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Previdência tem votos para avançar; Governo libera R$ 2,6 bi em emendas; IGP-M; IPCA e mais

Por Pablo Vinicius Souza
10 julho 2019 - 09:57

O dia gira em torno da nova sessão para tratativas da reforma da Previdência, convocada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

“Chegarei às 10h30 e vou abrir a palavra a quem não falou hoje, três a favor e três contra a reforma”, disse ele.

“Temos condições de votar a Previdência em dois turnos nesta semana”, completou a jornalistas à saída do plenário.

Nos Estados Unidos, o presidente do FED, Jerome Powell, será sabatinado pela Câmara e deve dar ainda mais força às apostas de uma postura menos dovish.

O relatório de emprego divulgado ontem (9) esvaziou a chance de corte mais forte dos juros.

Diante disso, o mercado projeta o risco de que Powell revele um comportamento mais conservador do que o esperado.

Assim sendo, pressionaria de modo expressivo os juros dos Treasuries e o dólar, penalizando as bolsas e as commodities.

Ademais, autoridades chinesas e norte-americanas retomaram as negociações em torno da guerra comercial, após o cessar-fogo acertado no G20.

Larry Kudlow, assessor da Casa Branca, sinalizou ainda que o governo aliviaria mais as restrições à Huawei.

Indicadores econômicos: IGP-M; IPCA; fluxo cambial; estoques dos Estados Unidos e mais

Nossa agenda doméstica de indicadores econômicos tem como destaque a publicação da FGV, que trará a prévia do IGP-M de julho e os dados semanais do fluxo cambial, pelo Banco Central.

O IBGE informa IPCA, que deve desacelerar de 0,13% em maio para -0,03% em junho, pela mediana de pesquisa Broadcast.

Ademais, o intervalo das estimativas vai de -0,07% a +0,08%. Há dois anos o índice não registra deflação em junho.

Em 12 meses, o indicador tende a retornar a níveis inferiores ao centro da meta (4,25%), para 3,33% na mediana.

Em Brasília, a Comissão Mista de Orçamento se reúne (14h30) para discutir e votar LDO de 2020.

Lá fora, o departamento do comércio dos Estados Unidos informa os estoques no atacado, com previsão de alta de 0,4% no mês passado.

Posteriormente, saem os estoques de petróleo bruto semanal, divulgados pelo DoE.

A previsão é de queda para o óleo bruto (-2,4 milhões de barris) e gasolina (-2 milhões) e alta dos destilados (+900 mil).

Ontem, o Departamento de Trabalho revelou que o número de postos de trabalho abertos durante maio foi de 7,3 milhões.

O saldo ficou levemente abaixo das projeções de analistas, que previam abertura de 7,47 milhões de postos.

Destaque de indicadores econômicos internacional, o relatório JOLTS (Job Openings and Labor Turnover), mostrou queda nas contratações para 5,7 milhões.

Em contrapartida, a taxa de abertura de empregos ficou em 4,6%, com destaque para o setor de serviços.

No Reino Unido, saem produção industrial e balança comercial.

Na China, o CPI subiu 2,7% em junho (comparação anual). O PPI ficou abaixo da estimativa de alta de 0,2%.

Nova Previdência já tem votos para ser aprovada; sessão recomeça hoje

A Nova Previdência já tem votos para ser aprovada em sessão que recomeça hoje, levando ao menos 298 votos garantidos, de acordo com o Placar da Previdência do Estadão.

A consulta foi realizada com 504 deputados e, destes, 117 são contrários, 24 indecisos e 65 não responderam.

Nova sessão para a votação da PEC foi marcada para esta manhã, com início efetivo a partir das 10h30.

Ontem, o presidente da Casa, Rodrigo Maia, colocou em votação requerimento para encerrar as discussões da reforma da Previdência após o atraso no início da sessão, provocado pela insatisfação dos líderes dos partidos que apoiam a reforma.

O problema não era o quórum, a Casa estava cheia, com mais de 500 deputados presentes.

Com o avanço no calendário, cresce a expectativa de que os dois turnos podem ser concluídos ainda nesta semana.

O texto da nova Previdência trouxe nova fórmula para o cálculo dos benefícios às mulheres, podendo comprometer a economia prevista anteriormente em até R$ 30 bilhões em dez anos.

Bolsonaro acenou com novas regras tributárias para a bancada dos evangélicos e manteve o acordo de apoio a isenção de contribuição previdenciária aos ruralistas.

Em contrapartida, o presidente da República voltou a defender regras mais brandas ao pessoal de segurança pública.

De acordo com ele, a classe deve ficar fora da reforma, para terem regras definidas posteriormente em projeto de lei.

Conforme publicação do Estadão, cada deputado levou R$ 20 milhões pelo voto favor da reforma da Previdência.

Desse montante, R$ 10 milhões seriam repassados agora e R$ 10 milhões após a aprovação da reforma no plenário.

Além disso, cada deputado receberá ainda R$ 20 milhões em recursos extraordinários em 2020, isto é, fora do pagamento das emendas impositivas a que cada um tem direito (R$ 15,4 bilhões), já previstas no Orçamento.

Governo liberou R$ 2,6 bilhões em emendas às vésperas da votação da reforma, diz oposição

De acordo com a oposição, o governo liberou R$ 2,6 bilhões em emendas nos seis primeiros dias úteis de julho.

A intensificação é percebida às vésperas da votação da reforma da Previdência e os parlamentares esperam que aumente nos próximos dias, a fim de garantir a aprovação da matéria.

Em junho, o gabinete do líder da oposição, Alessandro Molon (PSB-RJ), revelou que foi empenhado R$ 1,5 bilhão.

De acordo com o Estadão, os deputados falam abertamente sobre o assunto no plenário da Câmara.

Segundo eles, o governo está correndo para chegar até a cifra de R$ 4 bilhões das emendas nos próximos dias e, por isso, o governo liberou R$ 2,6 bilhões nos últimos dias.

A liderança que fala sobre o assunto sob reserva, destacou o portal de notícias, insiste que o Palácio do Planalto tem esse acordo para honrar quanto às emendas impositivas.

Isso refere-se aos recursos que os parlamentares têm direito de destinar às suas bases.

Diante da acusação, Bolsonaro publicou na noite de ontem uma mensagem afirmando estar “apenas cumprindo o que a lei determina”.

“Por conta do orçamento impositivo, o governo é obrigado a liberar anualmente recursos previstos no orçamento da União aos parlamentares e a aplicação destas emendas é indicada pelos mesmos”, escreveu.

Embora a União seja de fato obrigada a liberar esses recursos, o Planalto pode controlar o momento de serem empenhadas.

Além disso, o levantamento mostra que houve “picos” de liberação em momentos importantes para o trâmite da reforma da Previdência.

Entre os dias 4 e 5 de julho, quando a Comissão Especial apreciou e aprovou o relatório do deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), foi empenhado a cifra de R$ 1,6 bilhão dos R$ 2,6 bilhões liberados em julho.

O cabo de guerra da reforma Tributária

Com o avanço da reforma da Previdência, o cabo de guerra da reforma Tributária está ficando ainda mais acentuada.

Atualmente, cinco propostas concorrem para liderar o debate da matéria: da Câmara, do Senado, da equipe econômica, dos Estados e a do Instituto Brasil 200, patrocinada por um grupo de 300 empresários apoiadores de primeira hora do presidente Jair Bolsonaro.

De acordo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, líderes dos partidos vão apresentar uma proposta sobre a matéria.

O texto, informou, se baseará na PEC 293/2004. O relator da proposta e ex-deputado Luiz Carlos Hauly, participou do encontro.

Para o senador e líder do governo, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), também presente no café, a proposta interessa ao Executivo.

A jornalistas, o senador ressaltou o objetivo de simplificar e unificar os impostos federais.

Além disso, o texto prevê a junção de todos os tributos de valor agregado, conforme defendido por Luiz Carlos Hauly.

No cabo de guerra da reforma Tributária, o senador acredita que a matéria pode ajudar o ambiente de negócios.

Ademais, o empreendedorismo e o incentivo aos investimentos no país também serão diretamente afetados por um “sistema tributário menos agressivo”.

“A reforma tributária ajudará a fazer justiça fiscal”, afirmou o senador.

Em contrapartida, o líder da minoria, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirma que a PEC 293/2004 deve ser considerada uma base.

“Eu acho que é um ponto de partida, mesmo porque a Câmara dos Deputados parece ter uma indefinição sobre qual proposta vai tratar. De todos os modos, nós compreendemos, e isso foi tratado com convicção, que a mais importante de todas as reformas é esta: a tributária”, afirmou Randolfe.

Novo capítulo na polêmica das conversas vazadas entre membros da força-tarefa Lava Jato

O site The Intercept Brasil divulgou o primeiro áudio relacionado ao vazamento de conversas entre membros da força-tarefa da Lava Jato.

De acordo com a publicação, o procurador Deltan Dallagnol comemorou o veto do Supremo Tribunal Federal (STF) a um pedido do jornal Folha de S. Paulo para entrevistar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso às vésperas das eleições presidenciais do ano passado.

Ainda sobre a força-tarefa da Lava Jato, a Câmara rejeitou ontem durante a análise do pacote anticrime enviado pelo ministro da Justiça, Sergio Moro, o trecho que possibilita a prisão de condenados em segunda instância.

A votação foi encerrada em 7 a 6. Assim sendo, o grupo que analisa o pacote avaliou que a formalização deste ponto deve ser alterada por uma PEC.

A decisão, contudo, pode ser revogada pelo plenário da Câmara.

Quem quer ser um milionário?

O número de milionários (aqueles com mais de 1 milhão de dólares em aplicações financeiras) caiu em 2018. Foi a primeira vez em sete anos que o número recuou a nível global, passou de 18,1 milhões em 2017 para 18 milhões. Na busca por justificativas para tal redução, temas como a guerra comercial entre EUA e China e Brexit vêm à tona. Não é para menos, o assunto que é comentado dia sim, dia também por aqui já tem causado impactos, tanto que a região que mais recuou foi a Ásia-Pacífico com queda de 1,7 por cento. É por isto que continuaremos  trazendo as próximas negociações de Trump com o restante do mundo e chances de queda da taxa de juros nos EUA e estímulos monetários dos principais Bancos Centrais, que fazem com que o rendimento em renda fixa caia ainda mais, mas que pode levar o dinheiro global para outra direção…

…Como a América Latina, que inclusive foi a região que teve crescimento de 1,9 por cento no número de milionários. Ponto positivo para nós, que apesar de sentirmos os efeitos do cenário exterior conturbado, temos tudo para ser o país queridinho dos investimentos internacionais. E você não pode ficar fora dessa. A Bolsa segue avançando com cada novo passo que damos em direção à aprovação da reforma da Previdência. Hoje, por exemplo, não será diferente, tudo indica que a votação na Câmara será iniciada nesta quarta-feira e como esperado, poderemos ter volatilidade ao longo do dia, porém a direção dos ativos locais é uma só: positiva.

Por Glenda Ferreira – Especialista em Investimentos na Levante Ideias de Investimentos


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