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Previdência; BC injeta R$ 8,2 bi na economia; Cielo emitirá até R$ 3 bi em debêntures e mais

Por Pablo Vinicius Souza
24 maio 2019 - 10:12

Com a piora do clima no exterior, impulsionado pelos desacordos entre EUA-China, o investidor se volta para o cenário local.

Às vésperas do final de semana, aumenta-se as expectativas quanto a manifestação pró-governo Bolsonaro, marcado para o próximo domingo (26).

Bolsonaro não apenas ficará de fora do ato, como também condenou a inclusão de pautas contra o Congresso e Judiciário.

Em entrevista à revista Veja, o ministro da Economia, Paulo Guedes, sinalizou outra vez que pode sair até do país caso a reforma da Previdência não seja aprovada ou mesmo muito alterada.

Apesar da fala, Guedes manifestou com otimismo acreditar em uma aprovação dentro de 60 a 90 dias, pelo Congresso Nacional.

No cenário corporativo, a Cielo comunica emissão de até R$ 3 bilhões em debêntures para alongar sua dívida.

Ademais, o Banco Central alterou regra do recolhimento compulsório e, desse modo, injetará R$ 8,2 bilhões na economia.

Saiba quais são os principais compromissos econômicos globais para esta sexta-feira 

Nos EUA, destaque para a publicação das encomendas de bens duráveis com e sem automóveis, relacionados ao mês de abril.

Em nossa agenda doméstica, a sexta-feira (24) promete índices econômicos importantes, como o IPC-S Capitais, referente a terceira quadrissemana de maio, assim como a Sondagem do Comércio do mesmo período.

A publicação será realizada pelo FGV ainda na parte da manhã, seguido do IPCA-15 publicado pelo IBGE.

Mais tarde, o mercado conhecerá os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados no mês de abril.

Domingo ela não vai?

Theresa May anunciou agora pela manhã a sua renúncia ao cargo de primeira ministra, a razão é, principalmente, devido ao fracasso na condução do Brexit, que até agora não conseguiu chegar a um acordo para a saída do Reino Unido da União Europeia. Mas a sua própria saída deverá ajudar na resolução da questão que por ora, está prevista para o fim de outubro. Por isso, a libra sobe e o clima lá fora é mais ameno. Após as fortes quedas na semana, as últimas falas de Trump de que a Huawei poderá entrar no acordo chinês, prometem trazer uma sessão mais tranquila.

Por aqui, passamos a semana inteira com dúvidas em relação a manifestação prevista para domingo. Mas os avanços no Congresso e o recuo de Bolsonaro em não participar, entusiasmaram os investidores. Agora, com aparente evolução do apoio devido a mais grupos estarem apoiando o encontro, pode gerar algum desconforto ao longo do dia – já que a ideia inicial era colocar pressão nos parlamentares e a pauta da passeata está em aberto. Para muitos, é um jogo de perde-perde.

Ademais, o Banco Central anunciou nova mudança para o compulsório (instrumento que controla a quantidade de dinheiro em circulação), prevendo com isso a liberação de 8,2 bilhões de reais com efeitos já no início do segundo semestre. Para mim, trará poucos resultados, já que o problema mesmo está pelo lado da demanda.

Por Glenda Ferreira – Especialista em Investimentos na Levante Ideias de Investimentos

BC altera regra do recolhimento compulsório e injeta R$ 8,2 bilhões na economia 

O BC alterou as regras do recolhimento compulsório sobre recursos a prazo, liberando os mesmos ao Sistema Financeiro Nacional (SFN).

De acordo com a autoridade monetária, a parcela recolhida obrigatoriamente pelas instituições financeiras sobre operações de leasing foi reduzida.

A estimativa do Banco Central é que essa mudança implique em uma injeção de R$ 8,2 bilhões na economia brasileira.

Esse montante representa 3,3% do total de compulsórios sobre depósitos a prazo, de acordo com o BC.

Sendo assim, o recolhimento deixará de incidir sobre depósitos interfinanceiros feitos por Sociedades de Arrendamento Mercantil (SAM) em instituições financeiras de um mesmo conglomerado, de acordo com a circular editada no fim da tarde de ontem pelo órgão.

O órgão regulamentou ainda uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), de 2016.

Anteriormente, a resolução proibia operações compromissadas, isto é, com compromisso de o tomador devolver os recursos dentro de alguns meses.

O caso se aplicava a operações com lastro em títulos de instituições ligadas ou integrantes de um conglomerado.

As novas regras passarão a vigorar em 1º de julho, com efeitos no sistema financeiro a partir de 15 de julho.

Reforma da Previdência: Guedes reage ao ‘pessimismo geral’ e acredita em aprovação rápida

Diante das incertezas do mercado quanto ao avanço da reforma da Previdência, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou na última quinta-feira (23) acreditar em uma aprovação dentro de 60 a 90 dias, pelo Congresso Nacional.

Otimista, o ministro destacou ainda uma agenda positiva mediante a aprovação da PEC que vai alterar o sistema de aposentadoria.

“O que eu sinto lá [no Congresso Nacional] é que está havendo enorme colaboração. [Sinto] o senso da classe política de que isso é uma missão importante, uma tarefa importante, e que eles vão estar à altura da responsabilidade que o momento exige”, disse ele na capital paulista, em evento da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo.

Segundo o ministro, a rápida aprovação deve ocorrer porque o Senado já está acompanhando o assunto em uma comissão paralela.

Desse modo, a extensão do prazo para a votação depois de aprovada na Câmara dos Deputados deve ser evitada.

“O Senado montou imediatamente uma comissão para acompanhar junto, para justamente não perder mais seis meses”, relembrou ele.

“A aprovação deve ser relativamente rápida, ao contrário desse pessimismo geral que está por aí”, completou.

Ademais, o ministro da Economia acredita que o Brasil pode quebrar já em 2020, caso a reforma não seja aprovada.

“Se não fizermos a reforma, o Brasil pega fogo. Vai ser o caos no setor público, tanto no governo federal como nos Estados e municípios”, disse ele à revista Veja.

Bolsonaro pede que MP 870 seja aprovada sem alteração e fala de planos para o Nordeste

Em live no Facebook, o presidente da República falou da medida provisória que reduziu o número de ministérios no governo.

Bolsonaro fez um apelo ao Senado por uma aprovação da matéria sem alteração, mantendo o texto aprovado anteriormente pela Câmara.

Além disso, o presidente está cumprindo sua primeira agenda de atividades no Nordeste e deve anunciar em Recife o plano estratégico elaborado para a região.

Segundo ele, embora seja uma questão “antiga”, a viagem também incluirá o anúncio do 13 salário do programa Bolsa Família.

O governo estima que a medida levará, aproximadamente, mais de R$ 2,2 bilhões em dezembro de “extra” para o Nordeste.

Diante de nova derrota, senadores articulam para devolver Coaf a Moro 

O Senado seria a última chance para que o Conselho de Atividades Financeiras permanecesse sob tutela do ministério da Justiça.

Segundo o Valor Econômico, ainda que haja o risco de a MP tornar-se inválida, alguns senadores da base aliada articulam a transferência do órgão à pasta de Sérgio Moro.

Atualmente, o maior risco é que a medida 870, chancelada pelo presidente Jair Bolsonaro, perca sua validade.

A expectativa é que a matéria seja votada no Senado na próxima terça-feira (28).

Caso o texto seja modificado, a matéria – que tem validade extinta em 3 de junho – precisaria retornar à Câmara.

Ainda de acordo com o jornal, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), o líder do governo no Senado, afirmou que vai “defender o Coaf com o ministro Moro”, embora respeite a decisão soberana do plenário.

Cielo comunica emissão de até R$ 3 bilhões em debêntures para alongar sua dívida

Após ter divulgado o primeiro resultado positivo desde 2017 na última quarta-feira (22), indicando um aumento para 41,8% em participação no mercado de pagamentos, a Cielo emitiu nota para comunicar uma emissão de debêntures simples.

Essa será a sua quinta emissão de debêntures não conversíveis em ações, da espécie quirografária, em série única da companhia.

De acordo com o comunicado da empresa, o montante emitido será de até R$ 3 bilhões.

Esse valor deve ser dividido em até três milhões de debêntures unitárias no valor de R$ 1.000,00.

O prazo dos títulos de dívida corporativa, por sua vez, será de três anos, à contar a partir da data de emissão, em 18 de junho de 2019.

Ademais, o otal pode vir a ser reduzido para R$ 2 bilhões em até três dias antes do bookbuilding,

A nota indica ainda que remuneração ficará limitada a 104% do CDI e que “os recursos oriundos da captação por meio da emissão serão utilizados para reperfilamento de dívidas da companhia, no curso ordinário de seus negócios”.


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