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Pacto pelo Brasil; Itaú BBA reduz projeção para o Ibovespa; saldo estrangeiro negativa na Bolsa e mais

Por Pablo Vinicius Souza
29 maio 2019 - 09:56

Os três Poderes da República devem assinar um “pacto pelo Brasil” até o dia 10 de junho.

Desse modo, será possível aprovar no Congresso Nacional com mais facilidade aquelas pautas de interesses em comum.

A informação foi confirmada pelo porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros, após encontro entre lideranças na última terça-feira (28).

Esta quarta-feira promete menos movimento no cenário interno, com dúvidas centrais relacionadas ao avanço da Previdência e a dúvida majoritária: ficará para o segundo semestre?

Sendo assim, a atenção do investidor se volta para o mercado externo, com o aumento das tensões entre EUA-China.

A Huawei, gigante de tecnologia chinesa, questiona a constitucionalidade da decisão que veio de Washington para limitar as vendas de seus equipamentos de telecomunicações.

Ademais, o Banco Central Europeu (BCE) adverte para os riscos de piora no crescimento econômico, podendo elevar as preocupações sobre a sustentabilidade de dívidas.

Além disso, a União Europeia informou que não renegociará o acordo do Brexit definido com a primeira-ministra britânica, Theresa May.

Projeção do Itaú BBA para o Ibovespa é revisto e cai de 117 mil para 110 mil pontos

O Itaú BBA não apenas reduziu as estimativas de lucros das empresas listadas na Bolsa de valores brasileira, como também cortou a projeção do Ibovespa para este ano, conforme relatório enviado a clientes na última terça-feira (28).

Anteriormente, sua projeção indicava 117 mil pontos. Agora, foi reduzida para 110 mil pontos.

A instituição explicou que a estimativa de crescimento dos lucros do respectivo ano fiscal para o Ibovespa foi reduzida, de 31% para 17%.

O forte recuo tem como base, especialmente, o setor financeiro e o de commodities.

É possível que haja ainda novas revisões negativas de lucros ao final do trimestre, segundo o time estrategista do banco.

Sob o mesmo ponto de vista, o relatório ressaltou os números fracos da empresa, puxados pelo baixo crescimento do PIB no período. Ademais, os resultados negativos das commodities também impactaram, influenciados em grande parte pelas provisões da Vale.

A mineradora vem enfrentando complicações desde o rompimento da barragem em Brumadinho (MG), em janeiro deste ano. Agora, vive a tensão do risco de um novo desabamento, em Barão de Cocais, situado à 100km da capital mineira, Belo Horizonte.

Por fim, o BBA afirma que o cenário é amplamente dependente da aprovação da reforma da Previdência. Com a sua aprovação, novas revisões (otimistas) podem surgir.

Inverteu

O dia de trégua de notícias no cenário externo, já acabou. Hoje, já amanhecemos com mais tensões. Pequim está se preparando para usar seu domínio na produção de terras raras (metais de difícil extração usados na indústria) como uma forma de resposta aos EUA. Com isso, só aumenta a percepção de que o crescimento econômico será cada vez mais fraco devido aos efeitos da guerra comercial. Como resultado, temos a busca por ativos mais seguros como as treasuries americanas – levando seus rendimentos para níveis mais baixos em vários anos em uma nova onda de aversão ao risco – o que aponta para uma inversão da curva de juros e que uma recessão estaria logo ali.

Por aqui, continuamos no embalo de que a reforma será aprovada (logo) e gerando uma boa economia. Em especial, após os encontros de ontem e reforços de que os Três Poderes irão caminhar juntos e ainda assinarão um pacto até o início do mês. O destaque do dia vai para a fala de Campos Neto, o presidente do Banco Central, sobre a nova agenda do BC e logo após conversar com Maia. É importante devido o aumento das apostas de que teremos um novo corte da Selic – ainda que o discurso até aqui seja de que só teremos mudanças após a percepção de que a inflação ficará controlada no longo prazo (ou seja, de que a reforma será aprovada).

Por Glenda Ferreira – Especialista em Investimentos na Levante Ideias de Investimentos

Estrangeiros compram, mas saldo negativo na Bolsa em maio vai a R$ 5,193 bilhões

É provável que a lentidão quanto ao avanço da reforma da Previdência esteja impactando o movimento da posição comprada por investidores estrangeiros no segmento Bovespa, da B3.

Na última sexta-feira (24), a sessão ficou marcada por um saldo deficitário de R$ 97,253 milhões, após compras de R$ 5,424 bilhões e vendas de R$ 5,521 bilhões.

Em virtude de uma sequência de déficits, o saldo mensal está negativado em R$ 5,193 bilhões.

Em contrapartida, a sessão marcou forte saída de recursos para os investidores institucionais.

Não apenas as aquisições totalizaram R$ 3,092 bilhões, como também as alienações somaram R$ 3,189 bilhões. Sendo assim, o déficit do dia ficou em R$ 96,480 bilhões.

Apesar disso, maio segue positivo no segmento (R$ 3,271 bilhões).

Ademais, investidores pessoa física perceberam entradas de R$ 2,577 bi e saídas de R$ 2,435 bi, totalizando R$ 142,329 milhões. O mês acumula R$ 1,539 bilhão.

De acordo com o Investing, os investimentos de empresas públicas e privadas, por sua vez, cresceram na sessão.

As compras somaram R$ 143,196 milhões e as vendas R$ 132,705 milhões, totalizando R$ 10,491 milhões no dia. O saldo é de R$ 470,500 milhões no mês.

Os investimentos realizados por instituições financeiras adquiriram R$ 632,223 milhões e alienações de R$ 591,310 milhões, resultando em saldo positivo de R$ 40,913 milhões.

Desse modo, os números negativos do mês foram reduzidos para R$ 90,460 milhões.

Saiba quais são os principais compromissos econômicos globais para esta quarta-feira

Lá fora, os Estados Unidos publicarão o índice de atividade regional do Fed de Richmond, relacionado ao mês de maio.

Internamente, é dia de agenda econômica movimentada.

Pela manhã, a FGV divulga a sondagem de serviços, seguida pelo IBGE, que publicará o índice de preços ao produtor da indústria de transformação. Ambos se referem ao mês de maio.

Posteriormente, o Banco Central divulgará a variação mensal do estoque de crédito, assim como o estoque de crédito do sistema financeiro e taxas de inadimplência da pessoa física.

Ademais, o Tesouro Nacional pode publicar hoje o resultado primário do Governo Central.

Reforma administrativa: Senado aprova texto-base de Medida Provisória 870

Após muitos pedidos por parte do presidente Jair Bolsonaro, o Senado aprovou ontem o texto principal da Medida Provisória 870.

Antes da votação, Bolsonaro se reuniu com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, mas também do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli e da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia.

No encontro, o presidente da República entregou uma carta a Alcolumbre, pedindo novamente que a reforma fosse aprovada sem alterações.

Destacou ainda que o projeto saiu da Câmara dos Deputados com mais de 95% de sua integridade e foi respeitado os principais eixos da reforma.

Em caso de alteração, a MP que reestruturou o governo e diminui a quantidade de ministérios, retornaria para a Câmara.

Os apelos, contudo, foram ouvidos e o projeto foi aprovado por 70 votos a 4. Agora, seguirá para sanção presidencial.

Assim sendo, a retirada do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) da tutela de Moro, acabou se transformando em uma vitória para o governo Bolsonaro, uma vez que o presidente usou a manutenção da decisão como manobra para que a MP 870 fosse aprovada.

Além de tratar da reestruturação do governo, a MP devolve para a Fundação Nacional do Índio (Funai) a atribuição de demarcar terras indígenas.

A Funai ainda foi devolvida para a pasta da Justiça e não ficará mais no Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.

Reforma da Previdência: parecer só deve ser votado na 1ª semana de julho, segundo Ramos

O parecer da reforma da Previdência só deve ser votado a partir da primeira semana de julho, segundo o presidente da Comissão Especial da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM).

À Reuters, Ramos destacou o feriado ao final de junho, mas também as festas juninas, que tradicionalmente esvaziam o plenário.

“Não daria tempo de votar, só iria votar na primeira semana de julho”, reforçou Ramos, responsável por marcar o dia da votação do parecer na comissão.

A fala pode ser sentida como um banho de água fria por um mercado ansioso pelo avanço da reforma previdenciária.

Ramos também se mostrou descrente quanto a um quórum de votação na comissão no próximo dia 20 de junho, por se tratar de uma véspera de feriado (Corpus Christi).

Embora o avanço da PEC crie dilemas, o governo avança com a articulação junto à Câmara dos Deputados para pauta de corte de gastos.

De acordo com o Valor, 29 projetos de lei já em tramitação ou prestes a ser encaminhados pelo governo, serão priorizados pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e integrantes da equipe econômica.

Dentre esses projetos, destaca-se a ampliação de modalidades para contratação temporária de funcionários, revisão de auxílios funeral e uma “política de governo digital”.

PIB agropecuário brasileiro respira; Ipea aumenta previsão para avanço de 0, 6% no ano

A estimativa de alta do Produto Interno Bruto (PIB) 2019 foi revista na última segunda-feira (27) e recuou (1,24% para 1,23%), segundo o boletim Focus, do Banco Central.

Dessa forma, o estado atual da economia cria tensão, levando o PIB agropecuário brasileiro a ser sentido com mais alívio.

De acordo com as projeções do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o índice deve avançar 0,6% neste ano.

Atrelado ao setor de produção de carnes que apresenta um bom resultado, a safra de milho e algodão também representam.

“A pecuária deve ser determinante para o crescimento do PIB agropecuário”, sinalizou o órgão por meio da publicação.

O Ipea, fundação vinculada ao Ministério da Economia, relembrou que os bovinos equivalem a, aproximadamente, metade do PIB da pecuária.

Além disso, a indústria de suínos também impactará o índice, com o aumento de importação de produtos brasileiros, impulsionado pela disseminação dos animais na China.

A peste suína africana pode aumentar a produção brasileira em 5,6% neste ano.

Embora a pecuária revele alta considerável, a agricultura sobe mais timidamente, em 0,1%, em virtude da queda na safra de soja, o principal produto do setor do Brasil.

Desse modo, o maior exportador global da oleaginosa vê o setor sofrer um revés, após bater um recorde de quase 120 milhões de toneladas em 2018.

Sendo assim, o PIB do setor agrícola deve sofrer pouca variação, embora o Ipea projete um avanço expressivo de 12,6% para o milho e de 29% para o algodão em caroço.


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