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Mercados operam na defensiva à espera de reunião Trump-Xi; sem Previdência, foco é em dados fiscais e de emprego

Por TradersClub
28 junho 2019 - 09:30

Hoje, os mercados globais operam com leve tendência de alta, mas com um movimento oscilante, à espera da reunião entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e seu colega chinês, Xi Jinping, que pode destravar – ou não – as negociações para acabar com a guerra comercial que já dura 15 meses. O ouro avançava, mantendo-se em um patamar alto como nos últimos dias, os futuros dos índices americanos registravam altas tímidas, assim como as bolsas europeias, e o rendimento dos Treasuries de dez anos avançavam 0,1 ponto-base, sinal de que o mercado acha que uma posição relativamente defensiva pode ser uma estratégia acertada em meio à incerteza global.

No Brasil, a sexta-feira deve ser mais devagar, já que a atividade parlamentar e a tramitação da Reforma da Previdência só devem ganhar velocidade com as negociações entre os líderes dos partidos, o governo e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, a partir de segunda-feira. O destaque no noticiário hoje é uma matéria do jornal O Estado de S. Paulo que diz que os chefes de Câmara e do Senado não sabem se o maior articulador político do governo, o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, ficará no cargo. Isso pesará no pregão? A conferir.

É importante estar atento, também, a novidades em relação à negociação para inclusão de Estados e municípios na Previdência. E nesses primeiros seis meses do ano que se encerram neste final se semana, diga-se, apesar dos sobressaltos políticos, o Ibovespa acumula alta de 14,61%, enquanto o dólar futuro negociado na B3 recuou 3,04% ante o real.

Hoje e ao longo deste final de semana, o investidor precisa ficar de olho se tanto os EUA quanto a China desejam e vão buscar um acordo equilibrado. A China acredita que o acordo deveria ter ganhos e responsabilidades equitativamente distribuídas, mas os americanos não pensam dessa forma. A razão disso são as transgressões às boas práticas do comércio que a China sistematicamente fez por anos. Ao mesmo tempo, o governo dos EUA deseja reduzir o déficit comercial com a China – que no ano passado beirou os US$420 bilhões e estava acima dos US$100 bilhões entre janeiro e abril.

Conforme noticiado por alguns veículos de imprensa na quinta-feira, Trump parece pouco disposto a levantar as restrições de venda de tecnologia norte-americana para a Huawei, assim como retirar todas as sobretaxas em vigor sobre as importações chinesas. Não ignore o potencial que Trump tem para causar mais ruído entre aliados e rivais: há meses que ele deseja estender sua ofensiva comercial à Europa e ao Japão.

O investidor deve estar atento, hoje, aos números do setor público consolidados de maio do Brasil, que devem mostrar déficit primário estável na base anual, mas dívida bruta crescente. Os números de emprego da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, a PNAD, do IBGE, também serão divulgados – espera-se uma recuperação lenta nos indicadores do mercado de trabalho. Mundo afora, fique de olho nos dados de PIB do Reino Unido, assim como de renda e gastos pessoais dos EUA.


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