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OAS relata pressão de Lula para assumir obra problemática em estrada na Bolívia, diz jornal

Por Eloiza Amaral
16 setembro 2019 - 11:50
Foto: Agência O Globo

Foto: Agência O Globo

Segundo informações divulgadas pelo jornal Folha de S. Paulo nesta segunda feira (16), quando estava na presidência Luiz Inácio Lula da Silva fez pressão para que a OAS assumisse uma obra problemática numa rodovia da Bolívia, a fim de evitar desgaste com o governo de Evo Morales.

A afirmação foi feita pelo então presidente da empreiteira, Léo Pinheiro, e consta em seu acordo de delação premiada, que foi compartilhado por procuradores da Operação Lava Jato por meio do aplicativo Telegram.

Léo Pinheiro disse que Lula buscou financiamento do BNDES e prometeu outro projeto na Bolívia para compensar este contrato problemático, numa estrada de cerca de 340 km entre as cidades de Potosí e Tarija, que havia sido iniciada pela Queiroz Galvão em 2003.

Após se envolver em disputas com o governo boliviano, que cobrava a reparação de fissuras em pistas recém-construídas, a Queiroz Galvão interrompeu a obra em 2007.

A Folha informou que no governo Dilma Rousseff a área técnica do BNDES impôs entraves à operação, e o contrato acabou sendo cancelado pelo governo boliviano. De acordo com Léo Pinheiro, à empreiteira só restou negociar para retirar seus equipamentos e obter uma devolução de garantias, após “apelos de Lula”.

A delação de Léo Pinheiro foi fechada com a Procuradoria Geral da República e homologada neste mês no Supremo Tribunal Federal.Seis procuradores que atuam em Brasília pediram demissão de um grupo da Lava Jato no início deste mês por discordarem da procuradora-geral, Raquel Dodge, em relação a providências quanto ao acordo, como arquivamento de trecho

Léo Pinheiro está preso desde 2016 e foi o principal acusador de Lula no caso do tríplex de Guarujá (SP).


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