HomeMercados

Ibovespa tem novo dia de queda sob pressão do coronavírus

Por Pablo Vinicius Souza
14 fevereiro 2020 - 13:42

O Ibovespa operava em queda nesta sexta-feira (14), repercutindo os dados alarmantes sobre o avanço do coronavírus na China e em outros países.

Embora a Organização Mundial da Saúde (OMS) tenha afirmado que a mudança no método de confirmação dos casos de infecção não representa uma mudança significativa na trajetória da doença, a rápida propagação está assustando os investidores.

O governo chinês registrou, nas últimas 24 horas, 5.090 novos casos de contaminação e outras 121 mortes pelo vírus, totalizando, só no país, 55.748 pessoas com a doença e 1.380 óbitos.

O presidente Xi Jinping prometeu reforçar os sistemas de prevenção e combate à epidemia, promovendo correção nas deficiências e fortalecendo os elos mais fracos.

“Garantir a segurança e a saúde da vida das pessoas é a principal tarefa de nosso partido” – disse Xi na reunião do Comitê Central do Partido Comunista Chinês.

Ao mesmo tempo, o número de pessoas infectadas em Hong Kong subiu para 56 e, em Cingapura, saltou para 67, liderando os casos confirmados fora da China continental.

Em mais uma sessão de forte aversão ao risco, o mercado está precificando os impactos da epidemia para o desenvolvimento da fragilizada economia global, no curto e no longo prazo.

Por aqui, as atenções se concentravam no Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que apresentou um recuo de 0,27% em dezembro, após o ajuste sazonal.

O dado surpreendeu os economistas, pois caiu um pouco menos do que os 0,30% previstos, considerando as revisões de baixa realizadas nas medições anteriores.

Na B3, as companhias BTG Pactual (BPAC11), Usiminas (USIM5), Hypera (HYPE3), Rumo (RAIL3) e Gerdau (GGBR4) anotavam as maiores perdas do dia.

Ás 12h31 (horário de Brasília), a Bolsa brasileira declinava 83%, aos 114.709 pontos, com um volume financeiro de R$4,250 bilhões.

Dólar cai a R$4,30 com intervenção do Banco Central

O dólar comercial operava em queda nesta sexta-feira (14), refletindo o clima adverso no exterior e a atuação do Banco Central.

Hoje, a autoridade monetária colocou à venda 20.000 contratos de swap cambial, consagrando o segundo dia de intervenção, após a divisa americana superar a fronteira de R$4,38.

Apesar de o presidente da instituição, Roberto Campos Neto, alegar que a adoção de tais medidas será pontual, a ação demonstra que o mercado está sendo monitorado de perto.

Frente às turbulências internacionais geradas pelo avanço do coronavírus, o real sofreu uma depreciação significativa e havia um forte risco de falta de liquidez nas operações.

Além disso, o câmbio local segue pressionado pela sequência de indicadores mais fracos, evidenciando a fragilidade da recuperação econômica do país.

Ás 12h31 (horário de Brasília), o dólar comercial recuava 0,62% contra o real, sendo cotado a R$4,3080 na venda.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros seguiam trajetória de queda, acomodando o movimento de ajuste provocado pela intervenção do BC.

O DI outubro/2020 caía 0,12% sendo negociado a 4,17% (4,18% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2027 declinava 0,62 sendo vendido a 6,39% (6,44% no ajuste anterior).

Noticiário corporativo: Lucro da Usiminas cai 55% em 2019, totalizando R$377 milhões

A Usiminas (USIM5) divulgou os resultados de 2019, reportando um lucro líquido de R$377 milhões, um valor 55% menor do que o apurado no exercício anterior.

A receita bruta anual foi de R$14,94 bilhões, o que representou um avanço de 9% em relação a 2018 e o Ebitda ajustado recuou 10%, atingindo o montante de R$1,94 bilhão.

Segundo informações da companhia, o aumento na receita ocorreu devido à elevação nos preços e volumes de venda praticados na mineração e os reajustes no valor do aço, que ocorreram principalmente nos últimos meses do ano.

De outubro a dezembro, o lucro líquido caiu para R$268 milhões, evidenciando um declínio de 33%, porém, a receita líquida subiu 13%, somando R$3,87 bilhões.

As vendas de minério de ferro avançaram 65% no quarto trimestre de 2019, para 2,5 milhões de toneladas e registraram um salto anual de 33%, com a quantidade recorde de 8,6 milhões de toneladas.

Na avaliação da siderúrgica, apesar das turbulências internacionais, o mercado do aço melhorou no final do ano passado e passará por uma forte expansão em 2020.

Para aproveitar as boas oportunidades, a empresa espera investir cerca de R$1 bilhão ao longo deste ano, superando os R$690 milhões desembolsados no último exercício.

Outro aspecto que a Usiminas trabalhou e que poderá alavancar os resultados deste ano foi a redução da dívida líquida em 23%, que passou de R$4,1 bilhões em 2018 para R$3,1 bilhões em 2019.

Em função dos resultados mais fracos, as ações da companhia (USIM3/ USIM5) lideravam as perdas da sessão.


Sobre o autor