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Ibovespa volta aos 100 mil com conflitos EUA-China e sessão de baixa liquidez

Por Pablo Vinicius Souza
02 setembro 2019 - 18:34

O Ibovespa recuou nesta sexta-feira (02), refletindo o agravamento da guerra comercial entre Estados Unidos e China, um dia após a ofensiva tarifária estabelecida por ambos entrar em vigor.

No último domingo, Washington passou a tarifar em 15% diversos produtos de consumo básico importados do gigante asiático, e ao mesmo tempo, Pequim começou a aplicar taxas de 5% a 10% sobre petróleo e soja comprados dos EUA.

Embora o presidente Donald Trump tenha afirmado que os países retomarão as negociações do acordo ao longo do mês setembro, até agora não há um consenso sobre a data para um encontro presencial.

Segundo a notícia divulgada pela Bloomberg, o governo chinês teria solicitado aos EUA que adiassem a imposição de tarifas, porém, a diretriz de Washington foi negativa, gerando um conflito entre os oficiais que estavam dialogando.

O fato acelerou as perdas do mercado doméstico, desencadeando um amplo ajuste de posições em busca de ativos mais seguros, como o dólar.

E a queda só não foi maior porque as ações da Vale (VALE3) acompanharam a valorização do minério de ferro no exterior, desacelerando o movimento de baixa do índice geral.

Também contribuiu com a volatilidade a baixa liquidez nas transações, provocada pelo feriado do Dia do Trabalhador nos EUA, que deixou as Bolsas de Nova Iorque sem operações.

Em dia negativo por aqui, os investidores ficaram de olho na crise Argentina, após o governo Macri limitar as compras de dólares a US$10 mil por mês e proibir a transferência de divisas para o exterior sem prévia autorização.

Como resultado, a bolsa brasileira recuou 0,50% aos 100.625 pontos, na mínima do dia, registrando um volume financeiro de R$10,681 bilhões.

Dólar dispara a R$4,18 e renova a máxima do ano com incertezas no exterior

O dólar comercial disparou no pregão desta sexta-feira (02), fechando com valorização de 1,09% contra o real, sendo cotado a R$4,1840 na venda.

Com isso, a divisa americana renova a sua máxima histórica do ano, pressionando a moeda brasileira a obter a maior depreciação dentre os demais pares emergentes.

Dentre as variáveis que impactaram o câmbio, estão as divergências comerciais entre Estados Unidos e China e o pacote de medidas anunciado pelo governo argentino, que visa conter a desvalorização do peso.

No domingo passado, começou a valer a ofensiva tarifária estabelecida pelos EUA contra os produtos chineses e as taxas retaliatórias fixadas pelo governo da China aos produtos americanos.

Apesar de Pequim ter solicitado à Washington o adiamento da imposição de tarifas, o governo de Donald Trump não cedeu e ainda colocou condições para retomar as conversar sobre um possível acordo.

A situação provocou o aumento da aversão ao risco nos mercados, que já operavam limitados com a baixa liquidez das transações, provocada pelo fechamento das Bolsas nos EUA.

No mesmo sentido, os contratos de juros futuros fecharam com elevação nas taxas em todos os períodos, com o cenário externo impondo cautela sobre as transações de renda fixa.

O DI dezembro/2019 subiu para 5,50% (5,48% no ajuste anterior), o DI abril/2023 avançou para 6,75% (6,66% no ajuste anterior) e o DI julho/2026 saltou para 7,35% (7,26% no ajuste anterior).

Petróleo recua em sessão de baixa liquidez e agravamento da guerra comercial

Os contratos futuros de petróleo encerram em queda nesta segunda-feira (02), sendo afetados pela baixa liquidez dos mercados devido ao feriado do Dia do Trabalhador nos EUA.

Como as Bolsas ficaram fechadas, o WTI na New York Mercantile Exchange (Nymex) foi negociado apenas no pregão eletrônico, o que limitou bastante o seu desempenho.

Também afetou as expectativas dos investidores o agravamento da guerra comercial sino-americana, uma vez que entrou em vigência o aumento das tarifas fixados pelos dois países.

Embora o presidente Donald Trump tenha sinalizado para retomar as negociações do acordo com a China, há um grande receio sobre o impacto que as medidas causarão à economia global.

O governo chinês, inclusive, anunciou que recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar a elevação das tarifas aplicadas por Washington.

O mercado preferiu adotar uma postura de cautela, já que o cenário é incerto e há outras variáveis que também influenciam o movimento das cotações.

De maneira diversa, o Commerzbank afirmou no relatório aos seus clientes que nos próximos dias, a demanda pela commodity deve aumentar, impulsionada pelos cortes na produção promovidos pela Opep.

Como resultado, o petróleo WTI para entrega em outubro caiu 0,60%, na cotação de US$54,77 o barril e o petróleo Brent para novembro recuou 0,99%, sendo negociado a US$58,66 o barril.

Noticiário Corporativo

Vale (VALE3) e CSN (CSNA3)O Itaú BBA revisou as projeções para o desempenho da Vale e da CSN, após analistas avaliarem algumas empresas do ramo siderúrgico e de mineração.

“Embora o atual desequilíbrio entre oferta e demanda possa suportar os preços do minério de ferro no curto prazo, é provável que ocorra uma correção em 2020” – afirmou a instituição.

Dentre os motivos que justificam a correção foram citados a retomada dos altos níveis de produção atualmente interrompidos e a volta do crescimento do PIB global, embora de forma mais lenta.

O banco elevou a expectativa de preço do minério de ferro para US$90 no final de 2019, porém manteve a previsão de US$75 para 2020 e US$55 no longo prazo.

A respeito da Vale, o Itaú BBA atualizou as estimativas de desembolso para US$6 bilhões em provisões no período de 2019 e 2022, e projetou um aumento nos custos de produção por tonelada nos próximos anos.

Sobre a CSN, os analistas destacaram que os preços baixos do minério podem levar a uma contração na margem Ebitda em 2020, resultando em índices de alavancagem, que contrariam a estratégia atual.

Movimentações na B3  

As ações de maior liquidez da Bovespa encerraram majoritariamente em queda. A seguir, mínimas do mercado à vista:

COMPANHIAS ESTATAIS
Ativo 16/08 19/08 Ativo 16/08 19/08
Petrobras (PETR3) -0,45% +1,36% Vale (VALE3) -0,46% -0,09%
Petrobras (PETR4) -1,32% +0,50% Embraer (EMBR3) -0,28% -0,28%
Eletrobras (ELET3) +2,60% -1,81% Banco do Brasil (BBAS3) -0,26% -1,97%
Eletrobras (ELET6) +2,34% -0,71% Cemig (CMIG4) +3,05% +1,44%

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SETOR BANCÁRIO SETOR SIDERÚRGICO
Ativo 15/08 16/08 Ativo 15/08 16/08
Itaú Unibanco (ITUB3) -0,69% +0,40% Usiminas (USIM3) +0,11% +0,53%
Santander (SANB11) -0,31% +0,47% CSN (CSNA3) -2,79% +1,94%
Bradesco (BBDC3) -0,84% +0,24% Gerdau (GGBR4) -4,25% +3,42%

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