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Ibovespa fecha 2019 com valorização de 31% impulsionado pela agenda de reformas e privatizações

Por Fast Trade
30 dezembro 2019 - 19:55

Embora o Ibovespa tenha encerrado em queda nesta segunda-feira (30), o índice fechou 2019 registrando uma valorização de 31,58%, após renovar sucessivos recordes ao longo do ano.

O avanço da agenda de reformas e privatizações do governo de Jair Bolsonaro foi o grande catalisador deste cenário, promovendo nos investidores a confiança de que o Brasil é um país sólido para investimentos.

Dessa forma, o índice fechou o quarto ano consecutivo de ganhos, anotando a maior alta desde 2016, quando subiu 38,94%. Nos demais períodos, o avanço foi de 26,8% em 2017 e 15% em 2018.

Na sessão de hoje, o mercado reagiu às projeções de crescimento evidenciadas pelo avanço do Produto Interno Bruto (PIB), divulgadas pela pesquisa Focus do Banco Central.

Pela oitava semana seguida, as estimativas do PIB foram revisadas para cima, indicando alta de 1,17% ao final de 2019 e 2,30% ao final de 2020.

Adicionalmente, as contas do setor público consolidado anotaram um déficit menor do que o previsto para novembro, somando R$15,312 bilhões, ligeiramente abaixo da mediana das previsões dos economistas.

Com esses e outros indicadores sinalizando a melhora do ambiente macroeconômico, o sentimento é de forte otimismo, apesar da baixa liquidez e da realização de lucros que prevaleceu nas operações ao longo do dia.

Outro fato que gerou grande expectativa foi o compromisso assumido pelo Congresso Nacional de dar continuidade à agenda econômica voltada às reformas estruturais.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, afirmou sua pretensão em priorizar, na pauta de deliberações da casa, as reformas tributária e administrativa.

Novamente, Maia deverá ser o protagonista na condução das transformações da administração pública, realizando o papel de interlocutor dos projetos junto aos parlamentes.

Dentre as maiores baixas no mercado à vista, destacaram-se Rumo ON (-2,87%), Via Varejo ON (-2,87%), B3 ON (-2,80%), Yduqs ON (-2,66%), e Ambev ON (-2,56%).

Como resultado, a Bolsa brasileira recuou 0,76% aos 115.645 pontos, com um volume financeiro de R$9,949 bilhões.

No exterior, os índices internacionais também encerraram majoritariamente em alta, fazendo um pregão de correção aos avanços registrados nas últimas semanas.

Em Wall Street, o Dow Jones recuou 0,64% aos 28.462 pontos, o S&P 500 cedeu 0,58% aos 3.221 pontos e o Nasdaq Composto declinou 0,67% aos 8.945 pontos.

Apesar disso, o viés ainda é positivo devido à expectativa pela assinatura da primeira fase do acordo comercial entre Estados Unidos e China.

Segundo uma notícia divulgada pelo South China Morning Post, o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, irá a Washington viajará a Washington esta semana para formalizar o documento negociado.

Dólar fecha 2019 cotado a R$4,00 apesar do avanço de 3,50% no ano

O dólar comercial encerrou o último pregão de 2019 na cotação de R$4,0090 na venda, registrando uma queda de 1,01% na paridade com o real.

Apesar da trajetória de desvalorização iniciada nos últimos dias, a divisa americana terminou o ano com apreciação de 3,50% em relação à moeda brasileira.

Na sessão de hoje, as boas perspectivas em relação à retomada do crescimento econômico do país catalisaram as operações, pressionando a valorização do câmbio local.

Com a disputa pela formação da Ptax adicionando volatilidade às transações, o dólar acelerou as perdas no finalzinho da tarde, beneficiando os contratos vendidos em moeda futura nesse mercado.

Esboçando movimentos mornos no exterior, a divisa americana não adotou um comportamento único frente às divisas emergentes e ligadas às commodities.

Embora a moeda dos EUA tenha se enfraquecido de um modo geral, o clima segue majoritariamente otimista devido à expectativa pela assinatura da primeira fase do acordo comercial sino-americano.

Uma matéria publicada pelo South China Morning Post informou que o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, irá a Washington para participar da cerimônia de formalização do documento acordado.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros fecharam em queda, com os investidores retirando prêmio de risco ao longo da curva, sobretudo, nos vértices de longo prazo.

Os DIs de curto prazo apresentaram um declínio contido devido ao cenário de acomodação na política monetária estabelecida pelo Banco Central e pelas projeções de crescimento na economia.

O DI maio/2020 recuou a 4,30% (4,33% no ajuste anterior), o DI abril/2024 desabou para 6,23% (6,31% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2027 declinou para 6,78% (6,84% no ajuste anterior).

Petróleo fecha em queda pressionado pela baixa liquidez da sessão

Os contratos futuros de petróleo encerraram em queda no último pregão de 2019, pressionados pela baixa liquidez da sessão e pelos temores sobre o crescimento da oferta.

O petróleo vendido em Nova Iorque no West Texas Intermediate (WTI), com entrega para fevereiro, registrou queda marginal de 0,06%, sendo negociado a US$61,68 o barril.

Enquanto o petróleo Brent comercializado na ICE de Londres, para entrega em março, recuou 0,30%, fechando na cotação de US$66,67 o barril.

Às vésperas do ano novo, a baixa liquidez derrubou as cotações ao longo do dia, já que os investidores estão se preparando para o período de recesso.

No início das negociações, os preços da commodity chegaram a subir após o exército americano atacar um grupo xiita apoiado pelo Irã, nas regiões do Iraque e da Síria.

O Iraque já se manifestou, alertando para uma possível resposta aos ataques, deixando o mercado em alerta para um cenário de acirramento dos conflitos na região.

Além disso, a expectativa pela assinatura da primeira fase do acordo comercial entre Estados Unidos e China também impulsionou, temporariamente, os contratos.

Contudo, as perspectivas para o mercado de petróleo em 2020 permanecem estáveis, com a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) aplicando a política de cortes na produção.

Segundo as projeções de diferentes instituições financeiras, as medidas não serão capazes de evitar o desequilíbrio entre níveis de oferta abundantes e um crescimento moderado da demanda.

Sabendo que essa situação parece ser o “novo normal” do setor petrolífero, o mercado estima que os preços do óleo bruto ficarão em torno de US$60 o barril, ao longo do próximo ano.

Noticiário Corporativo: Com risco de concorrência, B3 lidera as perdas do mercado de ações em dezembro

As ações ordinárias da B3 (B3SA3) lideraram as perdas do Ibovespa no mês de dezembro, registrando desvalorização de 10,22%, incluindo o desempenho de hoje.

O movimento de declínio começou após notícias indicarem que o mercado acionário brasileiro poderá ser aberto à concorrência, acabando com o monopólio exercido pela B3.

Na semana passada, a B3 divulgou que entrou em acordo com a ATS, sobre sua solicitação de acesso à central depositária de ativos para prestar serviços como plataforma de negociação.

A aceitação da demanda significa uma possível abertura do negócio para a entrada de empresas concorrentes, porém, com um preço definido.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) procedeu à abertura de uma audiência pública com três propostas para o mercado de transações de valores mobiliários, avaliando um cenário de aumento da concorrência.

Segundo o cronograma disponibilizado pela CVM, a audiência ficará aberta até o dia 28 de fevereiro para cadastro dos interessados em ingressar neste segmento.

Por meio de um relatório divulgado aos clientes, o J.P. Morgan considerou negativa para a B3 a audiência promovida pela CVM, embora o texto final da entidade reguladora ainda não tenha sido publicado.

Na visão dos analistas do banco, um dos objetivos principais da CVM é abrir o mercado de capitais brasileiro e as condições atuais são muito favoráveis para realiza-lo.

No pregão de hoje, a B3 ON fechou em queda de 2,80%, na cotação de R$42,97 a unidade.


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