Mercados

Mercado de petróleo contrai com escalada de tensões EUA-China e notícias da Rússia

Por Bruna Santos
27 maio 2020 - 17:08 | Atualizado em 27 maio 2020 - 17:49

Depois de um dia de alta expressiva, o mercado de petróleo recuou diante do possível agravamento das tensões entre Estados Unidos e China.

O clima entre as duas potências mundiais tem piorado por causa dos planos do país asiático para uma nova lei de segurança nacional em Hong Kong.

Ademais, a notícia envolvendo os sinais mistos da Rússia sobre os cortes na produção abalaram o mercado, tanto em Nova York quanto em Londres.

Os contratos futuros do WTI para julho terminaram o dia com recuo de 4,48%, cotados a US$ 32,81/barril na Nymex. Assim também, os preços da referência global do Brent para entrega no mesmo mês caíram 3,95%, a US$ 34,74/barril na ICE, em Londres.

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De acordo com o Valor Econômico, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, determinou oficialmente que Hong Kong não é mais autônoma da China. Essa decisão pode comprometer os laços econômicos e levar a sanções contra Pequim.

Faltando duas semanas para uma reunião considerada crucial da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados (Opep+), Rússia e Arábia Saudita, os dois principais líderes do grupo, concordaram em seguir colaborando para discutir melhores formas de equilibrar o mercado, afetado pela pandemia de Covid-19.

Antes disso, contudo, Moscou teria dado indícios de que reduziria as restrições do acordo, conforme a publicação da agência de notícias “Bloomberg”. Um porta-voz do Kremlin, por sua vez, afirmou que a Rússia analisaria o mercado de petróleo antes de tomar uma decisão sobre o pacto.

Posteriormente, o presidente russo, Vladimir Putin, e o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, conversaram. “Ambas as partes destacaram a importância dos esforços conjuntos para atingir em abril os acordos da Opep+ para reduzir a produção de petróleo. Eles concordaram em continuar em estreita cooperação sobre esta questão através dos ministérios de energia”, disse o governo russo em nota.

A Opep+ se reunirá virtualmente entre 9 e 10 de junho e a expectativa é que as atenções dos mercados se voltem para o encontro. Nesse sentido, especula-se que o grupo estenda os cortes da produção acordado anteriormente.

Diante da expectativa de que a demanda continue se recuperando nas próximas semanas e meses, conforme as economias globais são reabertas, o chefe de estratégia de commodities do ING, Warren Patterson acredita que a Rússia pode ficar “mais relutante em tomar medidas adicionais do que o que já foi acordado”.


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