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IFNC: Governo decide atuação contra vírus no crédito e facilita renegociações de dívidas; dólar alivia alta

Por TradersClub
16 março 2020 - 10:25 | Atualizado em 30 novembro 2020 - 17:59

O Conselho Monetário Nacional aprovou hoje em reunião extraordinária medidas que facilitam a renegociação de dívidas por empresas e pessoas físicas e facilitam a concessão de crédito pelos bancos – sugerindo que o governo vê a liquidez e solvência do sistema financeiro como fundamental para combater os efeitos do coronavírus na economia nacional. O dólar aliviou levemente a alta à vista na abertura, após o CMN reiterar que o poder de fogo do Banco Central para acalmar os mercados é bastante amplo.

Em reunião extraordinária, o CMN aprovou ampliar a diferença entre o capital efetivo e o capital mínimo requerido para dar mais margem para que os bancos comerciais mantenham ou ampliem as concessões de crédito nos próximos meses. A medida também reduz o adicional de conservação de capital principal de 2,50% para 1,25% pelo prazo de um ano, ampliando a folga de capital do sistema financeiro nacional em R$56 bilhões e aumentando a capacidade de concessão de crédito em torno de R$637 bilhões. O CMN também dispensou os bancos de aumentarem o provisionamento no caso de repactuação de operações de crédito que sejam realizadas nos próximos seis meses. O CMN é formado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e pelo secretário de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues.

O conjunto de medidas reforça a ideia de que o governo precisa agir primeiro no fluxo de dinheiro para evitar que sistema de pagamentos colapse na eventualidade de uma paralisação parcial ou total da economia brasileira durante a epidemia. Recentemente, o BCB reduziu a alíquota do recolhimento compulsório sobre recursos a prazo e ajustou as regras do Indicador de Liquidez de Curto Prazo para mitigar a sobreposição entre esses instrumentos. Ao mesmo tempo, libera o BCB para usar seu “amplo arsenal de instrumentos” e vai adotar todas as medidas necessárias para apoiar empresas e famílias contra os efeitos adversos da pandemia na economia. As “medidas são proativas e facilitarão uma atuação contracíclica do Sistema Financeiro Nacional, que ajudará as empresas e as famílias a enfrentarem os efeitos decorrentes” do vírus, disse o comunicado do conselho, que apontou que as medidas “estão em linha com as demais ações do Governo Federal e de outros reguladores financeiros internacionais”.

O dólar futuro avançava 1,71% a R$4,916 por volta das 10h00, abaixo dos quase 3,20% na abertura do pregão. Para o CMN, o BCB monitora de forma contínua o sistema “e de forma prospectiva sempre estressa suas posições de liquidez, capital, mercado e crédito, o que lhe confere condições para antever e tratar com serenidade situações adversas”. (Guillermo Parra-Bernal)


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