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PIB chinês fica abaixo do esperado; Brexit; debêntures; Petrobras; empregos e mais destaques

Por Bruna Santos
18 outubro 2019 - 08:50
1º pregão do ano

Os mercados devem reagir ao apoio unânime de líderes da União Europeia ao acordo para a separação do Reino Unido. Agora, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, buscará o apoio do Parlamento local para efetivar o rompimento em 31 de outubro.

Segundo a Reuters, Johnson está confiante na aprovação do pacto. O Brexit pode ser votado amanhã, em uma sessão extraordinária.

A votação, contudo, pode não ser simples, já que o Partido Unionista Democrático (DUP), sigla norte-irlandesa se recusou a apoiá-lo.

Desse modo, Johnson não conta com o apoio da maioria no Legislativo de 650 cadeiras. Na prática, ele precisa de ao menos 318 votos para ratificar um pacto. O Parlamento rejeitou um acordo anterior firmado pela antecessora de Johnson, Theresa May, três vezes.

Por aqui, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o 13ª para o Bolsa Família não valerá apenas para 2019. Em sua live semanal, ele reiterou que o pagamento entrará na Lei Orçamentária Anual (LOA) em 2020.

“O bom programa social é aquele que mais sai gente do que entra. Mas temos uma massa ainda de pessoas que necessitam do amparo do Estado. E não é apenas dezembro agora, não. Como nos outros anos entra na LOA, está garantido o décimo terceiro”, disse.

Ele também sancionou a lei que remaneja pouco mais de R$ 3 bilhões do Orçamento Fiscal da União em benefício de órgãos do Poder Executivo, como para o ministério do Desenvolvimento Regional (R$ 1 bilhão), da Saúde (R$ 732 milhões) e da Defesa (R$ 541,6 milhões).

Por fim, o governo adiará o envio da reforma tributária para focar em sua ação no Congresso com o propósito de aprovar um pacote de redução de cerca de R$ 30 bilhões de despesas.

O dragão chinês vem mostrando a cada novo dado divulgado que está sim sentindo os impactos da guerra comercial em seu crescimento. Ontem, divulgou o seu PIB, que veio em 6 por cento, um pouco abaixo das expectativas de 6,2 por cento, o que é o ritmo mais lento de expansão desde o início da série histórica, em 1992. É claro que o crescimento ainda é expressivo e muito maior do que o brasileiro, por exemplo, que deve fechar o ano em cerca de 1 por cento. Mas ainda assim, é aquele sinal de atenção de que o ritmo de crescimento global está cada vez mais difícil de ser mantido. Para aliviar, ao menos, a produção industrial veio acima do projetado. Nessa manhã, a União Europeia anunciou que irá impor tarifas retaliatórias aos EUA, o que não deve colaborar para o desenvolvimento do mundo.

Por aqui, a temperatura no PSL só aumenta. Só ontem, o deputado Delegado Waldir, líder na Câmara do partido do presidente, ameaçou o próprio presidente e Joice Hasselmann, responsável pela liderança da legenda no Congresso, foi destituída da função por Bolsonaro. O maior problema da briga interna são os possíveis impactos na agenda de reformas que o governo pretende seguir e a continuidade deste impasse já não tem agradado os investidores. Mesmo porque, antes deste impasse, apenas 47 por cento dos investidores acreditavam que a Bolsa deva fechar o ano acima de 110 mil pontos, ante a porcentagem de 87 por cento em julho, de acordo com uma pesquisa do BofA. Ou seja, há esperança de uma melhora interna, mas que já deve ficar para 2020.

Por Glenda Ferreira – Especialista em Investimentos na Levante Ideias de Investimentos

IGP-M; Índice de Confiança do Empresário Industrial; PIB, moradia e mais indicadores

Nossa agenda doméstica tem dados do IGP-M, publicados pela FGV, em sua segunda prévia referente ao mês de outubro.

Além disso, sai ainda o Índice de Confiança do Empresário Industrial, publicado pela CNI.

No cenário exterior, o Conferece Board divulga seus indicadores antecedentes de setembro e divide as atenções com os dados asiáticos.

O PIB chinês subiu apenas 6,0% ante a 2018, ficando abaixo da expectativa de crescimento de 6,1% da Reuters.

Esse resultado marca nova perda de força para a economia chinesa em relação ao crescimento de 6,2% no segundo trimestre.

Em contrapartida, a produção industrial em setembro avançou 5,8% na região, superando todas as projeções. Em paralelo, as vendas do varejo ficaram em linha com as expectativas, fechando setembro com avanço de 7,8%.

Outro índice chinês recente é as vendas de moradias, em valor, que avançaram 10,3% entre janeiro e setembro. O resultado mostra aceleração no setor imobiliário, após as vendas entre janeiro e agosto exibirem ganho anual menor, de 9,9%.

Ainda no continente asiático, o núcleo de preços ao consumidor do Japão, incluindo produtos de petróleo e excluindo preços de alimentos frescos, avançou 0,3% em setembro frente ao mesmo mês de 2018, de acordo com os dados publicados pelo próprio governo.

Melhor setembro em 6 anos marca abertura de 157.213 vagas formais de emprego no Brasil

O Brasil viveu o melhor mês de setembro em seis anos para a criação líquida de vagas formais de emprego. Foram 157.213 novos postos, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado na véspera pelo Ministério da Economia.

Além de desbancar os meses de setembro dos últimos anos, o dado marca o sexto resultado positivo consecutivo em 2019. Segundo o Caged, esta também foi a primeira vez no ano em que todas os Estados registraram saldos positivos.

Entre janeiro e setembro de 2019, foram criadas 761.776 vagas, mostrando resultado mais forte para o período desde 2014 (+904.913).

No acumulado dos oito setores econômicos pesquisados, sete revelaram resultado positivo, como a indústria de transformação (+42.179) e comércio (+26.918). Em contrapartida, o setor de serviços industriais de utilidade pública apareceu na ponta negativa, com fechamento de 448 vagas.

Em paralelo, o saldo do trabalho intermitente também apresentou um índice positivo no mês de setembro, com 6 mil postos. Na modalidade de trabalho parcial, houve criação líquida de 1.807 vagas formais de emprego, ainda de acordo com o Caged.

Ainda assim, a taxa de desemprego segue em patamar elevado no país, conforme dados mais recentes divulgados pelo IBGE. A taxa ficou em 11,8% no trimestre encerrado em agosto, estável ante os três meses anteriores, mas contraindo 0,3 ponto ante a igual período do ano anterior.

Em sua live semanal nas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro falou sobre os 157 mil empregos formais criados.

Acompanhado de Luciano Hang, da Havan, Bolsonaro estimou “menos de 10 milhões de desempregados” no país até terminar seu mandato.

“Pegamos com 14 milhões de desempregados. A gente vai, se Deus quiser, terminar 2022 com menos de 10 milhões de desempregados”, disse ele.

“O Brasil está recuperando a sua confiança”.

Produção de petróleo da Petrobras no Brasil cresce 16,9% no 3º tri

Prestes a divulgar seu balanço oficial do 3T19, a Petrobras (PETR4) acumulou alta de 16,9% na produção petróleo e líquido de gás natural (LGN) frente ao mesmo período do ano anterior.

Com isso, o índice da petroleira contabilizou 2,264 milhões de barris por dia (bpd), diante de um cenário em desenvolvimento da extração em novas plataformas, especialmente no pré-sal.

Até quando comparado ao 2T19 nota-se um avanço de 10,3% da produção de ambos, conforme relatório de produção da companhia.

Inclusive, a produção do pré-sal também avançou no terceiro trimestre em 17% na comparação com o trimestre anterior.

Isso equivale a, aproximadamente, 1,367 milhão de barris de óleo por dia, ou 60,4% da extração de óleo no Brasil.

Em agosto deste ano, a produção de petróleo da Petrobras já havia atingido um recorde, de 3 milhões de boe/d.

Ao comentar as prévias do resultado divulgado na véspera pela Petrobras que confirmam tamanha ampliação na produção de petróleo e gás natural, para 2,87 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d), o professor do Grupo de Economia da Energia (GEE) da UFRJ, Edmar Almeida, acredita que a petroleira abriu caminho para que outras empresas se interessem pelo investimento no Brasil.

“A Petrobras está atravessando um momento muito positivo com relação ao seu desempenho operacional”, comentou ele a jornalistas.

“Isto é muito bom para todo o setor de óleo e gás do País porque aumenta a confiança no potencial de crescimento do setor”, avaliou.

Comgás aprova emissão de debêntures em R$ 2 bi

O conselho de administração da Comgás (CGAS5), do grupo Cosan (CSAN3), aprovou a emissão de debêntures em R$ 2 bilhões.

De acordo com o comunicado emitido ao mercado na véspera (17), esses recursos devem reforçar o caixa da empresa. Além disso, parte deve ser destinada a novos investimentos, conforme ata de reunião extraordinária do colegiado de administração.

Entre 2019 e 2024, a Comgás se prepara para investir, aproximadamente, R$ 3,5 bilhões em projeto que prevê expansão da rede de distribuição, renovação e reforços da rede, mas também da tecnologia da informação, destacou o Ministério de Minas e Energia.

A presente Emissão representa a 8ª emissão de debêntures (totalizando 2 mil) da Companhia e será realizada em série única. O prazo de vencimento das Debêntures será de 3 anos, vencendo-se, portanto, em 15 de outubro de 2022.

Há, contudo, “ressalvas nas hipóteses de declaração de vencimento antecipado das Debêntures, de resgate por Indisponibilidade de Taxa DI (a ser definida na Escritura de Emissão), da Resgate Antecipado Facultativo e de Oferta de Resgate Antecipado, nos termos da Escritura de Emissão”, segundo a ata.

Ao final de julho, portaria do governo enquadrou projetos da companhia de São Paulo em norma de debêntures incentivadas.


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