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Peso, bonds argentinos despencam com temor de derrota de Macri em outubro

Por TradersClub
12 agosto 2019 - 10:00

O peso e o valor dos títulos soberanos da Argentina despencaram nesta segunda-feira, após o presidente Mauricio Macri ter perdido inesperadamente a eleição primária, prenunciando uma derrota na eleição presidencial de outubro e um possível retorno às políticas que deixaram o país em uma profunda recessão e sem reservas internacionais.

As primárias são um teste de sentimento nacional antes da eleição. A escala da derrota de Macri desafiou as pesquisas, que previam um empate entre ele e seu concorrente, Alberto Fernández, e refletem um desânimo generalizado com a direção do país em meio a um ano de recessão e à disparada da inflação.

Com cerca de 99% dos votos contados, Fernández, que tem como companheira de chapa a ex-presidente Cristina Kirchner, obteve 48% dos votos, ante 32% de Macri. Esse resultado seria suficiente para Fernandez ganhar em outubro sem a necessidade de um segundo turno. Kirchner foi responsável por políticas que deixaram o país quebrado, após uma série de nacionalizações e de impostos regressivos que desestimularam a agricultura e as exportações e levaram a uma forte inflação no custo dos alimentos.

Hoje, os títulos argentinos denominados em euros despencaram, levando o rendimento dos papéis com vencimento em 2028 perto dos 12%, disse um trader. O título com vencimento em 2021 viu seu preço cair de US$0,88 na sexta para US$0,70 hoje. O peso, que no mercado offshore tocava 47 por dólar, pode cair mais de 10% nesta segunda, disseram traders e gestores.

Para UBS, o índice Merval da bolsa de Buenos Aires deve desabar hoje, após subir 8% com esperanças de que Macri poderia mostrar um desempenho satisfatório.

O resultado mostra que os eleitores argentinos estão desesperançosos com o programa econômico e social de Macri, e querem apostar no retorno do intervencionismo que Kirchner implementou: nacionalização de fundos de pensão e empresas de serviços públicos, uso político da agência de estatísticas e ataques ao setor privado. Após um demorado processo de mudança dessas políticas, Macri teve que pedir um pacote de US$57 bilhões ao Fundo Monetário Internacional e elevar os juros acima de 70% para superar uma grave crise cambial no ano passado.


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