Política

“Lamento que o fim da carreira de Moro tenha sido dessa forma”, diz Bolsonaro

Por Bruna Santos
20 maio 2020 - 08:02 | Atualizado em 20 maio 2020 - 11:35

Perguntado se considerava o ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, como um “Judas”, o presidente Jair Bolsonaro lamentou que “o final da carreira dele tenha sido assim”. Ele não quis polemizar, segundo o próprio, portanto, comentou pouco sobre o assunto.

Bolsonaro falou ainda em entrevista concedida ao blogueiro Magno Martins sobre o vídeo da reunião ministerial citado por Moro em seu depoimento.

Assim, o presidente voltou a dizer que não tinha obrigação de encaminhar o material audiovisual, por não se tratar de uma norma prevista em lei. A entrega foi espontânea, a fim de evitar quaisquer teorias sobre sua motivação, uma vez que a destruição do material estava prevista – como de praxe.

Quanto a liberação do conteúdo na íntegra, conforme solicitado pela defesa de Moro, Bolsonaro disse ter pedido apenas que as partes sensíveis não fossem divulgadas. O vídeo é considerado hoje uma peça-chave no inquérito que investiga uma suposta tentativa de interferência de Bolsonaro na Polícia Federal.

O Chefe de Estado, por sua vez, afirmou que o novo diretor-geral da Polícia Federal, Rolando Alexandre de Souza, “tem carta branca para trabalhar”.

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF) assistiu à íntegra da gravação e, de acordo com o Supremo, trabalha na decisão sobre o levantamento do sigilo – parcial ou total. Nesse sentido, a expectativa é que a decisão saia até o final de semana.

Na esteira dos comentários sobre a carreira de Moro, Bolsonaro citou a entrega de mensagens entre o ex-ministro e a deputada bolsonarista Carla Zambelli (PSL-SP).

Conforme o relato de Bolsonaro, após a coletiva na qual anunciou sua saída do governo, sem antes ter se demitido, Moro encaminhou as mensagens para “o William Bonner da Globo”.

“Ele vai ter que provar”

Sobre a acusação foi feita pelo suplente de Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), o empresário Paulo Marinho, de que o filho do presidente soube antecipadamente que uma operação da PF implicaria seu ex-assessor Fabrício Queiroz, Bolsonaro foi categórico: “vai ter que provar”.


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