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Mercado vê Selic estável hoje, mas espera sinais de cortes nos próximos meses

Por TradersClub
19 junho 2019 - 10:32
ata dura

Com os contratos futuros de juros embutindo um ou mais cortes na taxa básica Selic até os 6,00% até o fim deste ano – sendo o primeiro no terceiro trimestre -, um maior número de investidores acha que o Banco Central vai mudar a linguagem da sua decisão de política monetária hoje para abrir espaço para mais uma rodada de afrouxamento monetário.

De acordo com economistas consultados pela TC News, com mais bancos centrais reduzindo ou indicando que reduzirão seus juros básicos, vai ficar difícil para o BC brasileiro manter a taxa Selic nos 6,50% atuais – pois promoveria, de forma passiva, um aperto monetário. A economia está mostrando cada vez mais evidências de fraqueza e o canal de transmissão de uma disparada do dólar, por exemplo, teria menos efeito sobre a inflação no momento.

A Selic deve ser mantida hoje pela décima reunião consecutiva, de acordo com sete economistas e gestores. Porém, todos concordam que o BC deve mudar o discurso, não só pelo fato de o Brasil estar em um processo claro de desaceleração, mas porque é cada vez mais provável que a aprovação da Reforma da Previdência na Câmara seja consumada em algum momento em julho. O contrato do DI com vencimento em outubro já precifica um corte de 25 pontos-base, e o de dezembro também – ficando a Selic em 6,00%. O DI para janeiro de 2021 precifica estabilidade da Selic no ano que vem.

 “Como achamos que o BC está um pouco atrasado e só está segurando a redução da Selic por conta da reforma, ele teria que mudar o discurso agora, para na próxima reunião poder cortar. A Selic não poderia cair sem antes mudar o discurso,” diz Marília Fontes, analista e sócia fundadora da Nord Research.

Outro elemento que conta é o cenário internacional. Nas últimas semanas, as apostas para cortes de juros nos Estados Unidos também se intensificaram: nos mercados futuros, agora são esperadas até três reduções na taxa Fed Funds, ante projeção de duas altas no começo do ano. O motivo? Como no Brasil, indicadores de atividade econômica mais fracos do que o esperado, com o agravante da prolongação da guerra comercial entre os EUA e a China.

Menores juros nos EUA, na Europa ou na Ásia dão mais espaço para o BC brasileiro cortar a Selic. Mas, como colocam economistas como Tony Volpon, do UBS, e José Francisco de Lima, do Banco Fator, a influência externa sobre o Copom será limitada na ausência de evidências claras de que a aprovação da Reforma da Previdência é um fato. “O medo que o BC tem é que, não aprovando a reforma, ele perca a credibilidade e seja obrigado a subir a Selic,” disse Fontes, da Nord.


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