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Por 344 votos, Parlamento britânico rejeita acordo do Brexit

Por Pablo Vinicius Souza
29 março 2019 - 12:11

O acordo da primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, para a saída da União Europeia sofreu sua terceira derrota nesta sexta-feira, 29. A proposta rejeitada por 344 votos contra 286 era uma versão simplificada da que já foi derrotada em duas ocasiões pelo Parlamento.

O porta-voz, Keir Starmer, afirmou ao programa BBC Today que “tirar a declaração política faz com que os parlamentares não saibam pelo que estão votando.”

Mais de 13 protestos estão marcados para a região de Westminster nesta sexta, o dia originalmente agendado para que o Reino Unido deixasse a União Europeia. A nova votação do acordo de May irá começar às 14:30 no horário local (10:30 no horário de Brasília).

Entendendo o Brexit

Por que os britânicos desejam abandonar a União Europeia?

Alguns dos motivos que fizeram a nação tomar esta decisão foi o fato de criticarem a contribuição feita para o bloco (que é maior do que a dos demais países) e normas burocráticas impostas pela sede do Conselho Europeu (Bruxelas). Os primeiros impulsos surgiram principalmente do Partido Conservador, do qual Theresa May é membro.

Um forte sentimento nacionalista também impulsionou o movimento após a crise humanitária no Oriente Médio e na África. O medo de perder empregos e a qualidade de vida se tornou constante.

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E o que fizeram depois?

O Reino Unido se encontra numa profunda crise há mais de dois anos, quando os britânicos votaram a favor da saída do Reino Unido do bloco econômico em um referendo realizado em 23 de junho de 2016, que obteve 17.410.742 votos válidos (o que representou 51,9% dos votos).

Com base em uma pesquisa da Confederação da Indústria Britânica os primeiros impactos econômicos surgiram a partir desse momento, quando 40% dos empresários locais sentiram quedas nos investimentos em seus negócios.

Desde então, a primeira ministra Theresa May vem negociando com a União Europeia diversos termos do pacto de saída tocantes a pontos como o valor a ser pago para o bloco econômico por quebra de contrato de parceria (algo em torno de 39 bilhões de libras), a situação de britânicos que vivem na Europa e vice e versa e a liberação de fronteiras.

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 Quais serão as consequências disso?

Ainda não se sabe ao certo quais serão as sequelas geradas pelo Brexit, mas o fato é que, num primeiro momento abalará as estruturas econômicas, políticas e sociais do Reino Unido e da Europa de modo geral.

Já foi publicado um estudo feito pelo Fundo Monetário Internacional com a estimativa de que a economia britânica (o PIB, registrado em 2017 de 2,622 trilhões de dólares) encolha entre 1,5% e 9,5% com a consolidação da saída. Com o fechamento das fronteiras os produtos ingleses devem ficar mais caros e, consequentemente, menos competitivos nos países europeus, seus principais parceiros comerciais.

O parlamento também se choca com o debate sobre as taxas alfandegárias que serão cobradas nas fronteiras quando o Reino Unido estiver formalmente fora do mercado único e da união aduaneira da Europa. Atualmente, os países membros possuem um pacto de livre comércio e circulação de produtos e serviços sem cobranças de impostos.

A questão é ainda mais complicada tratando-se da Irlanda (parte da Grã Bretanha) e Irlanda do Norte (pertencente à UE).  Mesmo May tendo proposto no acordo regras alfandegárias especiais para estas nações, agricultores e empresários norte-irlandeses desejam alguma garantia de que, independente do que aconteça, não serão erguidas barreiras físicas para separar as duas Irlandas.

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O grande desfecho

Para que os danos sejam menores, é de fundamental importância que o Reino Unido entre num acordo com a União Europeia. Por hora, um período de transição foi combinado entre ambos com o intuito de permitir que formulem um compromisso de comércio para que empresas possam se organizar.

Caso nenhuma proposta de saída seja aprovada pelo Parlamento, o Reino Unido sairá da União Europeia sem acordo e sem período de transição. Para o governador do Banco de Inglaterra, Mark Carney, a ausência de consenso entre o Reino Unido e a União Europeia levará a “grandes” consequências para a economia, gerando à revisão das taxas de juros e ao desemprego no setor financeiro.

Está previsto que a saída aconteça às 23:00 do dia 29 de Março (horário de Londres), e o prazo poderá ser prorrogado caso todos os outros 27* membros do bloco concordem com a necessidade.

 (*Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Croácia, Chipre, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Holanda, Irlanda, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Polônia, Portugal, República Tcheca, Romênia e Suécia.)


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