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Ibovespa sobe repercutindo decisões de juros na última “super-quarta” de 2019

Por Pablo Vinicius Souza
11 dezembro 2019 - 19:42

Concluindo a última “super-quarta” de 2019, o Ibovespa encerrou em leve alta, refletindo a decisão do Federal Reserve de manter a taxa de juros no intervalo entre 1,50% e 1,75%.

O Banco Central americano explicou que continuará monitorando o cenário econômico, incluindo as informações recebidas sobre “desenvolvimentos globais e pressões inflacionárias fracas”.

Isso porque, segundo o documento, a autoridade deve avaliar, constantemente, se as políticas aplicadas estão realmente conduzindo o país a um caminho apropriado.

“O Comitê julga que a posição atual da política monetária é apropriada para apoiar a expansão sustentada da atividade econômica, as fortes condições do mercado de trabalho e a inflação perto do objetivo simétrico de 2%” – informou o comunicado.

Além disso, o novo posicionamento revelou que os dirigentes do Fed não veem possibilidade de uma recessão global, ou mesmo, de uma contração mais intensa na economia norte-americana nos próximos meses.

A situação abre uma brecha para o Banco Central do Brasil promover cortes adicionais na Selic, sem que isso traga maior pressão ao câmbio local, embora a instituição tenha sinalizado para o fim do ciclo de afrouxamento.

No cenário doméstico, o Comitê de Política Monetária (Copom) divulgou, após o fechamento do mercado, sua decisão de reduzir em 0,50% a taxa Selic, que será praticada a 4,50% ao ano, no menor nível da história.

O mercado já havia precificado as duas situações, porém, os ativos locais devem repercutir a decisão do Copom somente amanhã, já que a publicação ocorreu após o término das negociações.

Na B3, dentre as maiores altas, destacaram-se as companhias Cogna (COGN3) e Yduqs (YDUQ3), que saltaram após o Ministério da Educação (MEC) divulgar uma portaria que autoriza os cursos presenciais a ofertarem até 40% de sua carga horária na modalidade presencial.

No fim da sessão, a Bolsa brasileira subiu 0,26% aos 110.963 pontos, registrando um volume financeiro de R$14,432 bilhões.

Dólar recua a R$4,11 com IPO da XP e decisão do Fed no radar

O dólar comercial encerrou em queda de 0,72% nesta quarta-feira (11), sendo cotado a R$4,1190 na venda, no valor mínimo em mais de um mês.

Na sessão de hoje, o real foi apoiado pela ação de diferentes catalisadores como a IPO da XP Investimentos, os dados do varejo brasileiro e a decisão de política monetária do Federal Reserve.

Há uma grande expectativa no mercado pela entrada de divisas estrangeiras provenientes da oferta pública inicial de ações (IPO) que a XP Investimentos promoveu na Nasdaq.

Com níveis de demanda surpreendentes, a corretora brasileira deverá arrecadar US$2,25 bilhões, com a ação precificada a US$27 e um valor de mercado de estreia estimado em US$15 bilhões.

Além disso, a divisa americana também foi pressionada pela percepção de retomada do crescimento da economia brasileira, demonstrado pelo avanço de 0,1% nas vendas do varejo em outubro.

Em âmbito externo, o foco de atenção dos investidores foi a decisão do Fed em manter a taxa básica de juros do país no intervalo entre 1,50% e 1,75%, sinalizando que este nível ficará constante por um bom tempo.

Em seu discurso tradicional, o presidente da instituição, Jerome Powell, disse que “enquanto as informações sobre a economia permanecerem consistentes, a postura da política monetária permanecerá apropriada”.

O chairman também acrescentou que as políticas não apresentam um curso definido, de forma que o cenário poderá mudar, assim como as diretrizes para lidar com a situação.

Enquanto isso, na renda fixa, os contratos de juros futuros fecharam próximos à estabilidade, destoando do movimento de queda visto no câmbio.

O mercado refletiu, majoritariamente, as perspectivas positivas sobre as atividades locais, limitadas por uma postura de cautela, antes das decisões de juros.

O DI maio/2020 fechou estável com negociação a 4,36%, o DI julho/2022 declinou a 5,47% (5,48% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2027 caiu para 6,67% (6,71% no ajuste anterior).

Petróleo recua quase 1% com aumento dos estoques nos EUA

Os contratos futuros de petróleo encerraram em queda nesta quarta-feira (11), pressionados pelo aumento dos estoques da commodity nos Estados Unidos.

O petróleo vendido em Nova Iorque no West Texas Intermediate (WTI), com entrega para janeiro, recuou 0,81%, sendo negociado a US$58,76 o barril.

Enquanto o petróleo Brent para fevereiro, comercializado na ICE de Londres, caiu 0,96%, fechando na cotação de US$63,72 o barril.

Segundo o Departamento de Energia (DoE) americano, os estoques de óleo bruto mensurados na semana passada aumentaram em 822 mil barris, contrariando as projeções de queda dos analistas.

Os estoques de gasolina e destilados também subiram muito acima do previsto, ao passo que, os níveis de produção média caíram em 12,8 milhões de barris.

Após a divulgação dos dados, as cotações aceleraram as perdas, ignorando o relatório elaborado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), prevendo avanço na demanda global.

Para 2019, o cartel manteve suas projeções de demanda em 980 mil barris por dia, porém, para 2020, as estimativas indicam elevação para 1,08 milhão de barris por dia.

O mercado acredita que a Opep continuará com a sua estratégia de cortes, conseguindo equilibrar a oferta dentro de sua nova cota, que será estendida até março do ano que vem.

Contudo, ainda é cedo para muito otimismo, já que os desdobramentos da guerra comercial entre Estados Unidos e China poderá causar forte impacto em todos os cenários.

A partir do dia 15 de dezembro, está prevista para entrar em vigor uma nova rodada de sobretaxas americanas aos produtos chineses, o que poderá complicar ainda mais a assinatura de um acordo no curto prazo.

Noticiário Corporativo: Petrobras estuda fazer IPO de sua participação na Gaspetro em 2020

A Petrobras (PETR3/ PETR4) estuda vender a sua participação nas distribuidoras de gás natural através da realização de uma oferta pública inicial de ações (IPO) da Gaspetro, a empresa que concentra estes ativos.

Segundo o presidente da estatal, Roberto Castello Branco, a intenção é promover o desinvestimento no segundo semestre de 2020.

“Nossa expectativa é que seja possível realizar essa transação no segundo semestre do próximo ano. Vamos definitivamente sair do negócio de distribuição” – afirmou o executivo aos jornalistas.

Em conjunto com o grupo japonês Mitsui, a Petroleira detém cerca de 51% das ações da Gaspetro, dos quais, pretende se desfazer completamente utilizando o mecanismo de negociações oferecido pelo mercado de capitais.

Castello Branco também explicou que as distribuidoras de gás em fase pré-operacional poderão ser desmembradas e vendidas por outro modelo que atenda aos objetivos.

Em relação ao Comperj, o executivo esclareceu que consta no plano de negócios 2020-2024, divulgado na semana passada, a construção de uma unidade de produção de lubrificantes no complexo.

Além disso, é provável que a região seja contemplada com a construção de outras usinas termelétricas, pois, há um memorando de entendimentos firmados com a norueguesa Equinor, embora o projeto ainda não esteja no cronograma.


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