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Quais as diferenças entre a Libra, do Facebook, e as criptomoedas como o Bitcoin?

Por TradersClub
21 junho 2019 - 10:52

Após o anúncio do Facebook e dos seus 27 parceiros do lançamento da criptomoeda Libra, o investidor se pergunta se ela funcionará como o Bitcoin. No entanto, quem espera que Libra ofereça um ambiente mais seguro para investir em criptomoedas pode ficar frustrado.

Segundo o Facebook, que fez o anúncio na terça-feira, a Libra terá um sistema seguro de pagamento baseado em blockchain, apoiado por ativos soberanos sólidos, como moedas e títulos de vários governos, e projetado para usuários comuns. A rede social enumerou uma série de grandes parceiros corporativos na empreitada, incluindo Mastercard, PayPal, Uber e Spotify, para criar um ecossistema “seguro, escalável e confiável.” O lançamento da Libra deverá acontecer no próximo ano.

O objetivo de ligar o desempenho da Libra a moedas existentes é evitar flutuações súbitas no preço da criptomoeda, como acontece com o Bitcoin e com outras moedas digitais. Em termos estratégicos para o Facebook, a Libra não é nada mais que uma nova ferramenta para que os usuários da rede social enviem e recebam dinheiro através da plataforma de mensagens instantâneas do aplicativo – ou seja, não deve propriamente ser um instrumento para investir.

Para começar, a criptomoeda do Facebook será bem diferente do Bitcoin em vários aspectos e, de fato, deverá se comportar de forma oposta em áreas vistas como nevrálgicas por quem investe em criptomoedas.

A primeira é que a Libra terá rastreamento e armazenamento permanente de todas as transações. O que muitos realmente gostam do Bitcoin, e o que a maioria dos governos questiona, é a natureza anônima das transações e o potencial para movimentar dinheiro entre pessoas e entre nações com total sigilo. O projeto original da Libra é bastante claro: isso não acontecerá, o que pode explicar porque o projeto está sendo negociado com autoridades monetárias de vários países.

Outra diferença crítica entre Libra e Bitcoin é que a primeira, pelo menos nos primeiros cinco anos, será baseada na “verificação de nó com permissão”, ou seja, que em Libra, as verificações para cada transação só deverão ser feitas pelos parceiros que configuram a rede: Facebook, Mastercard, Lyft, Visa, PayPay, eBay, Spotify, Uber e outros.

A terceira, também muito importante, é que a natureza de Libra de ser uma “stablecoin”, ou seja, cujo preço está atrelado ao de outras moedas e ativos soberanos líquidos, não é sinônimo de hedge contra moedas ou de instrumento de investimento independente.

Nisso, também difere do Bitcoin, cuja origem deriva da desconfiança do investidor no dólar americano, do euro e outras moedas conversíveis, assim como do controle da moeda pelos bancos centrais e da sua capacidade para controlar a inflação.

O lançamento de Libra acontece quando o Facebook é alvo de investigações e inquéritos pelo suposto uso indevido de informação de clientes ou de práticas anticompetitivas e em meio a um processo de estabilização do crescimento da sua base de usuários. De acordo com analistas, uma operação de pagamentos que use sua própria moeda pode ajudar a monetizar o serviço de mensagens instantâneas do aplicativo, alavancar as receitas de publicidade e criar outras fontes de receita.


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