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Impeachment de Trump; Selic pode cair; popularidade do governo Bolsonaro e mais destaques

Por Bruna Santos
09 dezembro 2019 - 09:41

Os artigos de impeachment do presidente norte-americano, Donald Trump, podem ser votados nos próximos dias, segundo informou o presidente democrata do Comitê Judiciário da Câmara dos Estados Unidos, Jerrold Nadler ao programa “State of the Union”, da CNN.

No final de semana, democratas se encontraram na Câmara dos Deputados local a fim de preparar a continuidade da investigação.

De acordo com Nadler, ainda há “muito a considerar” em relação a quais denúncias apresentar contra o presidente republicano.

Ademais, Washington e Pequim tentam selar o acordo comercial parcial, com o propósito de esfriar o embate de 17 meses.

Hoje, os principais mercados financeiros sentem os inúmeros impactos oriundos da guerra sino-americana que segue afetando o crescimento econômico global.

Em menos de uma semana, os Estados Unidos vão impor tarifas sobre os US$ 156 bilhões restantes em importações chinesas.

Ren Hongbin, ministro assistente no Ministério de Comércio chinês, falou em coletiva de imprensa que a expectativa é que ambos os lados consigam dar continuidade às negociações com base na igualdade e respeito mútuo “para atingir um resultado que seja satisfatório para todas as partes, assim que possível”.

Ao mesmo tempo, o investidor aguarda as últimas decisões políticas monetárias do Federal Reserve e Banco Central Europeu de 2019.

No primeiro caso, a expectativa é que o Fed mantenha uma estabilidade após cortar as taxas três vezes este ano.

Na Europa, por sua vez, será a primeira reunião e entrevista coletiva de Christine Lagarde como presidente do BCE.

Lá, diante dos novos estímulos anunciados em setembro pelo BCE e dos sinais recentes de que a economia da zona do euro está atingindo seu nível mínimo, o mercado não espera mudanças.

Além disso, as eleições gerais do Reino Unido, que decidirão o destino do Brexit, também seguem no radar.

O próximo domingo (15) é o prazo final para a imposição de novas tarifas americanas sobre 160 bilhões de dólares sobre produtos chineses, que inclui até itens como smartphones e laptops – que fazem parte da lista de compras de fim de ano. Até lá, ninguém sabe se os dois países chegarão a um acordo que possa fazer com que essas taxas não entrem em vigor. Por isso, atenção ao Twitter de Trump e todas as notícias referente a negociação.

Além disso, o destaque da semana são as reuniões dos Bancos Centrais pelo mundo. Nos EUA, o Fed irá dar o veredito na quarta-feira (11), onde tudo caminha bem e o país consegue manter o crescimento, geração de empregos, sem pressão inflacionária, o que deve permitir que não haja alteração na taxa de juros e que retire o medo de uma recessão no país, ao menos no curto prazo. Enquanto isso, na Europa, Christine Lagarde, a nova presidente do BC europeu, estreia conduzindo uma reunião na quinta-feira (12).

Por aqui, não é diferente, a decisão importante é do Copom quanto a Selic. O esperado e que vem sendo comunicado é um corte de 0,5 por cento, mas de olho no comunicado da instituição, já que o próximo ano será o primeiro com uma taxa tão baixa e o BC deverá sentir a reação do mercado e das famílias.

Por Glenda Ferreira – Especialista em Investimentos na Levante Ideias de Investimentos

Confira os principais destaques do dia.

Copom se reúne pela última vez em 2019 e mercado projeta nova redução da Selic

No que pode ser chamado de a “última super quarta-feira do ano”, o mercado projeta nova redução da Selic no encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

O BC se reúne entre amanhã (10) e quarta-feira (11); de acordo com analistas do mercado financeiro, a taxa básica de juros da economia (Selic), atualmente em 5% ao ano, pode findar o ano a 4,5%, após a reunião.

Desde julho, o Copom iniciou uma sequência de cortes; a Selic, também conhecida como o principal instrumento do Banco Central para alcançar a meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), passou para 6% ao ano no período.

Posteriormente, em setembro, a taxa foi reduzida em 0,5 ponto percentual em setembro e, novamente, em outubro.

É provável que em 2020 a redução da Selic seja ainda mais acentuada, com potencial de chegar a 4,25% ao ano em fevereiro, segundo a última pesquisa do Banco Central.

Conforme os dados da pesquisa, esse patamar pode ser mantido nas reuniões seguintes e subir, para 4,5% a.a, em dezembro.

Para este ano, a meta de inflação definida pelo CMN é 4,25%, com intervalo de tolerância entre 2,75% e 5,75%.

Assim sendo, o mercado financeiro especula que a inflação calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) pode ficar abaixo do centro da meta, em 3,52%, neste ano.

Semelhantemente, a previsão para o ano que vem também está abaixo da meta (4%), em 3,60%.

Com a redução dos juros básicos, a tendência é que os custos do crédito caiam, incentivando a produção e consumo.

Boletim Focus; balança comercial; exportações da China e outros indicadores econômicos

A segunda-feira (9) que antecede o encontro do Copom trará novas perspectivas para a economia local, por meio do Boletim Focus, do Banco Central. Mais tarde, às 15h, a instituição divulga também os números da balança comercial semanal.

Ainda são aguardados o IPC-S e o IGP-DI; ambos serão publicados pela FGV.

Na Europa, sai o índice de confiança do investidor.

No continente asiático, as exportações chinesas contraíram, pelo quarto mês consecutivo, 1,1% na comparação anual de novembro.

O dado mostra a relevância da persistente guerra comercial travada com os Estados Unidos e seus efeitos na economia local.

Em contrapartida, o crescimento inesperado de 0,3% das importações no mesmo período, pode ser um indicativo de que os estímulos de Pequim estão ajudando a alimentar a demanda.

Esse foi o primeiro crescimento de 2018 para 2019 desde abril e superou a expectativa de queda projetada de 1,8%.

Suas compras de petróleo bruto avançaram 6,7% na comparação anual do mesmo mês, chegando a 45,74 milhões de toneladas.

Assim também, as compras de minério de ferro aumentaram 5,1%, a 90,65 milhões de toneladas, enquanto as de cobre saltaram 5,9%, a 483 mil toneladas.

Nos primeiros 11 meses deste ano, a China importou 461,88 milhões de toneladas de petróleo bruto (+10,5% que em 2018).

No Japão, a economia expandiu 1,8% em termos anualizados no trimestre, após um crescimento de 2% no trimestre anterior.

Os dados revisados do PIB japonês ficaram acima da estimativa de 0,2% feita pelo Gabinete do governo local em novembro.

Perda de popularidade de Bolsonaro é freada pela reação da economia, aponta Datafolha

A reação da economia – que vem demonstrando uma ligeira expansão – freou o avanço da perda de popularidade do governo Bolsonaro.

Conforme uma pesquisa Datafolha divulgada na véspera (8), a taxa de aprovação do governo — avaliação ótimo ou bom — oscilou de 29% para 30% na primeira semana de dezembro.

Essa variação está dentro da margem de erro que é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

O otimismo com a economia é maior entre os mais ricos, camada social que demonstra maior apoio ao governo Bolsonaro.

A maioria da população, contudo, percebe que a retomada da economia ainda não é bastante.

Para 55% dos entrevistados, a crise do Brasil deve demorar para acabar, e o país não crescerá com força rapidamente.

Em contrapartida, 37% dos questionados pelo instituto de pesquisas Datafolha acreditam que a crise será superada em meses.

Entre aqueles que classificam a administração governamental como “ótima” ou “boa”, o índice saltou de 29%, (agosto) para 30% (dezembro).

Assim também, a desaprovação ao governo oscilou dentro da margem de erro.

No índice daqueles que consideram o governo “ruim” ou “péssimo”, houve uma contração de 38% para 36%.

O otimismo sentido na pesquisa também cresceu no âmbito da atividade econômica; 43% consideram que a economia vai melhorar nos próximos meses, frente a 40% em agosto.

De acordo com o Valor Econômico, houve uma piora na avaliação do desempenho do governo no combate à corrupção.

Nesse sentido, a taxa de aprovação caiu de 34% para 29%, enquanto que a reprovação subiu de 44% para 50%.

Em uma escala de 0 a 10, a nota média atribuída ao presidente foi 5,1, a mesma de agosto.

Embora os índices possam soar positivos, o nível de otimismo com a atuação do governo, que passou de 59% para 43%, é o mais baixo.

Os principais destaques políticos e econômicos na reta final de 2019

Quanto mais o recesso parlamentar se aproxima, mais medidas e resoluções podem ser postergadas. Confira a seguir quais são os principais destaques políticos e econômicos nesta reta final de ano.

Ainda assim, o Congresso mantém sua agenda repleta de atividades e encontros que podem representar um menor acúmulo para 2020.

Hoje, o plenário do Senado pode votar PL do Saneamento. Amanhã (10), os senadores se reúnem para discutir dois vetos e 25 projetos de liberação de crédito.

Em paralelo, a Câmara dos Deputados debate os parcelamentos tributários no Brasil e discute a proposta de privatização da Conab.

O pacote anticrime, recentemente aprovado pela Câmara dos Deputados sem o excludente de ilicitude, pode ser votado ainda em 2019

A última super quarta-feira do ano também gera expectativas, com decisões de política monetária no Brasil e Estados Unidos.

No dia seguinte, o Banco Central Europeu (BCE) anuncia sua decisão sobre a política monetária local. Destaque por se tratar da primeira reunião e entrevista coletiva de Christine Lagarde como presidente da instituição.

No âmbito corporativo, a Marfrig (MRFG3) confirmou que realizará uma oferta subsequente de ações (follow on).

Segundo a companhia, essa oferta será primária (serão vendidas 90.090.091 ações) e inclui um lote secundário, para a venda de ações detidas pelo BNDES.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Social possui 33,74% da Marfrig e venderá 209.648.427 ações no lote secundário da operação.

Conforme o fato relevante, o processo de bookbuilding e o roadshow começarão hoje (9) e terminarão no dia 17, quando o preço da ação no âmbito da oferta será fixado.

Por aqui, expectativa, acima de tudo, pelos indicadores de inflação (IGP-DI, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central); nos Estados Unidos, o investidor monitora o CPI e vendas no varejo; a China divulga dados da sua balança comercial e inflação.


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