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O que vai agitar os mercados nesta sexta-feira?

Por Bruna Santos
23 novembro 2018 - 10:25 | Atualizado em 29 dezembro 2020 - 12:45
Eleições nos EUA e cenário interno devem aumentar a volatilidade do Ibovespa

O dia foi de baixa para as bolsas asiáticas em função do desacordo comercial que ainda acomete Washington e Pequim, positivas para as bolsas europeias e promete ser um dia muito agitado para os Estados Unidos que retornam de um feriado, com PMIs.

No Brasil, esta sexta-feira tem como seu principal destaque as movimentações políticas frente ao novo governo que assumirá em janeiro de 2019. Novas nomeações foram anunciadas para presidência do Banco do Brasil, Caixa e IPEA (escolhas que reforçam viés privatista e liberal prometido em campanha), ao passo que a escolha de Ricardo Vélez para Educação reitera tom ideológico conservador.

Fique ligado nos principais destaques desta sexta-feira (23):

Reação das bolsas pelo Mundo

O pós-feriado de dia de Ação de Graças pode significar baixa (ainda que leve) nos índices americanos em Wall Street, conforme apontam os contratos futuros, mas deve continuar impactando as sessões na Ásia que teve baixa generalizada nesta sexta-feira.

Quem mais influenciou essa baixa foram os chineses que tem demonstrado grandes preocupações em relação a disputa comercial entre Pequim e Washington que ganhou um novo agravante. Isso porque, de acordo com o The Wall Streeet Journal, os Estados Unidos têm tentado convencer países aliados – como Alemanha, Japão e Itália – a abrir mão dos equipamentos de telecomunicações da Huawei, gigante de tecnologia chinesa.

As informações são de que o uso dessas tecnologias pode oferecer riscos à segurança cibernética dos respectivos países, o que serviu como mais um motivador para aumentar as tensões entre os países que use encontrarão até o final deste mês no G-20, realizado na Argentina (encontro realizado entre o presidente dos EUA, Donald Trump e Xi Jinping, presidente da China).

No mercado de commodities, petróleo continua recuando e vai para sua sétima semana de perdas em provável resposta a um excesso de oferta. Quem registrou uma sessão positiva foi a Europa, com leve alta e com um mercado focado nas negociações do Brexit.

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Indicadores da agenda econômica para esta sexta-feira

Em dia de pós-feriado nos Estados Unidos, um dos principais eventos cotados na agenda internacional está previsto para acontecer às 12h45, horário em que os EUA divulgarão uma preliminar do PMI Manufatura Markit referente ao mês novembro (até o presente momento) e o PMI Serviços Markit. Vale ressaltar que as bolsas americanas fecham mais cedo, às 16h (horário de Brasília).

Aqui no Brasil, quem ganha destaque no dia de hoje é a inflação medida pelo IPCA-15 que deve registrar um desaquecimento para 4,46% no atual mês de novembro, quando comparado ao mesmo período de 2017. A estimativa é de um recuo pela metade (de 0,58% para 0,24%) na base mensal.

O cenário político continua em alta

O mercado continua com suas atenções voltadas para a formação do governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro. Em destaque, na última quinta-feira (22), Paulo Guedes, o futuro ministro da Economia anunciou dois novos nomes que farão parte da equipe política e que assumirá no início de 2019: Rubem Novaes, ex-diretor do BNDES e ex-presidente do Sebrae, foi indicado para presidência do Banco do Brasil e esteve no gabinete de transição na última quinta-feira; Pedro Guimarães, que já possui vasta experiência em bancos, após ter passado por Bozano, BTG Pactual, Brasil Plural foi indicado para a presidência da Caixa. Tanto Novaes, quanto Guimarães entram com a missão de vender ativos.

Carlos Von Doellinger, ex-Tesouro e ex-Baner, foi o escolhido por Guedes para presidir o Ipea e, segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo, Salim Mattar, empresário da Localiza, está sendo cotado para comandar a secretaria das privatizações.

A probabilidade é que no desenrolar do novo governo, Guedes insistirá em uma medida de reforma com o objetivo de levar o país a sistema de imposto único, além de reduzir carga tributária para 25% em até dez anos.

As principais notícias corporativas de hoje

No Banco do Brasil, o novo indicado à presidência, Rubem Novaes deixou claro que a privatização é prioridade.

O conselho de administração da BRF realizou um empréstimo com o Banco do Brasil em 14 de novembro. Esse valor (US$ 55 milhões) corresponde a um empréstimo de curto prazo, com custo fixo de 4,67% ao ano.

A Eletrobras remarcou o leilão da Amazonas Energia, uma vez que o Senado rejeitou o projeto de lei que influencia diretamente na solução dos passivos da distribuidora. O leilão acontecerá no dia 10 de dezembro, às 17h.

O conselho da controladora da Riachuelo, Guararapes, aprovou transformar Midway em banco múltiplo; A Minerva confirmou o pedido da oferta pública inicial de ações (IPO) da Athena Foods no mercado chileno e, a International Meal Company endereçou uma carta à Sapore para entender o porque a empresa decidiu fazer uma oferta para parte de suas ações.

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Após o feriado de ontem, hoje o dia também será marcado pela menor liquidez para as negociações, já que as Bolsas norte-americanas encerram mais cedo para que eles possam aproveitar o Black Friday. Enquanto isso, a cautela prevalece ao redor do mundo com mais quedas do petróleo e Bolsas asiáticas.

Por aqui, seguimos de olho nas nomeações, como o Rubem Novaes para o Banco do Brasil e Pedro Guimarães na Caixa. Dois nomes que reforçam o viés liberal do novo governo. Além disso, Ricardo Vélez Rodrígues foi anunciado como o novo ministro da Educação.

Glenda Ferreira – Economista e bacharel em Relações Internacionais pela Facamp, tem experiência em planejamento financeiro. Atualmente é Especialista em Investimentos na Levante Ideias de Investimentos.


Sobre o autor