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Ibovespa supera recorde histórico acima dos 114 mil com vencimento de opções na B3

Por Pablo Vinicius Souza
18 dezembro 2019 - 20:14
saldo positivo do Ibovespa

O Ibovespa disparou nesta quarta-feira (18), superando o seu recorde histórico de fechamento, impulsionado pelo vencimento dos contratos do índice futuro na B3.

O movimento de hoje foi majoritariamente técnico, embora o índice geral tenha demostrado viés de alta desde a abertura, acompanhando os sinais otimistas do exterior.

Com a confirmação da primeira fase do acordo comercial, as Bolsas internacionais experimentaram mais de um dia de tranquilidade, porém, apresentando desempenhos mistos.

Em Wall Street, os índices acionários renovaram as máximas, mas desaceleraram, encerrando próximos à estabilidade. O Dow Jones caiu 0,09%, o S&P 500 recuou 0,04% e o Nasdaq Composto subiu 0,05%.

Apesar de a votação do processo de impeachment do presidente, Donald Trump, estar progredindo no Congresso americano, a notícia não está trazendo impactos ao mercado local.

Por aqui, os investidores repercutiram a aprovação da Lei Orçamentária Anual (LOA) 2020, que trouxe previsões de avanço de 2,32% no Produto Interno Bruto (PIB) e 3,53% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Além disso, as estimativas do governo indicam que o déficit nas contas públicas deverá ser menor no ano que vem, totalizando R$124,1 bilhões.

Também ficou no radar a operação do Ministério Público do Rio de Janeiro, que promoveu uma busca em endereços ligados a Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, e a Ana Cristina Siqueira Valle, ex-esposa do presidente Jair Bolsonaro.

A investigação apura os crimes de lavagem de dinheiro e desvio de verba pública, aplicados a um esquema conhecido como “rachadinha”, que supostamente aconteceu no gabinete de Flávio, quando era deputado estadual.

No mercado à vista, as companhias Engie Brasil ON (+5,03%), Fleury ON (+3,61%), Pão de Açúcar PN (+4%), Yduqs ON (+3,86%) e Bradesco ON (+3,87%) lideraram os ganhos da sessão.

Como resultado, a Bolsa brasileira saltou 1,51% aos 114.314 pontos, anotando um volume financeiro de R$22,885 bilhões.

Dólar fecha a R$4,06 com cenário externo tranquilo

O dólar comercial encerrou em leve queda nesta quarta-feira (18), sendo cotado a R$4,0600 na venda, em um dia de baixa oscilação no câmbio.

Embora de forma muito tímida, o real voltou a se valorizar contra a divisa americana, impulsionado pelas perspectivas positivas de aceleração na economia brasileira.

Na ausência de grandes catalisadores, os investidores reagiram ao avanço para 64,3 pontos no nível de confiança industrial, conforme dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Esse foi o maior patamar já alcançado em dezembro desde 2010, sinalizando que o fortalecimento do setor já é uma realidade vista por empresários e trabalhadores.

A despeito do otimismo local, há uma grande pressão de saída de moeda estrangeira do país devido à sazonalidade do momento e isso vem limitando o desempenho do real.

Segundo o Banco Central, na semana passada, o fluxo cambial registrou uma saída líquida de US$5,407 bilhões em recursos, totalizando um recuo de US$8,241 bilhões em dezembro.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros fecharam com redução nas taxas em todos períodos, com o mercado monitorando os dados de inflação.

O andamento da agenda de reformas no Congresso também contribuiu para a retirada do prêmio de risco dos ativos, pois os agentes ficaram otimistas com a aceleração da reforma tributária.

O DI agosto/2020 caiu para 4,36% (4,41% no ajuste anterior), o DI outubro/2022 declinou para 5,80% (5,86% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2026 recuou para 6,75% (6,78% no ajuste anterior).

Futuros de petróleo fecham em leve baixa refletindo dados dos estoques nos EUA

Os contratos futuros de petróleo encerraram em leve baixa nesta quarta-feira (18), reagindo à queda menor do que o previsto nos estoques americanos da commodity energética.

O petróleo vendido em Nova Iorque no West Texas Intermediate (WTI), com entrega para fevereiro, recuou 0,03%, sendo negociado a US$60,85 o barril.

Enquanto o petróleo Brent para o mesmo mês, comercializado na ICE de Londres, cedeu 0,11%, fechando na cotação de US$66,17 o barril.

Depois de alcançarem os maiores níveis desde setembro na sessão de ontem, as cotações operaram em território negativo após o Departamento de Energia dos EUA (DoE) divulgar informações sobre os estoques da commodity.

Na semana passada, houve um recuo de apenas 1,085 milhão de barris de óleo bruto no total estocado, contradizendo a previsão do mercado de redução em 2 milhões de barris.

Já os estoques de gasolina avançaram 2,529 milhões, superando as estimativas de alta em apenas 1,9 milhão de barris e os estoques de destilados em geral subiu 1,509 milhão, contrariando as apostas de estabilidade nas quantidades.

Apesar de o acordo entre Estados Unidos e China segurar a alta dos preços, o mercado teme que um cenário de excesso de oferta possa contrabalançar o aumento da demanda no ano que vem.

Além disso, os investidores ainda esperam mais detalhes sobre o documento que será assinado em janeiro pelos dois países, para ajustarem posições que ensejam maior exposição ao risco.

Outro fator que também ajudou a pressionar o desempenho dos contratos foi a valorização do dólar contra as principais divisas mais líquidas, encarecendo os preços do barril.

Noticiário Corporativo: Ao adquirir Buscopan e Buscofem por R$1,3 bilhão, Hypera surpreende com nova estratégia

A Hypera Pharma (HYPE3) anunciou nesta quarta-feira (18) a aquisição das marcas Buscopan e Buscofem da empresa Boehringer Ingelheim, pela quantia de R$1,3 bilhão.

A compra aprovada por unanimidade pelo Conselho de Administração da farmacêutica surpreendeu o mercado pelo valor muito acima do esperado para transações neste setor.

Conforme avaliação dos analistas, é normal que as negociações deste tipo alcancem um múltiplo de duas a três vezes o montante do faturamento anual dos ativos adquiridos.

Porém, no caso dos medicamentos em questão, o múltiplo alcançou 4,3 vezes a receita líquida do Buscopan, que é aproximadamente R$300 milhões por ano.

A estratégia da companhia de investir pesado no segmento de analgésicos e diversificação do portfólio terá como aporte cerca de R$5 bilhões em recursos, que serão destinados a mais de 17 projetos.

Durante uma entrevista ao Valor, o presidente da Hypera, Breno Oliveira, disse que o crescimento de 10% a 12% do negócio, ligeiramente acima do mercado, ocorreu devido aos lançamentos realizados ao longo de 2019.

Ele também acrescentou que a expectativa para 2020 é de expansão em torno de 8% a 9% para o faturamento no mercado brasileiro, admitindo estar muito otimista com a nova fase da companhia.

No planejamento de lançamentos do ano que vem, constam cerca de 391 produtos, dentre novos projetos e reforço de linhas já disponíveis ao público.

Com a chegada da família Buscopan, a marca líder no segmento de antiespasmódico no Brasil, a atuação da Hypera tende a se fortalecer e abranger nichos cada vez maiores.


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