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Lucro da Ambev (ABEV3) desaba 55,9% devido a um EBITDA menor e despesas financeiras maiores

Por Bruna Santos
08 maio 2020 - 16:00 | Atualizado em 08 maio 2020 - 16:53
Ambev (ABEV3)

A pandemia do novo coronavírus impactou drasticamente o lucro da Ambev, especialmente a partir do mês de março – quando o isolamento social ganhou força. De acordo com o press release divulgado na véspera pela empresa, o montante líquido contabilizado foi de R$ 1,211 bilhão.

Já o lucro líquido ajustado, que exclui itens extraordinários, foi de R$ 1,227 bilhão (-55,6% A/A). No último trimestre de 2019, a subsidiária latino-americana da Anheuser Busch InBev havia reportado um lucro líquido ajustado de R$ 4,63 bilhões.

Considerada a maior fabricante de cerveja e refrigerantes da América Latina, esse é apenas o primeiro mostruário dos efeitos da Covid-19. Diante da retração de 27% no volume global de vendas na comparação anual de abril, a cervejaria prevê que o segundo trimestre será difícil.

Além as medidas restritivas para a circulação de pessoas, alguns países, como o Panamá, chegaram a banir o consumo de álcool nesse período. No Brasil, o segundo maior mercado da empresa, a receita chegou a cair 11,5% no trimestre em decorrência do fechamento de bares e restaurantes.

Em contrapartida, a fabricante com sede na Bélgica disse que houve primeiros sinais de recuperação tanto na China, quanto na Coreia do Sul. Nesses locais, alguns serviços como os restaurantes começaram a reabrir em meados de março.

Na China, por exemplo, o volume de bebidas contraiu 46,5% em janeiro-março, mas a queda foi menos acentuada em abril (-17%).

Perspectiva para o lucro da Ambev no segundo trimestre

Mesmo assim, o presidente da Ambev, Jean Jereissati afirmou em teleconferência para analistas que “o segundo trimestre vai ser mais difícil que o primeiro”. “Hoje não vejo como compensar a queda de vendas causada pela Covid-19”, afirmou ele.

Ademais, a despesa com vendas, geral e administrativa avançou aproximadamente 9,3% com pressão inflacionária na Argentina e gastos de marketing para o Carnaval no Brasil.

Assim também, a pressão de custos de matérias-primas e perdas com variação cambial já acenavam para um primeiro trimestre atribulado.

O desempenho operacional medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) alcançou R$ 4.232,5 milhões. Esse montante representa uma redução orgânica de 18,1%, com margem bruta de 55,2% (-450 pontos-base) e margem EBITDA de 33,6% (-680 pontos-base).

Por fim, o fluxo de caixa das atividades operacionais foi de R$ 1.544,1 milhões (-25,8%) e os investimentos em CAPEX, R$ 1.346,3 milhões (+146,6%).

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