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Os conflitos políticos globais minam o otimismo do investidor; economia, Previdência e mais

Por Bruna Santos
30 setembro 2019 - 08:46

No Reino Unido, as negociações sobre o Brexit com a União Europeia (UE) devem se estender até o prazo final.

O objetivo, segundo a ministra britânica do Comércio, Liz Truss, é forçar mudanças necessárias para que o acordo seja aprovado.

Em conferência do Partido Conservador na cidade de Manchester, ela disse acreditar que o Parlamento agora aprovaria o Brexit.

Além disso, a próxima rodada bilateral de negociações comerciais sino-americanas, programada para 10 de outubro, continua em destaque no radar.

Por um lado, a China espera que Pequim e Washington resolvam sua disputa comercial “com uma atitude calma e racional”.

Em contrapartida, os Estados Unidos podem imputar novas táticas radicais sobre Pequim, incluindo a possibilidade de retirar empresas chinesas das bolsas de valores norte-americanas.

Na Europa, o formulador de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), Ignazio Visco, disse no sábado (28) que recentes medidas expansionistas do órgão se faziam necessárias a fim de combater o risco de um retorno à deflação na área do euro.

Por aqui, a semana tem destaque político, com muita expectativa pela votação da reforma da Previdência no plenário do Senado.

Na quarta-feira (2), o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) define o direito dos delatados se manifestarem posteriormente aos delatores.

Por fim, o ministro da Economia, Paulo Guedes, costura com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, o envio ao Congresso de um bloco de medidas para destravar a economia e auxiliar no ajuste fiscal.

Conforme publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo, a meta é conciliar uma “agenda da transformação” com as ações de curto prazo, a fim de fechar o orçamento 2020.

Confira ainda os principais destaques da semana que você, investidor, precisa ficar atento.

PMI’s globais; boletim Focus; PIB e mais indicadores

Nossa agenda local é inaugurada pela publicação do boletim Focus, pelo Banco Central. Posteriormente, sai o resultado fiscal consolidado e a dívida do setor público.

Nos Estados Unidos, saem nesta manhã o PMI Chicago, assim como o índice de produção manufatureira de Dallas.

Na China, o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) oficial da indústria subiu de 49,5 em agosto para 49,8 em setembro.

O resultado superou as expectativas de analistas, que previam um avanço para 49,6.

Ademais, o PMI industrial chinês medido pela IHS Markit em parceria com a Caixin Media aumentou de 50,4 para 51,4.

Na zona do euro, a taxa de desemprego contraiu de 7,5% em julho para 7,4% em agosto.

Com isso, o índice chegou ao seu menor nível desde maio de 2018, segundo dados com ajustes sazonais da Eurostat.

O Produto Interno Bruto (PIB) do Reino Unido encolheu 0,2% no segundo trimestre de 2019 ante os três meses anteriores.

A informação é do Escritório Nacional de Estatísticas (ONS, na sigla em inglês) que confirmou estimativa preliminar.

Na comparação anual, o crescimento do PIB britânico foi de 1,3% entre abril e junho.

Em termos anualizados, o PIB do Reino Unido sofreu contração de 0,9% no segundo trimestre, informou o ONS.

Na Espanha, o PIB cresceu 2,0% no segundo trimestre deste ano na comparação anual com 2018.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE) nacional, na comparação trimestral, o PIB teve alta de 0,4% no segundo trimestre.

Por fim, as vendas no varejo da Alemanha avançaram 3,2% em agosto ante o mesmo mês do ano passado, segundo dados preliminares da agência de estatísticas alemã Destatis.

Na comparação com o mês de julho, as vendas no varejo alemão subiram 0,5% em agosto.

Contagem regressiva para 2020

Hoje, começam as comemorações da semana dourada (Golden Week), os 70 anos da Revolução Comunista, liderada por Mao Tse-tung, que pôs um fim ao “século de humilhação” e criou a República Popular da China. Por isso, algumas Bolsas asiáticas ficam fechadas durante toda a semana. Mas antes da saída para o feriadão, divulgou os dados sobre o desempenho dos setores industrial e de serviços em setembro, ficou em 49,8, pouco acima dos 49,6. Ainda é abaixo do 50, que indica retração, mas o número um pouco maior já é o suficiente para animar os investidores.

Além disso, o dia será de repercussão da notícia do governo Trump negando que há mesmo o plano de deslistar as empresas chinesas, ao menos por agora. Com a agenda mais fraca, o mercado ainda monitora novidades quanto ao processo de impeachment de Trump e possíveis consequências.

Por aqui, o relógio voa para Paulo Guedes e companhia. Com o encaminhamento para o último trimestre do ano, o que não faltam são projetos para serem concluídos que possam estimular a nossa economia. Está em pauta o aceleramento do processo de privatizações, o fomento do setor de construção civil (como um programa habitacional para as classes D e E) e além das tão aguardadas reforma da Previdência, ainda há reforma do Orçamento e a autonomia do Banco Central. Não faltam bons projetos para serem concluídos, agora é só ver como será a articulação com o governo para concluir tudo dentro do prazo.

Por Glenda Ferreira – Especialista em Investimentos na Levante Ideias de Investimentos

Guedes projeta crescimento otimista para Brasil em 2020

Para o ministro da Economia, Paulo Guedes, a economia brasileira vai recuperar sua dinâmica de crescimento em 2020.

Segundo ele, a economia do Brasil poderá crescer até acima de 2% no período.

“Certamente ano que vem será bem melhor que este, mas ainda não estou falando de 3,5%, 4% (de crescimento), nada disso”, explicou em entrevista concedida ao Jornal da Record na noite da última sexta-feira (28).

“Mas nós achamos que o Brasil já pode crescer acima de 2%, sim, pode ser até que cresça um pouco mais do que isso”, disse.

Na última semana, o boletim Focus do BC indicou alta de 0,87% do PIB em 2019 e 2,00% para 2020.

Por outro lado, o Banco Central melhorou suas expectativas para o Produto Interno Bruto através do Relatório Trimestral de Inflação.

Na publicação, o Banco Central aumentou as estimativas de crescimento para 2019 em 0,9% e o dobro em 2020.

“Para o PIB de 2020, ainda com elevado grau de incerteza, projeta-se crescimento de 1,8%. Ressalte-se que essa perspectiva está condicionada ao cenário de continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira e pressupõe que o ritmo de crescimento subjacente da economia, que exclui os efeitos de estímulos temporários, será gradual”, informou o relatório.

Ainda na Record, Guedes classificou como “inaceitável” o que ele chamou de “desemprego em massa” no Brasil.

De acordo com o ministro, com o esperado fortalecimento da economia no ano que vem, a expectativa é que o “desemprego comece a descer mais rapidamente”.

Além disso, ele tornou a criticar o que ele chamou de altos encargos trabalhistas e disse que o governo vai atacar “frontalmente… a dificuldade de empreender no Brasil”.

Por fim, o parlamentar disse que “a CPMF está descartada” e que a equipe econômica está buscando alternativas para desonerar a folha de pagamento.

Destaques corporativos: Petrobras, BNDES, Vale e mais

Entre os destaques corporativos desta semana está o reajuste de 2,5% no preço do litro da gasolina vendida nas refinarias para as distribuidoras, divulgado pela Petrobras na sexta-feira.

Embora os novos preços já estão valendo, o valor final repassado ao consumidor dependerá individualmente de cada posto de combustível.

O preço do diesel, por outro lado, não sofreu reajustes.

Ademais, o BNDES poderá perder até R$ 14,6 bilhões com o grupo Odebrecht, segundo o presidente do banco, Gustavo Montezano.

De acordo com o Estadão, essa estimativa faz parte do esforço de explicação da suposta “caixa-preta” do BNDES.

Parte dessa perda potencial ficará com o Tesouro Nacional, que deu garantia em empréstimos para outros países contratarem a empreiteira em obras de infraestrutura, conforme publicação.

Seguindo a linha dos destaques corporativos, o Valor Econômico trouxe a informação de que a Telefônica precisou recorrer à Justiça para conseguir usar parte dos cerca de R$ 6 bilhões em créditos gerados pela exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins a que tem direito.

Embora a quantia já tenha sido reconhecida anteriormente em ação transitada em jugado, a Receita Federal havia instaurado procedimento de fiscalização para travar a possibilidade de uso.


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