Política

Moro abre mão de sigilo do inquérito e depoimento pode ser divulgado na íntegra

Por Bruna Santos
05 maio 2020 - 07:32 | Atualizado em 05 maio 2020 - 11:46

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, dispensou o sigilo do inquérito em curso sobre as acusações feitas ao presidente da República, Jair Bolsonaro, na data em que também renunciou ao cargo.

Para isso, sua defesa apresentou na véspera (4) uma petição ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello.

De acordo com a petição assinada pelo advogado de Moro, Rodrigo Sanchez Rios, mas também de outros quatro defensores, o pedido tem como propósito evitar “interpretações dissociadas de todo o contexto das declarações”.

Assim, o documento defende a garantia do “direito constitucional de informação integral dos fatos relevantes – todos eles de interesse público”. Agora, cabe ao ministro do Supremo decidir sobre o fim do sigilo do inquérito.

Se confirmado, o depoimento prestado pelo ex-ministro se tornará integralmente público, assim como os atos praticados nestes autos. No sábado passado, o também ex-juiz da Lava Jato prestou depoimento à Polícia Federal por quase nove horas sobre as acusações.

Moro teria citado três ministros do governo como testemunhas, publicou o Valor Econômico. Segundo o portal, fontes que acompanharam a diligência afirmaram que o ex-ministro os citou por terem presenciado a pressão e tentativa de intervenção de Bolsonaro.

São eles: Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), Augusto Heleno Ribeiro Pereira (Gabinete de Segurança Institucional da Presidência) e Walter Souza Braga Netto (Casa Civil).

Por fim, com a iminente quebra de sigilo do inquérito, a crise política pode ser acentuada.

Trecho da petição que pede o fim do sigilo do inquérito

“[…] Considerando que a imprensa, no exercício do seu legítimo e democrático papel de informar a sociedade, vem divulgando trechos isolados do depoimento prestado pelo Requerente em data de 02 de maio de 2020, esta Defesa, com intuito de evitar interpretações dissociadas de todo o contexto das declarações e garantindo o direito constitucional de informação integral dos fatos relevantes – todos eles de interesse público – objeto do presente Inquérito, não se opõe à publicidade dos atos praticados nestes autos, inclusive no tocante ao teor”, dizem os advogados.

A petição foi assinada pelo advogado Rodrigo Sanchez Rios, defensor de Moro no inquérito.

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