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Impactos do Covid-19: impeachment a Bolsonaro; governo anuncia pacote para contenção

Por Bruna Santos
17 março 2020 - 08:40

Os impactos do Covid-19 continuam imprevisíveis. Ontem, o Ibovespa recuou 14% com circuit breaker e avanço do surto da doença.

Além disso, o dólar comercial disparou 5,08% e, pela primeira vez, findou o pregão na cotação de R$5,0510 na venda.

O deputado federal Alexandre Frota (PSDB-SP) pretende entregar um pedido de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro.

Segundo o Estadão, o pedido alegará que o mandatário cometeu crimes contra a saúde pública ao participar de atos pró-governo no domingo.

Bolsonaro teria sido orientado a ficar isolado enquanto refizesse os testes para o coronavírus.

De acordo com o Ministério da Saúde, há 234 pacientes testados positivo para a enfermidade, incluindo o secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, Marcos Troyjo.

Troyjo esteve presente na comitiva do presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos. Vários integrantes também contraíram o vírus.

Diante dos impactos do Covid-19, tanto o governo federal quanto estados e municípios anunciaram diversas medidas para contenção da pandemia.

O Ministério da Economia anunciou um pacote de R$147,3 bilhões com medidas que compreendem a antecipação de pagamentos obrigatórios.

Está previsto ainda o remanejamento de gastos e prorrogação de recolhimento de tributos. Essas ações precisam ser formatadas pelo governo.

Segundo ele, embora possa não haver o descumprimento da regra do teto de gastos, a meta de déficit fiscal de 2020 pode vir a ter que ser ampliada.

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump pediu a suspensão da maior parte das atividades sociais e reuniões entre grupos.

Trump alertou também sobre a possibilidade de recessão, fato que poderia afetar suas chances de reeleição em novembro.

No âmbito corporativo, JBS (JBSS3) e Minerva (BEEF3) Foods avaliam suspender as operações de abates em algumas unidades de bovinos no Brasil em meio a problemas logísticos na China.

Balança comercial tem superávit na segunda semana do mês; IPC-Fipe; Covid-19 na economia

A balança comercial brasileira teve superávit de US$329 milhões na segunda semana de março.

Segundo dados divulgados na véspera (16) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia (ME), o mesmo período contabilizou US$7,371 bilhões corrente de comércio. Foram exportados US$ 3,850 bilhões e importados US$ 3,521 bilhões.

Hoje, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) mostrou que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), medidor da inflação na cidade de São Paulo, subiu 0,12% na segunda quadrissemana de março.

O investidor se volta para o Comitê de Política Monetária (Copom), que inicia hoje a sua reunião.

Na Europa, o índice de expectativas econômicas da Alemanha passou de 8,7 para -49,5 pontos entre fevereiro e março.

Abaixo da expectativa (-30), esse resultado reflete a pandemia de coronavírus, segundo pesquisa divulgada nesta terça-feira pelo instituto alemão ZEW.

E por falar em Covid-19, França, Itália, Espanha e Bélgica restringiram as negociações nos mercados acionários nesta terça-feira.

De acordo com a Reuters, a venda a descoberto será proibida com o propósito de proteger algumas das maiores empresas da Europa de uma liquidação provocada pelo vírus.

Além disso, o Banco Central do Japão (BoJ) realiza hoje sua maior injeção de fundos em dólar desde 2008.

A Coreia do Sul, por sua vez, promete agir em breve conforme os Bancos Centrais e comerciais operam para aliviar a escassez de financiamento em dólares nos mercados globais.

Aéreas adotam medidas emergenciais para enfrentar coronavírus

As companhias aéreas Azul, Latam e Gol anunciaram medidas emergenciais para segurar a crise no setor por causa do coronavírus.

Latam e a Gol planejam readequar a sua malha aérea e diminuir a oferta de voos em média 70%.

Além disso, a Latam revisará os seus investimentos para o biênio 2020-21 e trabalha pela manutenção dos empregos.

A Azul, por sua vez, pretende suspender o recebimento de aeronaves 27 novos aviões e reduzir a oferta de voos (-20% a 25% em março e de 35% a 50% em abril) e de salários.

Essas decisões respondem a uma série de comportamentos do mercado, como o fechamento de fronteiras em diversos países, por exemplo, além da consequente queda na demanda pelos passageiros – tanto no que diz respeito a novas aquisições de tickets das aéreas quanto o cancelamento de passagens compradas com antecipação.


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