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Incêndio na Amazônia inflama relações internacionais; mercado aguarda discurso de Powell

Por Bruna Santos
23 agosto 2019 - 08:59

O mercado se prepara para o discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, em Jackson Hole.

Previsto para ter início às 11h (horário de Brasília), Powell pode trazer novas sinalizações sobre a política monetária norte-americana.

Além disso, ele pode tentar unificar o discurso do órgão diante de duras críticas oriundas do presidente Donald Trump.

Na Argentina, Alberto Fernández procurou tranquilizar o mercado financeiro.

“Não tem possibilidade de a Argentina cair em default se eu for o presidente”, disse o favorito na eleição presidencial.

Para ele, é preciso “buscar formas de cumprir os compromissos, sentar e negociar”.

O candidato fez aceno até para Bolsonaro, que defende a reeleição de Mauricio Macri.

“Foi um erro ser agressivo com Bolsonaro, me deixei levar, e por isso parei… o Brasil é muito mais importante para a Argentina que qualquer irritação minha com um presidente”.

Em recente entrevista, Fernández chamou Bolsonaro de misógino.

Por aqui, o destaque são os incêndios na Amazônia que segue provocando uma reação mundial.

Para o presidente da França, Emmanuel Macron, o problema deve ser classificado como uma “crise internacional” e que deverá ser discutido no G-7, neste final de semana.

Ademais, na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro havia descartado a possibilidade de retorno da CPMF com a reforma tributária.

Ontem, contudo, ele acenou para a possibilidade de encaminhar o tema para decisão do Congresso, caso a medida desburocratize muito.

“Vou ouvir a opinião dele [do ministro da Economia]. Se desburocratizar muita coisa, diminuir esse cipoal de impostos, essa burocracia enorme, estou disposto a conversar”, disse.

Guedes sinalizou a intenção de criar um imposto seguindo os moldes da extinta CPFM.

 

Flama de atenção

A aguardada fala de Jerome Powell, o presidente do banco central americano, acontece agora pela manhã em Jackson Hole. Será apenas um discurso lido, sem perguntas e respostas (para não o colocar em contradições), então a chance de deixar no ar quais serão os próximos passos é bem grande. Mesmo porque, parece que nem o próprio Fed chegou a um acordo final do que deve ser feito (três dirigentes já se manifestaram contra cortes de juros). Na balança ainda deve ser adicionada a possível reação de Trump, que poderá adotar políticas mais protecionistas em meio à guerra comercial sino-americana. Mais taxações, poderão ser uma pressão extra à atuação do Fed. Na dúvida, os mercados operam no campo positivo, porém muito sensíveis às interpretações.

O relator da reforma da Previdência, Tasso Jereissati (PSDB-CE), anunciou no fim da tarde de ontem o adiamento da apresentação do seu parecer, que estava marcado para hoje. Por enquanto, ainda não há nova data prevista. Já tínhamos comentado que temas polêmicos já vêm tirando o foco do governo, o que não é diferente agora. Dessa vez, o calendário pode sofrer atraso devido a pressões externas com a queimada na Amazônia. Bolsonaro e sua família já se envolveram em polêmicas com o presidente francês que podem ter efeitos comerciais.

Por Glenda Ferreira – Especialista em Investimentos na Levante Ideias de Investimentos

Incêndios na Amazônia inflamam relações internacionais

Os incêndios na Amazônia têm inflamado as relações internacionais, com repercussão ampla.

Ontem, o presidente Jair Bolsonaro falou sobre os incêndios florestais em sua já tradicional transmissão de quinta-feira no Facebook.

Segundo ele, o governo tem trabalhado para mitigar o problema que pode, inclusive, prejudicar o setor do agronegócio do Brasil.

Emmanuel Macron, o presidente da França, classifica incêndios na Amazônia como crise internacional e pede debate no G7.

“Alguns países aproveitam o momento para potencializar as críticas contra o Brasil para prejudicar o agronegócio, nossa economia, recolocar o Brasil numa posição subalterna”, disse Bolsonaro em live.

Os incêndios na Amazônia “tem viés criminoso”, acenou o presidente. Para ele, isso pode representar uma tentativa de afetar a soberania brasileira sobre o local.

“Existe esse interesse em cada vez mais dizer que nós não somos responsáveis e, quem sabe, mais cedo ou mais tarde, alguém decrete uma intervenção na região amazônica e nós vamos ficar chupando o dedo aqui no Brasil”.

O secretário-geral das Nações Unidas também se manifestou nas redes sociais, pedindo proteção para a Amazônia.

Os incêndios na Amazônia repercutem na Europa, que mostram as queimadas florestais que acabam em quase escuridão em São Paulo.

Em resposta à crise, o governo federal criou um “gabinete de crise”, segundo reportagem da “GloboNews” na noite desta quinta-feira.

Além disso, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, confirmou ontem que a pasta planeja criar uma Força-Tarefa da Amazônia.

A pasta pode ser integrada por outros ministérios e entidades do governo, bem como empresas que atuam na região.

Bolsonaro ainda realizou um despacho, publicado em edição extra do Diário Oficial da União, determinando a todos os ministros que “adotem, no âmbito de suas competências, medidas necessárias para o levantamento e o combate a focos de incêndio na região da Amazônia”.

IPCA-15 mostra desaceleração; CPI do Japão cresce e mais destaques econômicos

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) desacelerou para 0,08% em agosto, de acordo com publicação do IBGE.

É o menor índice para mês desde 2010 (-0,05%). Além disso, ficou ligeiramente abaixo dos 0,09% registrados no mês anterior.

Apesar disso, a leitura do IPCA-15 manteve o piso das projeções de analistas ouvidos pelo Valor Data (aceleração para 0,16%).

Os investidores monitoram ainda o IPC-S da terceira quadrissemana, publicado pela FGV, assim como a sondagem do comércio. Ambos são referentes ao mês de agosto.

Ademais, o mercado se volta para os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), bem como a sondagem da indústria construção. Os dois índices são relacionados ao mês de julho.

No continente asiático, o índice de preços ao consumidor do Japão revelou crescimento de 0,5% em julho, na comparação anual.

Quando comparado ao mês anterior, o CPI subiu 0,1%.

Assim também, o núcleo do índice, que exclui alimentos e energia, apresentou crescimento de 0,6% no período, na comparação anual.

Em junho, a alta anual havia sido de 0,5%, conforme publicado pela Dow Jones Newswires.

O México divulga o PIB do segundo trimestre, enquanto o departamento do comércio dos Estados Unidos apresenta o número de vendas de novas moradias.

Posteriormente, saem os dados semanais de poços e plataformas em operação nos EUA.

Parecer da Previdência é adiado para a próxima semana

O parecer da Previdência foi adiado para a próxima semana, de acordo com o relator no Senado, Tasso Jereissati (PSDB-CE).

A princípio, o documento seria apresentado hoje (23) à CCJ do Senado, com a leitura do relatório na próxima quarta.

Em razão disso, a tramitação da proposta pode atrasar em quatro ou cinco dias. Isso porque é exigido um intervalo regimental entre o protocolo do parecer e sua leitura.

O relator usará os próximos dias para trabalhar no relatório e o início da próxima semana, para conversas com senadores.

“Vou passar provavelmente esse final de semana todo trabalhando”, disse o senador. “Não vai dar para protocolar (na sexta-feira).”

Embora não tenha falado em prazo de votação, Jereissati garantiu a entrega do parecer da Previdência na próxima semana.

Em paralelo, o Valor Econômico estima que a proposta de mudanças nas aposentadorias tem o apoio firme de 38 senadores.

Do mesmo modo, outros 7 parlamentares da Casa oferecem apoio parcial, mas têm restrições a alguns aspectos do referido projeto.

Assim sendo, o contador indica que, caso fosse votada hoje no plenário, a reforma previdenciária teria, pelo menos, 45 votos.

Para que uma PEC seja aprovada no plenário da Casa são necessários, no mínimo, 49 votos (três quintos do total).

O dado sugere que o governo não enfrentará grandes dificuldades para que o texto receba aval do Senado.

BNDES cuidará dos próximos passos das privatizações 

As privatizações recém anunciadas pelo governo federal, de companhias como Correios, Dataprev e Serpro, ainda vão começar a ser estruturadas.

A modelagem terá início após a aprovação no conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), segundo o Valor Econômico.

Nesse interim, será preciso definir, entre outras medidas, se a venda será parcial ou integral.

Além disso, nãos e sabe ainda se as empresas podem ser cindidas em diferentes áreas e, assim, vendidas separadamente.

De acordo com a publicação, esse trabalho deve ser desempenhado por uma equipe do BNDES.

“O que vamos fazer é parar de gastar”, disse uma fonte. As estatais deficitárias perdem R$ 18 bilhões por ano.

Embora a Petrobras não faça parte da listagem de privatizações, o mercado já especula os efeitos ao aceno da véspera.

Conforme avaliação do Bradesco BBI após comunicado do governo, com a privatização, a ação da Petrobras pode dobrar de valor.

Desde já, o melhor cenário para investidores e analistas para essa privatização é o da pulverização do capital.

Desse modo, a estatal passaria a ser privada, sem que haja um controlador definido.

Esse modelo, informou o Valor, seria similar ao da Eletrobras e cada acionista poderia ter no máximo 10% das ações.

A União, por sua vez, assumiria uma ação de classe especial (“golden share”), com possibilidade de vetar questões estratégicas previamente definidas, como a mudança de sede, por exemplo.

A avaliação de especialistas é que, a formação de uma empresa de capital diluído oriundo na Bolsa, oriundo da maior estatal do país, seria ideal para criar um ambiente de competição no setor.

Para Fernanda Delgado, pesquisadora da FGV Energia, o debate abre espaço para a mudança do regime de exploração.

Ela elogia o início da discussão sobre a desestatização: “Antes, esse assunto era um tabu. Não havia espaço para debate.”


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