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OMS pede “consistência e transparência” na comunicação do Brasil sobre Covid-19

Por Bruna Santos
08 junho 2020 - 16:00 | Atualizado em 08 junho 2020 - 17:33
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A OMS se manifestou nesta segunda-feira (8) após o Ministério da Saúde modificar a forma de divulgar os números de casos e mortes de Covid-19. De acordo com o chefe do programa de emergências da Organização Mundial da Saúde, Mike Ryan, é preciso que haja “consistência e transparência” nas informações.

Segundo reportagem da Reuters, a expectativa da OMS é que o Brasil encontre uma rápida solução para “a confusão” nos dados e continue relatando “números importantes”.

“É muito importante, ao mesmo tempo, que as mensagens sobre transparência e divulgação de informações sejam consistentes, e que nós possamos contar com os nossos parceiros no Brasil para fornecer essa informação para nós, mas, mais importante, aos seus cidadãos. Eles precisam saber o que está acontecendo”, disse ele.

Entenda o caso mencionado pela OMS

Desde quarta-feira (3), os números oficiais relativos à Covid-19 estavam sendo divulgados com atraso. Ademais, o site que concentra informações sobre a doença chegou a ficar fora do ar por quase 24 horas entre sexta-feira (5) e sábado (6).

Quando voltou a funcionar, não havia mais informações detalhadas sobre o avanço da pandemia; assim, a plataforma informava apenas os dados das últimas 24 horas

No domingo, o Ministério da Saúde divulgou dois boletins divergentes de casos e de mortes relacionados à Covid-19, mas corrigiu na manhã de hoje. O primeiro indicava 1.382 mortes nas últimas 24 horas e o segundo, 525 mortes.

Além disso, o empresário Carlos Wizard comunicou ontem (7) que deixará de atuar como conselheiro do Ministério da Saúde, após ser criticado por declarar que o governo recontaria as vítimas do novo coronavírus.

Ele ainda afirmou que não assumirá a Secretaria de Ciência e Tecnologia da pasta para se dedicar a trabalhos sociais em Roraima.

Câmara do MPF vai investigar omissão de dados

Para investigar as mudanças do Ministério da Saúde, a Câmara de Direitos Sociais e Fiscalização de Atos Administrativos em Geral do Ministério Público Federal (MPF) decidiu instaurar um procedimento extrajudicial.

De acordo com o Valor Econômico, os autores alegaram que a Constituição assegura que todos tenham acesso à informação. Além disso, a Lei de Acesso à Informação, que prevê a transparência do poder público, foi citada para sustentar a abertura do procedimento.

Por fim, o despacho determina ainda que o Interino no Ministério da Saúde, Eduardo Pazuello, responda quais fundamentos técnicos embasaram as mudanças.


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