HomeMercados

Petróleo tem maior alta histórica após ataques na Arábia Saudita; fique de olho em Petrobras

Por TradersClub
16 setembro 2019 - 10:35
exportação de petróleo

O petróleo chegou a registrar sua maior alta histórica na véspera, levando a uma forte debandada nos ativos de risco na manhã desta segunda-feira, após a suspensão parcial da produção de petróleo saudita aumentar a percepção de risco geopolítico e os temores de que a atual desaceleração global se transforme mais rapidamente em recessão.

O contrato futuro do petróleo Brent, para entrega em novembro, chegou a disparar 19% no domingo, turbinando as moedas de países ligados a commodities minerais e de energia e deprimindo a maioria dos índices acionários na Europa e na Ásia.

Para especialistas, no curto-prazo os preços do petróleo devem apresentar forte tendência de alta – que, para alguns, pode ser se até $10 por barril se o cenário atual, de restabelecimento gradual da produção, acontecer. Outros tendem a ser mais precavidos: analistas do Goldman Sachs, por exemplo, elaboraram quatro cenários, nos quais o impacto pode ser mais forte caso o aparato petrolífero saudita seja alvo de mais ataques.

Para os analistas do banco nova-iorquino, o evento de sábado, em que a principal base de produção de petróleo da Arábia Saudita foi atacada por drones da milícia iemenita dos Houthis, abre “o risco de uma ameaça à oferta global da commodity sem precedentes”. O quadro técnico do preço do petróleo, que já estava deteriorado pela queda da demanda global, pode gerar fortes perdas em alguns fundos, alertam gestores e economistas.

O investidor precisa ficar de olho, primeiro, no que for divulgado como culpado pelo incidente. No sábado, os Estados Unidos acusaram o Irã de participar ativamente ou ser o fiador do ataque. O presidente americano Donald Trump disse no Twitter ontem que os EUA estão “prontos, dependendo da verificação” de que o Irã esteve por trás do ataque. “Há razões para acreditar que conhecemos o culpado”, tuitou, cuidadosamente evitando mencionar o Irã ou especificando o que uma resposta implicaria.

O segundo fator a estar atento, disseram analistas, é a distinção do impacto sobre a oferta até a produção na Arábia Saudita ser restabelecida e haver novo equilíbrio de preço.

A situação pode impactar a ação da Petrobas de formas diferentes. Momentaneamente, a ação pode passar por uma coisa semelhante ao que aconteceu com as mineradoras na esteira da tragédia da mina da Vale em Brumadinho: a menor oferta elevou os preços do minério, fazendo com que as mineradoras, com a mesma produção, passassem a gerar mais caixa.

Por outro lado, se o preço do petróleo subir muito e não reverter por um período extenso de tempo, a sociedade pode pressionar a empresa – e o governo do presidente Jair Bolsonaro – a segurar os preços dos combustíveis, dizem analistas.


Sobre o autor