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Parecer da Previdência será lido hoje; governo cobra US$ 30 bi de países ricos e mais destaques

Por Bruna Santos
28 agosto 2019 - 09:00

Esta quarta-feira (28) não tem grandes destaques entre os indicadores, fazendo com que os investidores se voltem mais para as desavenças e articulações políticas.

Além disso, os investidores acompanham a leitura do parecer do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) em relação à reforma da Previdência.

Sobre a reforma Tributária, o projeto do deputado Luis Miranda (DEM-DF) cria um imposto sobre movimentação financeira (IMF), nos moldes da antiga CPMF, extinta em 2007.

A proposta tramita na Câmara dos Deputados e possui outras regras, assim como o objetivo de ser usado para compensar a redução da contribuição previdenciária empresarial.

De acordo com Miranda, o projeto aproveita “80% da proposta do deputado Baleia Rossi (MDB-SP) [PEC 45/19]”, que está sendo debatida na comissão especial da reforma tributária.

Ele também prioriza a redução da carga tributária sobre o dia a dia dos cidadãos e empresas.

Segundo Miranda, está previsto uma manutenção de prerrogativas tributárias de Estados e municípios.

No âmbito global, além das desavenças entre os chefes de Estado sobre o apoio de combate aos incêndios na Amazônia, há também preocupações renovadas sobre o rumo da disputa comercial entre EUA-China.

Diante dos receios de recessão, a curva de rendimentos das taxas de juros dos títulos norte-americanos segue invertida (taxas de 2 anos em 1,516%; as de 10 anos recuou a 1,466%).

Há, no entanto, dados sobre a sondagem do setor de serviços relacionado ao mês de agosto.

Posteriormente, o Tesouro informará o relatório mensal da dívida pública.

Além disso, o Banco Central se prepara para informar ao mercado a variação do estoque de crédito no sistema financeiro, bem como o fluxo cambial semanal.

Nos EUA, o dado mais aguardado é o estoque de petróleo bruto semanal.

Na Alemanha, o índice de confiança do consumidor, medido pela GfK, permaneceu estável para o mês de setembro na comparação com agosto.

 

Até onde vai o dólar?

O dia lá fora é novamente de incertezas. Enquanto ninguém tem certeza de qual será o impacto da guerra comercial, o tamanho da desaceleração de cada país, nem qual será a próxima polêmica de Trump, os mercados ficam vagando sem direção definida – até a próxima notícia bombástica.

Por vezes, a ausência de alavancas negativas é até boa, pois tira a pressão negativa.

Se fica tudo calmo lá fora, por aqui voltamos com tudo. Além da penalização por sermos um país emergente, que sofre mais com o cenário internacional mais obscuro e fragilizado, não faltam burburinhos para serem monitorados no Brasil. Ontem, um dos grandes destaques foi o dólar. Após o presidente do BC, Campos Neto, ter afirmado que o patamar do dólar estava confortável, o investidor testou e puxou o dólar para cima. Surpreendentemente, o BC rapidamente anunciou a venda de 1 bilhão de dólares no mercado à vista. O dólar zerou os ganhos, apesar de ter fechado em alta, o impacto veio na curva de juros. Isso porque foi colocado em dúvida as chances de novos cortes na Selic em meio a um dólar mais forte. Hoje, deveremos ter mais quatro leilões cambiais.

O relatório da reforma da Previdência será lido nessa manhã no Senado. Embora a proposta de Tasso Jereissati tenha enviado uma proposta com economia prevista de 1,350 trilhão de reais em dez anos, não agradou a equipe econômica. Além disso, vale monitorar o desmatamento na Amazônia. Entre idas e vindas, o governo anunciou que aceitará um socorro de 50 milhões de reais do Reino Unido, mas ainda não temos certeza se isto ocorrerá.

Por Glenda Ferreira – Especialista em Investimentos na Levante Ideias de Investimentos

 

Incêndios na Amazônia continuam provocando reações políticas exasperadas

Os incêndios na Amazônia continuam a provocar reações políticas exasperadas, especialmente entre o presidente do Brasil e da França.

Especula-se que o governo francês tente bloquear a ratificação do acordo de livre-comércio União Europeia-Mercosul pelo menos até 2022.

De acordo com o Valor Econômico, este será o ano em que Emmanuel Macron buscará a reeleição presidencial no país.

Macron já avisou que o texto atual do acordo UE-Mercosul não é suficiente. Assim, pode ser preciso reabrir o tratado.

Desse modo, a Europa ganha espaço para pressionar o Brasil a respeitar engajamentos sobre clima e desmatamento.

No twitter, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou “apoio total” ao presidente Jair Bolsonaro, que respondeu na mesma rede social em agradecimento.

De acordo com Bolsonaro, o Brasil está combatendo os incêndios na Amazônia com “grande sucesso”.

Pressionado para aceitar a ajuda do G7, que tem o propósito de combater os incêndios na Amazônia, o presidente Jair Bolsonaro foi enfático.

“Primeiramente o Macron deve retirar os insultos que ele fez a minha pessoa”, disse ele na terça-feira (27).

Isso, contudo, não quer dizer que o Brasil esteja fechado a receber ajuda para o combate de incêndio.

O porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, informou que o governo brasileiro está aberto a receber esses recursos.

Há, no entanto, a ressalva de que o país tenha autonomia plena na gestão dos mesmos.

Na noite de ontem, o governo informou ter aceitado uma oferta oriunda do Reino Unido de 10 milhões de libras após conversa telefônica entre o secretário de Estado britânico, Dominic Raab, e o chanceler brasileiro, Ernesto Araújo.

Além disso, o governo afirmou ter US$ 30 bi a receber de países ricos.

Em nota (Itamaraty), o governo diz que o país já reduziu emissões de gases de efeito estufa oriundas de desmatamento.

O valor estimado é de US$ 30 bilhões, e aguarda pagamento por parte de países como a França, por exemplo.

Parecer da reforma da Previdência será lido hoje na CCJ, segundo Tebet

De acordo com a presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Simone Tebet (MDB-MS), o parecer da reforma da Previdência será lido no colegiado nesta manhã.

Ontem, o relator da proposta, Tasso Jereissati (PSDB-CE), apresentou uma série de alterações à PEC aprovada pela Câmara dos Deputados.

Houve mudanças tanto em relação às receitas quanto às despesas, destacou o Valor Econômico.

Assim, o parecer da reforma apresentado por ele exclui dispositivos relacionados à questão social e assistencial, bem como estabelece a cobrança de contribuição previdenciária de determinados setores, como os agroexportadores e entidades filantrópicas.

Segundo o relator, com as alterações, a Nova Previdência pode gerar economia de R$ 990 bilhões nos próximos dez anos.

Anteriormente, a projeção havia sido reduzida aos s R$ 933,5 bilhões na versão aprovada na Câmara dos Deputados.

Ademais, a mudança nas regras de aposentadoria poderá economizar outros R$ 350 bilhões com a inclusão de Estados e municípios.

A votação do primeiro turno está prevista para o dia 24. O segundo turno pode acontecer em 10 de outubro.

Passada a leitura do parecer de Tasso, a comissão deve se dedicar a uma PEC que trata da distribuição de recursos da cessão onerosa a Estados e municípios, informou Tebet.

Sobre o assunto, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), afirmou que está sendo construído um acordo entre todos os líderes para que a PEC já seja votada em dois turnos na quarta-feira no plenário do Senado.

Após reunião com o ministro da Economia, Paulo Guedes, Alcolumbre afirmou a jornalistas que Estados e municípios poderão utilizar os recursos arrecadados para o pagamento de dívidas, investimentos e para cobrir o rombo de seus regimes previdenciários.

O texto prevê o repasse de 15% dos recursos arrecadados com o megaleilão aos Estados e outros 15% aos municípios.

Vendas do Tesouro Direto atingem R$ 2,656 bilhões em julho

As vendas do Tesouro Direto bateram a marca dos R$ 2,656 bilhões no sétimo mês do ano.

Os resgates totalizaram R$ 2,216 bilhões. Assim, a Secretaria do Tesouro Nacional informou uma emissão líquida de R$ 440,7 milhões.

Desse montante, R$ 2,123 bilhões estão relacionados às recompras, enquanto os demais (R$ 92,2 milhões), aos vencimentos dos títulos.

De acordo com o Tesouro Nacional, a utilização do programa por pequenos investidores “pode ser observada pelo considerável número de vendas até R$ 5.000,00, que correspondeu a 86,0% das vendas ocorridas no mês”.

O valor médio por operação ficou em R$ 4.869,62.

Informações publicadas pelo órgão atribuem à taxa Selic (Tesouro Selic) os títulos mais demandados pelos investidores (total R$ 1,31 bilhão).

Isso equivale a 49,46% das vendas totais.

Os títulos indexados à inflação (Tesouro IPCA+ e Tesouro IPCA+ Juros Semestrais), por outro lado, representaram 34,96% no período ao totalizar R$ 928,85 milhões em vendas.

Em contrapartida, as vendas de prefixados (Tesouro Prefixado e Tesouro Prefixado com Juros Semestrais) totalizaram R$ 413,87 milhões (15,58%).

No mês, o estoque do programa chegou a crescer 1,53% (R$ 57,81 bilhões) ante junho (R$ 56,94 bilhões).

Em julho de 2019, o total de investidores ativos no Tesouro Direto atingiu a marca de 1.109.363 pessoas.

Esse número representa aqueles que atualmente estão com saldo em aplicações no programa.

No mês passado, 36.373 investidores tornaram-se ativos, indicando um singelo crescimento de 3,39% quando comparado ao mês anterior.

As vendas do Tesouro Direto não foram o único destaque do mês, uma vez que o crescimento no número de investidores cadastrados no programa atingiu seu segundo maior valor na série histórica, 227.680.

Isso representa um salto de 5,23% na comparação com junho, contabilizando 4.578.915 pessoas.


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