HomeMercados

Mercados operam na última semana completa de 2019; conferência do clima e mais destaques

Por Bruna Santos
16 dezembro 2019 - 09:50
1º pregão do ano

O Congresso Nacional caminha para uma semana mais calma em sua agenda de resoluções, às vésperas do recesso parlamentar.

Destaque para a votação final do projeto do novo marco do saneamento básico, bem como a votação do Orçamento federal.

Além disso, a Câmara pode votar a PEC 391/17, proposta que aumenta o repasse da União aos municípios por meio do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

No âmbito global, a última semana completa de negociações do ano parece ainda mais emocionante, em meio a uma montanha-russa comercial que ainda não terminou, nem mesmo após a primeira fase do acordo entre Estados Unidos e China ser celebrada.

Com a vitória esmagadora do Partido Conservador do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, que levou 364 cadeiras das 650 disponíveis no Parlamento britânico, há mais expectativa pela continuidade do processo do Brexit.

Atrelado a isso, o anúncio da política do Banco da Inglaterra na quinta-feira (19) pode dar aos investidores mais clareza sobre sua visão da economia.

Em paralelo, declarações de funcionários do Federal Reserve e atualizações sobre a economia norte-americana através do PIB completam o calendário.

 

Apesar do otimismo, a semana já inicia com o tom de festas e menor liquidez nas negociações. Afinal de contas, ninguém quer sair tão exposto para os feriados de fim de ano e já começa a deixar os planos e compras para o próximo ano. Ontem, a rodada de tarifas foi cancelada e o próximo passo é que os EUA, reduza as tarifas já implementadas. Pelo lado dos chineses, é necessário aumentar as compras de produtos agrícolas dos EUA, mas também deverá aumentar a proteção aos direitos de propriedade intelectual. Com isso, a esperança de que um acordo será assinado em breve são mantidas. Porém, vale também ficar de olho na atividade do dragão chinês, que está mais forte do que nunca (e que, inclusive, pode deixar a China com maior poder de barganha daqui para frente). A produção industrial acelerou de 4,7 por cento para 6,5 por cento em novembro (acima dos esperados 5 por cento), além das vendas no varejo que subiram de 7,2 para 8 por cento.

Por aqui, teremos uma semana cheia de dados para serem divulgados, em dia de vencimento de opções, a volatilidade deve tomar conta. Amanhã, a ata referente à decisão de cortar a Selic em 0,5 por cento será conhecida, bem como quaisquer sinais de como será conduzida a taxa de juros daqui em diante. No mesmo dia, espera-se a votação no Congresso Nacional do Orçamento de 2020.

Por Glenda Ferreira – Especialista em Investimentos na Levante Ideias de Investimentos

 

Confira a seguir mais do que você precisa saber para começar a operar nesta semana.

Calendário econômico: Boletim Focus, PMIs da zona do euro; produção industrial chinesa

A segunda metade do último mês de 2019 será marcada pelo calendário econômico nacional e globais, entre eles, as vendas de moradias na China.

O indicador avançou 10,7% nos 11 primeiros meses do ano ante igual período de 2018, conforme dados do Escritório Nacional de Estatísticas (NBS, na sigla em inglês) do país.

De acordo com o Estadão, esse resultado revela leve desaceleração no setor imobiliário local, levando em consideração que, entre janeiro e outubro, o mesmo indicador acumulou ganho anual de 10,8%.

Além disso, o NBS revelou que a produção industrial chinesa subiu 6,2% em novembro frente igual mês do ano passado.

O resultado não apenas mostrou força em relação ao aumento de 4,7% verificado em outubro, mas também superou a expectativa de 15 analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam acréscimo de 5% para o indicador.

Também na China, as vendas no varejo cresceram 8% na comparação anual de novembro.

Com isso, o índice superou o ganho de 7,2% (outubro), assim como a projeção do mercado, de avanço de 7,6%.

Os investimentos em ativos fixos em áreas urbanas na região chinesa saltaram 5,2% na comparação anual entre janeiro e novembro.

Nos Estados Unidos, o calendário econômico desta semana engloba atualizações sobre produção industrial, habitação, sentimento do consumidor, renda e gastos pessoais, assim como um outro olhar sobre o PIB do terceiro trimestre.

Na zona do euro, a Alemanha divulga nesta segunda-feira (16) as leituras antecipadas dos PMIs para novembro.

Por aqui, os destaques são a publicação do tradicional Boletim Focus, pelo Banco Central, seguido do IPC-S bem como o IGP-10, ambos pela FGV.

“Jogo comercial”, dispara Bolsonaro sobre COP25

As negociações realizadas na cúpula do clima da ONU ou simplesmente COP25 são um “jogo comercial”, disparou o presidente Bolsonaro.

Segundo ele, o encontro, que terminou na véspera (15) sem avanços relevantes, não aconteceu por aqui por decisão sua.

“Estariam fazendo aqui um Carnaval no Brasil agora”, afirmou ele a jornalistas na porta do Palácio da Alvorada.

As negociações do encontro giraram em torno de metas climáticas e reuniu quase 200 países na capital espanhola, Madri.

Após estenderem a cúpula, iniciada há duas semanas, por 40 horas além do prazo oficial, os países reunidos chegaram a um consenso sobre um acordo final.

O documento, intitulado “Chile-Madri, hora de agir” responde aos pedidos urgentes da ciência e da sociedade civil pela intensificação e aceleramento das ações mundiais contra o aquecimento global.

O acordo final da COP25 estabelece compromissos mais ambiciosos para 2020 a fim de reduzir as emissões e enfrentar a emergência climática. Ademais, documento inclui “a imposição” de que a transição para um mundo sem emissões tem de ser justa e promover a criação de empregos.

Esse termo, contudo, foi admitido após um tenso debate com o Brasil, que inicialmente se recusou a reconhecer o papel que os oceanos e o uso da terra desempenham nas mudanças climáticas.

Segundo a Reuters, além do Brasil, China, EUA, Austrália e Arábia Saudita lideraram a resistência a uma ação mais ousada.

No Twitter, o ministro do Meio Ambiente do Brasil, Ricardo Salles, afirmou que a COP25 “não deu em nada”.

Países ricos não querem abrir seus mercados de crédito de carbono. Exigem medidas e apontam o dedo para o resto do mundo, sem cerimônia, mas na hora de colocar a mão no bolso, eles não querem”, escreveu ele em sua rede social.

Senado vota amanhã transferência do Coaf para o BC

A transferência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do Ministério da Economia para o Banco Central (BC) acontecerá amanhã (17), garantiu o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Para não caducar, este é o prazo limite para votar a MP 893/2019, assim como a última votação do Senado em 2019.

Antes, a MP foi aprovada na Câmara dos Deputados e Alcolumbre chegou a marcar a votação para o dia seguinte (12), mas precisou recuar por falta de quórum.

Em agosto, a MP foi editada pelo presidente Jair Bolsonaro que transformou o Coaf em Unidade de Inteligência Financeira (UIF).

A medida deu autonomia técnica e operacional e atuação em todo o território nacional.

O nome, contudo, foi mantido pelos deputados, que também deixaram a cargo do presidente do BC, Roberto Campos Neto, a responsabilidade de definir o novo presidente e os novos membros da diretoria do órgão.

Hoje, o Coaf atua na produção de informações com o propósito de prevenir e combater a lavagem de dinheiro.

De acordo com a MP que será votada amanhã, o Coaf terá atribuição de produzir e gerir informações para a prevenção e o combate ao financiamento do terrorismo, por exemplo.

Para tal, o órgão poderá aplicar penas administrativas a entidades do sistema financeiro que não contribuírem com o envio de dados necessários para esse trabalho de inteligência.

Alcolumbre falou ainda sobre os planos para o primeiro semestre de 2020, que incluem a reforma tributária como prioridade.

Segundo a Agência Senado, a intenção do presidente é instituir uma comissão especial composta por 15 deputados e 15 senadores com o propósito de chegar a um texto de conciliação entre Câmara, Senado e governo.

A manobra tem o apoio do ministro da Economia, Paulo Guedes, que tenta costurar uma proposta única em conjunto com os Estados.

Bolsonaro sobre veto a pena maior para crimes contra honra na web: “liberdade de imprensa”

Com o propósito de defender a “liberdade de imprensa”, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que pretende vetar parte do pacote anticrime aprovado pelo Senado na quarta-feira (11).

No domingo, ele disse que vai vetar o artigo que prevê uma pena três vezes maior para os crimes praticados na internet, entre eles a injúria, calúnia, difamação.

Em seu pronunciamento, Bolsonaro defendeu que a internet como um território livre e afirmou: “eu quero liberdade de imprensa”.

“Ninguém mais do que eu sou atacado na internet”, falou sobre o projeto formulado pelo ministro da Justiça, Sergio Moro.

O pacote, que ganhou uma nova versão aprovada pela Câmara dos Deputados, está pronto para ser sancionado pelo presidente Bolsonaro.

Esse projeto em questão adiciona um parágrafo ao artigo 141 do Código Penal que diz: “Se o crime é cometido ou divulgado em quaisquer modalidades das redes sociais da rede mundial de computadores, aplica-se em triplo a pena.”

Além disso, especula-se que Moro pode defender os vetos à criação do juiz de garantias e às alterações nas regras para a aplicação de prisão preventiva, conforme apurado pelo ‘Estado’.

Ambos os itens foram incluídos pelo grupo de trabalho da Câmara. Outro trecho que foi incluído e será analisado é o que modifica algumas regras de acordos de colaboração premiada.

Leia mais:

Calendário de indicadores econômicos e destaques políticos: o que acompanhar nesta semana

SulAmérica, Celpe e Neoenergia anunciam pagamento de juros sobre capital próprio


Sobre o autor