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Juros futuros recuam após mensagem mais dócil do Copom; tensão externa abala dólar o Ibovespa futuro

Por TradersClub
09 maio 2019 - 10:06

Os juros futuros abriram em queda na manhã desta quinta-feira, refletindo a leitura do comunicado da decisão de política monetária do Banco Central na véspera, que para alguns sinalizou um possível corte de juros nos próximos meses se a desaceleração econômica no Brasils e tornar ainda mais pronunciada.

O DI com vencimento em janeiro de 2020 mergulhou mais de 3 pontos-base para 6,405%, reforçando o comunicado de ontem do BC, em que manteve a taxa básica de juros Selic em 6,50% ao ano e reafirmou um viés de paciência e perseverança com a política monetária no futuro próximo. O dado do varejo bem abaixo do consenso fortaleceu os argumentos de vários investidores de que existe espaço para recuo na Selic por conta da atividade mais fraca e com pressão inflacionária de natureza temporária.

“Acreditamos que os riscos de baixa para a trajetória de inflação tendem a prevalecer, após a aprovação da reforma da Previdência, o que levará as autoridades a retomar a flexibilização monetária, mas não antes de setembro,” disse Mario Mesquita, economista-chefe do Itaú Unibanco.

Para alguns gestores, como Sérgio Machado, da SF2 Investimentos, o leilão do Tesouro Nacional de títulos prefixados pode atenuar a baixa na ponta curta e média da curva dos DIs. Já o câmbio sobe, em linha com a alta do dólar no exterior, na esteira de maior cautela diante das crescentes tensões comerciais na véspera do aumento, de 10% para 25%, das sobretaxas americanas em US$200 bilhões de importações chinesas. O governo da China deve retaliar, caso a alta aconteça.

Assim, o dólar futuro acelera a alta ante o real na B3 para 0,90%, cotado a R$3,970,  às 09h45 desta quinta-feira. O futuro do índice Ibovespa recua 0,72% e aponta a abertura perto dos 95.300 pontos – mesmo com as notícias mais alentadores quanto à tramitação da reforma da Previdência e os resultados de companhias como o Banco do Brasil e a Telefônica Brasil/Vivo acima do consenso.

O apetite por risco está sob forte pressão negativa, após o presidente americano Donald Trump afirmar que a China quebrou compromissos assumidos na negociação do acordo comercial entre os dois países e disse que “irá pagar por isso”. O movimento leva a uma queda das bolsas e das commodities mundo afora, alta do ouro, elevação do dólar e fechamento de taxa de juros nos países desenvolvidos, disse Dan Kawa, chefe de Investimentos da TAG Investimentos.

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