dez dias, apesar do otimismo relacionado à reabertura das economias pelo mundo.

Desse modo, o contrato do petróleo Brent para agosto recuou 3,54% na ICE, em Londres, mas se manteve acima dos US$ 40/barril (totalizando US$ 40,80). Assim também, os futuros do WTI para julho contraíram 3,43%, encerrando a sessão cotado a US$ 38,19/barril na Bolsa de Valores de Mercadorias de NY.

O saldo impressionou, após uma surpreendente virada. No começo da sessão, ambas as referências da commodity anotavam alta.

Na avaliação do HSBC, mesmo que a Opep+ tenha comunicado a extensão dos cortes na produção, está pendente a confirmação de quais países vão cumprir.

Nesse sentido, a instituição monetária indica que, agora, a pressão vai além da melhora do cumprimento de países como o Iraque, mas também para compensar o excesso de oferta reportado em maio e junho com cortes extras entre julho e setembro.

Para Scott Shelton, corretor de futuros de energia da ICAP na Carolina do Norte, o mercado sofrerá um retrocesso quando os CTAs ficarem ‘muito longos’.

Ademais, o colunista de petróleo da Reuters, John Kemp, fez uma observação semelhante. Segundo ele, os preços estão se aproximando dos níveis esperados para retomar a produção de shale e há preocupações de que o rali do petróleo esteja superando a recuperação da demanda.

Risco de aumento na produção afeta rali do petróleo

O declínio dos futuros refletiu a notícia de que a Arábia Saudita recuou após decidir estender os cortes da produção após o final de julho. Conforme publicado pelo Estadão, o governo sinalizou a manutenção do acordo de corte até julho, mas sem compensar eventuais falhas no cumprimento de outras nações.

Além disso, Kuwait e Emirados Árabes Unidos não planejam estender seus cortes voluntários adicionais depois de junho, de acordo com fontes ouvidas pelo jornal.

Segundo a Swissquote, “em meio a uma pandemia que drena a demanda por petróleo e deixou uma rota devastadora nos preços, a aliança de 23 nações da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados está se movendo com cautela para reequilibrar o mercado global de petróleo nos estágios iniciais da recuperação” .


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