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Petrobras: privatizar ou fechar o capital? Confira a análise do especialista Beto Assad

Por Fast Trade
23 junho 2022 - 12:00 | Atualizado em 23 junho 2022 - 13:50
Petróleo em alta

De acordo com Beto Assad, analista de ações e consultor financeiro para o Kinvo, as discussões sobre a Petrobras (PETR3; PETR4) estão longe de acabar. O consultor avalia que a estatal enfrenta incoerências impulsionadas por um cenário econômico complexo.

“E isso acontece, no meu ponto de vista, por um motivo fácil de entender, mas de difícil resolução: estamos falando de uma empresa estatal, de caráter estratégico para o governo brasileiro, mas que tem capital aberto”, disse Assad em artigo.

Ele argumenta que o modelo da empresa estatal de capital aberto coloca em conflito a visão de função pública e a busca por lucro inerente ao mercado. Nesse sentido, em momentos de calmaria econômica as tensões são abrandadas. A estatal consegue recursos que são investidos na sociedade e os acionistas também ficam satisfeitos.

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Contudo, quando o cenário macroeconômico fica conturbado, essa relação se torna conflituosa. O governo passa a exigir um benefício social da estatal que foge da lógica do mercado e das empresas de capital aberto. Além disso, essa complicação adicional no Brasil é comum, segundo ele.

“E quando a estabilidade econômica entra em xeque, é comum começar a ver os interesses entre investidores e gestores públicos irem para caminhos opostos. Fica fácil de entender isso quando olhamos para o Brasil em 2022”, afirma Assad.

Privatizar ou fechar o capital

A questão que se coloca, então, é se a Petrobras deve ser mesmo uma empresa de capital aberto. A vantagem nesse sentido é o menor custo de financiamento. Mas em tempos de caos, a briga constante entre governo e mercado gera prejuízos aos dois lados.

Hoje, por exemplo, embora o executivo troque o presidente da estatal (a Petrobras terá o quarto no governo Bolsonaro) a fim de conter a inflação, isso é impossível. Normas legais regem a política de paridade de preços (PPI). Sendo assim, as mudanças podem apenas gerar volatilidade e desconfiança por parte dos investidores.

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Assad chega à conclusão, portanto, que o governo deve decidir qual é o verdadeiro papel da Petrobras para a sociedade brasileira. Se for para ser estatal, então é melhor fechar o capital para não gerar tais conflitos de interesse entre a finalidade pública e os objetivos dos investidores.

No entanto, se for para ter o capital aberto, então a privatização seria a melhor alternativa, estabelecendo um rígido controle e formas de tributação que beneficiem a população. “(…) o meio termo que está sendo feito hoje em dia parece não estar sendo muito festejado, tanto pelo governo, quanto pela população” – ele explicou.

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