EconomiaHome

Queda da inflação em setembro faz mercado apostar em novo corte na Selic

Por Eloiza Amaral
10 outubro 2019 - 11:04

Com a queda da inflação medida pelo IPCA de 0,04% em setembro, o menor resultado para um mês desde 1998, o mercado começou a cogitar mais um corte na taxa básica de juros (atualmente em 5,5% ao ano), para aquecer a economia.

Em evento em São Paulo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que vê a movimentação como positiva. “O que está acontecendo é que a economia está começando a crescer com inflação baixa”.

Analistas de mercado, no entanto, não compartilham da mesma opinião do ministro. O que pode ser bom para o consumidor atualmente, a longo prazo terá um impacto negativo na economia.

O economista André Braz, coordenador do Índice de Preços ao Consumidor, do Ibre/FGV, explicou ao jornal Valor Econômico que a inflação próxima 3% ao ano reflete a lentidão econômica e o alto nível de desemprego, um cenário que não permite nem o repasse da alta do dólar para os preços.

Para o especialista, a deflação parece não ser uma tendência. As estimativas são de que a inflação não tenha novas quedas, mas continue baixa. ‘’O perigo da deflação é quando há um processo persistente e generalizado em vários outros produtos importantes, como serviços médicos, bens duráveis e alimentos industrializados. Aí é um processo revelando uma economia muito mais enfraquecida’’, disse Braz ao jornal.

A inflação foi puxada em setembro pela queda no preço dos alimentos in natura. Estes produtos sofreram no início do ano com problemas de oferta, mas os preços voltaram a cair nos últimos três meses por conta da melhora das condições climáticas.

De toda forma, é importante estar atento ao risco que a deflação gere um efeito dominó. A diminuição da produção pode levar a uma queda na contração e, até mesmo, a demissões. Com isso a demanda iria recuar, afinal as pessoas não teriam como comprar, e os preços seriam forçados a cair de nível.


Sobre o autor