HomeMercados

Leilão da cessão onerosa; saque do FGTS ampliado; posse/porte de armas e outros destaques

Por Bruna Santos
06 novembro 2019 - 09:57

O governo entregou ao Congresso o que está sendo chamado de “agenda de transformação” pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

Essa agenda prevê o fim de municípios com até 5 mil habitantes e a proibição de novos concursos públicos, assim como o congelamento do reajuste do salário mínimo acima da inflação por um período de dois anos.

Além disso, o governo pode lançar ainda um modelo de contratação com uma multa do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) menor. Ontem (5), a comissão mista que discute a Medida Provisória (MP) 889/2019, que trata da liberação de recursos do FGTS, ampliou os valores que podem ser retirados pelos cotistas (de R$ 500 para um salário mínimo (R$ 998).

A Câmara dos Deputados retirou na véspera toda a parte que facilitava a posse e o porte de armas do projeto enviado pelo governo de Jair Bolsonaro, uma de suas promessas de campanha, a fim de flexibilizar o Estatuto do Desarmamento.

O texto ficou restrito à regulamentação das regras para as atividades de atiradores esportivos, caçadores e colecionadores.

A matéria será apreciada pelo Senado. O deputado capitão Alberto Neto (PRB-AM), aliado do governo, acredita que Bolsonaro saiu derrotado.

“Que acordo foi esse, se a oposição está comemorando? É questão ideológica, jogar para a frente não vai resolver”, disse.

Nesta quarta-feira (6) acontece o tão aguardado leilão de quatro áreas em águas profundas conhecidas como reservas de cessão onerosa.

Estabelecidas no coração do pré-sal, o governo espera arrecadar, aproximadamente, R$ 106 bilhões com a operação, que começa às 10h.

Há grandes chances de que essa seja a maior venda em termos financeiros de campos de petróleo já realizada.

Confira a seguir mais destaques.

Leilão da cessão onerosa começa hoje

Para participar do leilão da cessão onerosa, as empresas interessadas devem oferecer à União fatias iguais ou superiores aos percentuais mínimos de óleo-lucro de 26,23% (bloco de Atapu), 23,24% (Búzios), 18,15% (Itapu) e 27,88% (Sépia).

Caso o total de áreas oferecidas sejam arrematadas, a rodada terá uma arrecadação de bônus de assinatura mais que 11 vezes maior que os R$ 8,9 bilhões obtidos na 16ª Rodada de Concessão, realizada em outubro.

Embora duas petrolíferas de grande porte tenham desistido do certame, outras doze empresas se habilitaram para participar do leilão.

São elas: Petrobras, Chevron (EUA), CNODC (China), CNOOC (China), Ecopetrol (Colômbia), Equinor (Noruega), ExxonMobil (EUA), Petrogal (Portugal), Petronas (Malásia), QPI (Catar), Shell (Reino Unido) e Wintershall Dea (Alemanha).

Se, por outro lado, alguma das quatro áreas não forem leiloadas, o governo pode realizar um novo leilão em 2020.

Segundo o Valor Econômico, o leilão da cessão onerosa vai testar a confiança dos gestores e investidores na Petrobras na Bolsa de Valores.

Em paralelo, é consenso que o certame tem potencial para reforçar o cenário positivo para a companhia no médio prazo.

Os campos de interesse da estatal custam, em média, R$ 70 bilhões, que deverão ser pagos ao Tesouro até 26/06/2020.

O dia não tem uma direção clara lá fora, depois de tantas comemorações com a possível trégua na guerra comercial, mas que ainda tem poucos efeitos práticos, os investidores optam por monitorar agora todos os sinais com mais clareza. Enquanto isso, o Congresso dos EUA pretende aprovar um orçamento de 100 bilhões de dólares para financiar pesquisas em inteligência artificial (IA) nos próximos cinco anos. Não deixa de ser mais uma tentativa de ultrapassar as pesquisas chinesas. Porém, que ainda está muito atrás. Só a prefeitura de Xangai tem 15 bilhões de dólares para projetos de IA nos próximos 10 anos e os EUA tem 1 bilhão por ano.

O grande destaque do dia por aqui é o megaleilão da cessão onerosa, que deverá ser a maior do mundo e gerar financiamento aos cofres da União. A expectativa é grande e um sinal de alerta foi acendido depois que algumas petrolíferas estrangeiras desistiram de participar. Vale então ficar de olho em qual será a atuação da Petrobras. Mas ainda assim, deverá movimentar um bom valor hoje, que deve gerar ao governo 106,5 bilhões de reais e que ainda poderá fazer com que o país fique com o menor déficit nas contas públicas desde 2014.

Por Glenda Ferreira – Especialista em Investimentos na Levante Ideias de Investimentos

Balanços corporativos, discursos do Fed, PMI da zona do euro e encomendas à indústria alemã

Após uma terça-feira recheada de resultados corporativos significativos, hoje é dia de Banco Inter (BIDI11), Totvs (TOTS3) e Carrefour (CRFB3).

Também durante o dia o investidor vai acompanhar os balanços da Ultrapar (UGPA3), Braskem (BRKM5) Iochpe-Maxion (MYPK3), Aliansce (ALSO3), Banco ABC (ABCB4), IRB (IRBR3) e Grupo Notre Dame Intermédica (GNDI3).

Os investidores monitoram ainda os discursos do presidente do Fed de Chicago, Charles Evans; de Nova York, John Williams; e da Filadélfia, Patrick Harker.

Na Europa, o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) composto da zona do euro, saiu do menor nível desde junho de 2013 (50,1 em setembro) para 50,6 em outubro.

Com isso, o índice que engloba os setores industrial e de serviços mostra força, após ficar próximo da estagnação, segundo a IHS Markit.

Segundo dados da agência de estatísticas da Alemanha, Destatis, as encomendas à indústria local subiram 1,3% em setembro ante agosto.

O resultado supera em muito a previsão de analistas consultados pelo The Wall Street Journal (que previam +0,1% nas encomendas).

Menor despacho de térmicas derruba lucro da Eneva em quase 49% no 3T19

O lucro da Eneva (ENEV3) contraiu 48,9% no 3º trimestre de 2019, segundo a publicação de suas Informações Financeiras Trimestrais.

Foram R$ 89,8 milhões de lucro líquido sob o impacto de um menor acionamento das usinas térmicas, segundo a elétrica.

A companhia contabilizou ainda um EBITDA ajustado de R$ 346,8 milhões, ou 30,9% abaixo do desempenho obtido anteriormente no 3T18.

De acordo com a Eneva, a redução de 23% no volume de energia líquida gerada, assim como a queda nos preços das commodities que indexam a receita variável na geração impactou o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização.

No 3T19, o fluxo de caixa operacional totalizou R$ 334,9 milhões, impactado pela aceleração no despacho em julho, que aumentou o saldo de contas a receber e os tributos a pagar.

Por outro lado, o fluxo de caixa de atividades de investimento negativou em R$ 286,7 milhões.

Conforme publicado, os desembolsos no trimestre relacionados à construção de Parnaíba V (R$ 94,1 milhões) e Azulão-Jaguatirica (R$ 130,7 milhões), afetaram o caixa.

Em contrapartida, foram investidos R$ 359,8 milhões no trimestre, um avanço de 682,5% na comparação com o trimestre de 2018.

Seguindo o mesmo caminho de contração do lucro da Eneva, a receita operacional líquida ficou em R$ 858,3 milhões (-23,5%).

Sua teleconferência de resultados acontece na manhã desta quarta-feira, a partir das 11h do horário de Brasília.

Lucro da Engie no Brasil dispara 56% no 3T19

O lucro da Engie Brasil Energia (EGIE3) fechou o terceiro trimestre de 2019 com lucro de R$ 742,7 milhões (+56).

Conforme release de resultados, a unidade da francesa Engie destacou a aquisição da empresa de gasodutos TAG como um impulsionador.

Junto à Petrobras (PETR4), a Engie Brasil comprou a TAG por R$ 8,6 bilhões por um consórcio, e agregou, aproximadamente, R$ 21 milhões aos resultados do trimestre.

Ademais, a indenização recebida de um fornecedor após atraso em sua usina Pampa Sul também impactou o lucro da Engie.

Foram R$ 321 milhões em função do descumprimento de condições contratuais pela fornecedora responsável pela construção da termelétrica a carvão, uma vez que o atraso das obras impactou a receita.

Líder em geração de energia no Brasil, a subsidiária da Engie teve lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de R$ 1,58 bilhão (+55,1% frente a 2018).

Por outro lado, a receita operacional líquida da Engie avançou de forma mais singela (+0,2%) e totalizou R$ 2,49 bilhões.

Sua produção bruta de energia cresceu 17,8% frente ao 3T18. A energia vendida, por sua vez, saltou 10,3%.

Outro índice destacado pela companhia é que seu preço líquido médio de venda avançou 4%.

Falando sobre a dívida bruta, a elétrica encerrou o trimestre em R$ 13,2 bilhões (+0,2% ante o final de junho).

Em contrapartida, a dívida líquida da Engie Brasil encerrou o período com recuo de 1,2% ante 2018, em 11,37 bilhões.

Com isso, a elétrica apresentou uma alavancagem de 2,3 vezes relação entre dívida líquida e geração de caixa.

Engie Brasil aprova distribuição de 100% de dividendos intercalares

A Engie Brasil (EGIE3) divulgou mais que seu balanço do 3T19, mas também a distribuição de 100% de dividendos intercalares.

Segundo a publicação oficial da elétrica, seu conselho de administração aprovou na véspera (5) essa distribuição de proventos aos acionistas.

No total, foram aprovados a distribuição de R$ 893,4 milhões sob a forma de dividendos intercalares (R$ 1,0949497919/ação).

O montante equivale a 100% do lucro líquido distribuível apurado no primeiro semestre de 2019 e será pago ao acionista que detiver o papel em carteira no fechamento do pregão de 2/12.

Adicionalmente, a Engie aprovou crédito de R$ 354,0 milhões (R$ 0,4338619496/ação) sob a forma de juros sobre o capital próprio.

O pagamento do JPC no portfólio no encerramento de 2 de dezembro também se refere ao exercício deste ano.

O valor líquido, descontado o imposto de renda de 15%, será de R$ 0,36878265716 por papel.

De acordo com a elétrica, as ações ficarão ex-dividendos e ex-juros sobre o capital próprio a partir de 3/12/2019.

A Engie entregará R$ 1,46373244906 totais líquidos por papel, yield de 3,2% do valor de fechamento de ontem (R$ 45,97).

Não há ainda uma data para o pagamento, que será definida posteriormente pela Diretoria-Executiva.


Sobre o autor