Tecnologia

Pix pode afetar até 8% das receitas com tarifas dos bancos, diz Moody’s

Por Fast Trade
07 outubro 2020 - 07:17 | Atualizado em 07 outubro 2020 - 07:34

O novo sistema de pagamento instantâneo do Banco Central, o Pix, pode tirar até 8% das receitas das instituições bancárias no Brasil.

A tecnologia está prevista para vigorar a partir do dia 16 de novembro, mas já é possível se cadastrar na plataforma que permitirá fazer pagamentos e transferências com custo zero.

Em relatório divulgado na véspera (6), a Moody’s relacionou essa possível queda nas receitas devido à perda das taxas de transferências do TED. De acordo com o Valor Econômico, essas transações dispararam 31% em média desde 2017, o que evidencia o impacto que está por vir.

O que acontece é que a plataforma permitirá que os brasileiros pessoas físicas (PF) e microempreendedores individuais (MEI) realizem pagamentos e transferências com custo zero.

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Na avaliação da agência de classificação de risco, essa isenção trará outros efeitos colaterais para principalmente os grandes bancos, obrigados a aderir o Pix. Isso porque a estimativa é que a isenção traga redução das taxas em outras transações, o que poderá intensificar o efeito negativo para as receitas.

Essa perda, contudo, deve variar de uma instituição para outra, afinal, vai depender do quanto cada banco recebe hoje por tarifas com transferência.

Os cálculos realizados pela Moody’s indicam um faturamento de até R$ 10,2 bilhões com o TED, considerando um valor médio de R$ 10 por transação.

Aparentemente já um sucesso, dados parciais do Banco Central indicaram que o sistema instantâneo de pagamentos atingiu a marca de 3 milhões de chaves registradas apenas no primeiro dia de funcionamento para essa função, conforme reportagem da Reuters.

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Outros efeitos do Pix

Ademais, essas companhias também ganham nos dias de hoje com o processamento de pagamentos no cartão com a cobrança de valores dos comerciantes por transação.

Assim, a Moody’s destaca que “essas tarifas serão pressionadas à medida que o PIX se torne um substituto para o uso do cartão de débito”.

“O Pix será um concorrente direto dos sistemas de pagamento existentes, incluindo transferências eletrônicas de dinheiro (TED) e pagamentos com cartão de débito, devido ao seu método de pagamento digital mais barato e rápido”, escreveu a agência em seu relatório.

Outra grande diferença é que não haverá mais a imposição de um limite do horário comercial para realizar transferências bancárias, uma vez que o Pix permitirá essas operações 24 horas por dia, todos os dias.

Cabe destaque para o momento em que a plataforma está prestes a ser lançada, com taxas de juros básicas em seu menor piso histórico. Além disso, os riscos de ativos relacionados à pandemia da covid-19 já pressionam as margens financeiras, bem como a lucratividade dos bancões.

O Pix, então, figura como mais um fator que pressiona os bancos, o avanço da tecnologia e as perdas no crédito com a crise.

Na esteira desses apontamentos feitos pela Moody’s, nota-se que as ações de Itaú Unibanco (ITUB4), Banco do Brasil (BBAS3), Bradesco (BBDC4) e Santander (BCSA34) acumulam perdas de, em média, 36% a 41% em 2020, contra uma queda de 17,4% do Ibovespa no mesmo período.

A probabilidade de que isso afetará o lucro dos grandes bancos pode também gerar novos impactos em algumas ações, bem como na distribuição de dividendos.

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