HomeMercados

Mercados reagem a calendário econômico e expectativa pela assinatura do acordo comercial

Por Bruna Santos
14 janeiro 2020 - 09:42

Enquanto se preparam para a assinatura da Fase 1 do acordo comercial, Estados Unidos e China concordaram em estabelecer negociações semestrais para pressionar por reformas econômicas e resolver disputas, segundo publicou o Valor Econômico.

O governo americano declarou que o esforço será liderado especialmente pelo secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, e pelo vice-primeiro-ministro chinês, Liu He.

No Brasil, o ministro da Economia, Paulo Guedes, deve acenar para uma elevação no valor do salário mínimo de 2020.

Alvo de críticas, a mudança foi tema da reunião do ministro junto a sua equipe na volta ao trabalho.

O custo adicional deve ficar entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões e vai garantir a recomposição da inflação do ano passado.

Entre os destaques corporativos, a Eletrobras (ELET3ELET5ELET6) concluiu a venda de 49% da Centroeste para a Cemig (CMIG4).

A operação, segundo comunicado enviado ao mercado, foi avaliada em R$ 44,7 milhões.

Homologada em janeiro de 2019 e recebido o aval do Cade em abril do mesmo ano, a compra de metade da Centroeste pela estatal elétrica mineira representa uma das iniciativas vinculadas ao Plano Diretor de Negócios e Gestão.

Assim, conclui-se 100% das alienações das Sociedades de Propósito Específico (SPEs) vendidas ainda em setembro do ano passado.

Leia mais sobre a Eletrobras.

Na B3, o número de investidores ativos chegou a 1,690 milhão em dezembro, +102,4% no ano e +4,6% no mês.

Em contrapartida, o número de empresas listadas ficou em 391, -3,7% e +0,3% na mesma base de comparação.

De acordo com o Valor Investe, o volume financeiro médio diário negociado na B3 no segmento de ações subiu 57,1% em dezembro na comparação anual com 2018, para R$ 22,920 bilhões.

Ante a novembro, o segmento que contempla o mercado à vista e derivativos sobre ações subiu 17,3%.

Balança comercial tem superávit na 2ª semana de janeiro; confira mais destaques econômicos

A balança comercial brasileira teve um superávit de US$ 14 milhões na segunda semana de janeiro (dias 6 a 12).

De acordo com dados divulgados na véspera (13) pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia, o valor foi é uma média de US$ 3,458 bilhões contabilizados em exportação e US$ 3,444 bilhões em importação.

Entre 1 e 5 de janeiro, a balança comercial vendeu US$ 2,893 bilhões e comprou US$ 1,129 bilhão, chegando ao superávit de US$ 1,764 bilhão para a primeira semana de 2020.

Assim, o superávit acumulado em janeiro é de US$ 1,778 bilhão (US$ 6,351 bilhões exportados e US$ 4,573 bilhões importados).

Para 2020, a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) projetam recorde para o setor, com crescimento de ao menos 10% em volume de receita.

Na ponta do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) subiu 0,78% na primeira quadrissemana de janeiro, desacelerando em relação ao aumento de 0,94% observado em dezembro.

Em recente relatório Focus do Banco Central foi declarada a redução da mediana de inflação oficial em 2020, de 3,60% para 3,58%. Para o próximo ano, o ponto-médio das expectativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi mantido em 3,75%.

Para esta terça-feira, os destaques locais se dividem entre o IBC-Br e o crescimento do setor de serviços de novembro.

Nos Estados Unidos, além da expectativa sobre a assinatura da Fase 1 do acordo comercial sino-americano, o Departamento do Tesouro americano informou que o déficit orçamentário local aumentou em 2019, mas não tanto quanto em 2018.

Desse modo, o déficit federal alcançou US$ 1,02 trilhão nos 12 meses encerrados em dezembro, conforme mostram dados do Tesouro.

As exportações chinesas avançaram 0,5% em 2019, o ritmo mais lento em três anos.

Economia brasileira registra a menor taxa de crescimento desde 1900

A economia brasileira viveu sua pior década em mais de cem anos ao registrar menor taxa de crescimento desde 1900.

Em entrevista ao Estadão, o economista Roberto Macedo, da Universidade de São Paulo, afirmou que os resultados são alarmantes.

De acordo com o ex-secretário de Política Econômica, que também presidiu o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), os dados a seguir consideram que cada década se inicia nos anos terminados em zero e vai até os anos que terminam em nove.

Assim, a soma de todas as riquezas produzidas no País cresceu 1,39% ao ano na última década.

“A década de 2010 (a 2019) foi a pior para o crescimento do PIB entre as 12 analisadas”, afirmou ele.

Para o especialista Macedo, a crise fiscal foi o principal fator que levou o País à recessão, iniciada no 2T14. Essa crise só veio a terminar no quarto trimestre de 2016.

Desde então, a recuperação tem sido lenta, com avanços do PIB que não saem da casa de 1%.

Até então, o pior resultado anual era de 1,75%, registrado nos anos 90, período marcado por fortes crises externas.

Além disso, diversos planos fracassados de estabilização derrubou o desempenho médio do PIB ao longo de cada ano da década.

Na década que corresponde o período entre 2000 e 2009, o desempenho médio anual da economia brasileira foi de 3,39%.

Por fim, o Serviço de Estudos da MAPFRE projetou um crescimento do PIB para 2020 de 2%.

Com a continuidade da desaceleração da economia mundial em 2019, as projeções são moderadas, com taxa média de 3,1%.

Em contrapartida, a pesquisa aponta que a economia retomará o caminho ascendente até chegar perto de seu potencial global de 3,4% no ano que vem, apoiada nas políticas monetárias e fiscais implementadas a nível mundial.

Investimentos no Brasil contraem 1% em novembro

Embora haja diversos indicadores mostrando o aquecimento do investidor local, os investimentos no Brasil contraíram 1% em novembro frente a outubro, conforme dados apontados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Segundo a Agência Brasil, a queda no indicador foi puxada pela redução de 4% nos investimentos de máquinas e equipamentos.

Na construção civil, por outro lado, houve um avanço singelo de 0,5% e, no segmento outros ativos fixos, de 0,4%.

Em 2018, parte desses segmentos avançaram 0,6% (construção civil) e 3,9% (outros ativos fixos), Máquinas e equipamentos contraíram 6,7%.

Além disso, na comparação anual com 2018, o FBCF, calculado pelo investimento efetuado em máquinas e equipamentos, construção civil e outros ativos fixos, recuou 1,8%.

No acumulado em 12 meses, os investimentos desaceleraram, com a taxa de crescimento passando de 2,6% até outubro para 2,1% até novembro.

De acordo com o Indicador Ipea Mensal de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), medidor dos investimentos em aumento da capacidade produtiva da economia, assim como na reposição da depreciação do seu estoque de capital fixo, a comparação engloba aqueles números que são dessazonalizados.

Desse modo, determinados fatores de épocas do respectivo ano na economia não é considerada, viabilizando a comparação dos resultados de meses distintos.

Em contrapartida, a queda dos investimentos no Brasil foi menor do que o observado de setembro para outubro de 2019.

Nessa referida série houve ajuste sazonal para redução de 2,2% no FBCF.

Apesar disso, a B3 indicou que o volume financeiro médio diário do segmento de ações movimentou R$ 22,9 bilhões.

O montante foi contabilizado em dezembro, representa um avanço de 57,1% na base anual e mostra o apetite do investidor.

Atrelado a isso, o J.P. Morgan classificou o mercado brasileiro como um dos melhores para se investir em ações na América Latina.

Instituições financeiras do Brasil são reunidas em site do BC

Com o propósito de “garantir mais transparência, acessibilidade e comparabilidade às demonstrações divulgadas”, o Banco Central (BC) lançou na véspera (12) um site com dados de todas as instituições financeiras do país autorizadas pela autoridade monetária.

Essa Central de Demonstrações Financeiras do Sistema Financeiro Nacional (CDSFN) incluirá o balanço patrimonial, demonstração das mutações do patrimônio líquido, demonstração do resultado do exercício, demonstração dos fluxos de caixa e demonstração do resultado abrangente das instituições financeiras cadastradas.

As demonstrações financeiras (anuais, semestrais e intermediarias) são encaminhadas ao Banco Central de forma individual e consolidada.

Além disso, esses documentos são acompanhados das respectivas notas explicativas, do relatório da auditoria independente e do relatório da administração.

Para ter acesso aos documentos mencionados das instituições financeiras basta clicar aqui.


Sobre o autor