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Ibovespa sobe, mas não evita a queda semanal de 8,37% com o avanço do coronavírus

Por Pablo Vinicius Souza
28 fevereiro 2020 - 18:53

O Ibovespa encerrou em alta nesta sexta-feira (28), fazendo um pregão muito volátil e de grande aversão ao risco nos mercados internacionais.

Depois de descer aos 99.950 pontos na mínima do dia, o índice geral mudou de direção, impulsionado pela recuperação das companhias do setor bancário e da Petrobras (PETR3/ PETR4).

Com o desempenho afetado pelo feriado de Carnaval, o mercado brasileiro não conseguiu evitar a baixa semanal de 8,37%, sendo a pior desde 2011, quando houve a crise das dívidas soberanas no Europa.

A propagação do coronavírus à diferentes países impactou as perspectivas dos investidores e derrubou as Bolsas ao redor do mundo.

Em Wall Street, os índices operaram nas mínimas, após fazer uma sequência de perdas expressivas. O Dow Jones caiu 1,39%, o S&P 500 recuou 0,82% e o Nasdaq Composto anotou variação positiva de 0,01%.

O vírus está se espalhando em uma velocidade surpreendente e, hoje, Nova Zelândia e Nigéria reportaram os primeiros casos da doença.

A Coreia do Sul, o segundo país com maior número de pessoas infectadas, notificou cerca de 571 novos casos, superando a média diária registrada pela China, o epicentro da doença.

Na Itália, o surto já atingiu 888 pessoas, fazendo 21 mortes em apenas uma semana, levando o governo a determinar o fechamento de universidades, museus, cinemas e outros locais de interação social.

O mercado segue apreensivo, tentando dimensionar os efeitos da doença, embora não seja possível antecipar as consequências para cada lugar.

Contudo, as preocupações foram parcialmente atenuadas pelas declarações do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, ao afirmar que a instituição está monitorando de perto a situação e atuará para apoiar a economia dos Estados Unidos.

Diante disso, cresceram as expectativas sobre um possível corte na taxa básica do país, trazendo novo fôlego aos ativos brasileiros e do exterior.

Por aqui, o acirramento das tensões entre o governo e o Congresso seguem no radar, sobretudo, após o envio às casas legislativas das propostas ligadas à agenda de reformas da equipe econômica.

Em sua live semanal, o presidente Jair Bolsonaro pediu aos parlamentares que deixassem de lado as divergências e mantivessem a “serenidade” e a “responsabilidade” para com as pautas prioritárias do Brasil.

Como resultado, a Bolsa brasileira subiu 1,15% aos 104.171 pontos, com um volume financeiro de R$29,626 bilhões.

Dólar fecha a R$4,48 concluindo 8ª alta consecutiva

O dólar comercial subiu 0,09% nesta sexta-feira (28), fechando na cotação de R$4,4810 na venda, após renovar o recorde intradiário ao bater em R$4,5130.

Este é o maior valor nominal de encerramento desde a criação do Plano Real e é o oitavo dia consecutivo de apreciação da divisa americana contra a moeda brasileira.

A tendência de alta do dólar no câmbio local se manteve durante ao longo de toda a semana, registrando avanço de 2,01%, e também no mês, alcançando uma valorização de 6,86%.

O clima de aversão ao risco se acentuou após as notícias mostrarem que o coronavírus se propagou por cinco dos seis continentes existentes no mundo.

Além disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta, classificando a epidemia como ameaça internacional muito alta, acentuando as preocupações.

Em relação aos demais pares emergentes, o real apresentou um comportamento limitado, devido à atuação do Banco Central.

Na sessão de hoje, a autoridade monetária injetou cerca de US$1 bilhão em contratos de swap cambial e rolou US$3 bilhões em recursos à vista por meio do leilão de linha com compromisso de recompra.

Embora seja incomum, tal ação demonstrou que o BC poderá adotar uma postura mais firme para com o mercado, tendo em vista que a divisa brasileira já está sendo negociada nos menores níveis da história.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros encerraram nas mínimas, com as taxas de curto prazo refletindo a visão de que estímulos adicionais serão necessários para reaquecer a atividade global.

Os DIs intermediários anotaram forte declínio após o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmar que a instituição atuará para apoiar a economia norte-americana, sugerindo possível corte na taxa de juros.

O DI outubro/2020 caiu para 4% (4,12% no ajuste anterior), o DI janeiro/2025 declinou para 6,03% (6,12% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2027 desceu para 6,53% (6,57% no ajuste anterior).

Petróleo cai mais de 4% e registra a pior semana desde a crise de 2008

Os contratos futuros de petróleo encerraram em queda acentuada nesta sexta-feira (28), refletindo a preocupação dos investidores com os impactos da proliferação do coronavírus.

O petróleo vendido em Nova Iorque no West Texas Intermediate (WTI), com entrega para abril, apresentou contração de 4,94%, precificado a US$44,76 o barril.

Já o petróleo Brent comercializado na ICE de Londres, para entrega em maio, teve queda de 3,18%, fechando na cotação de US$50,52 o barril.

Na comparação semanal, a referência americana (WTI) recuou 15,54% e a referência global (Brent) desvalorizou 13,64%.

Em meio às incertezas sobre as consequências da epidemia para a economia mundial, os preços da commodity registraram a pior semana desde a crise financeira de 2008.

Ativos mais suscetíveis à volatilidade, como o petróleo, tendem a sofrer com as oscilações provocadas pelo aumento da aversão ao risco nos mercados.

Além disso, não há sinais de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) vá agir para aprofundar os cortes na produção, culminando no aumento exponencial da oferta.

Na semana que vem, os países integrantes do cartel e demais aliados se reunirão para discutir a situação e definir estratégias de atuação.

Na visão dos analistas, mesmo que a Opep decida reduzir a produção a níveis mais baixos, é improvável que as cotações permaneçam em patamares elevados, dadas as circunstâncias do momento.

Isso porque, muitos países estão aproveitando as turbulências internacionais para comprar petróleo mais barato e fazer estoques para consumir no longo prazo.

Noticiário Corporativo: Petrobras lança um teaser para divulgar a venda de sua fatia na Gaspetro

Dando sequência à sua política de desinvestimentos, a Petrobras (PETR3/ PETR4) lançou um teaser para divulgar a venda de sua participação acionária na Gaspetro (Petrobras Gás S/A).

Em consonância com a política da atual administração que prevê a geração de valor aos acionistas, a estatal pretende alienar sua fatia de 51% na distribuidora de gás natural, que atua em 19 estados brasileiros.

Os outros 49% restantes pertencem a Mitsui Gás e Energia do Brasil, uma subsidiária do grupo corporativo japonês Mitsui & Co.

No site da petroleira, foi publicado um documento contendo as regras e demais informações sobre o negócio, os critérios de elegibilidade para os interessados e alguns detalhes sobre a oportunidade em si.

Além de contar com uma rede de mais de 10 mil quilômetros de gasodutos, a Gaspetro tem participações societárias em diversas empresas do setor e em diferentes regiões do Brasil.

“Essa operação está alinhada à otimização do portfólio e à melhora de alocação de capital da companhia, visando à maximização de valor para os seus acionistas” – explicou a companhia.

Nessa nova gestão, já foram alienados diversos ativos que não faziam parte do core business da Petrobras, como a TAG e a BR Distribuidora, além de vários campos para exploração de petróleo.

No que tange à Gaspetro, foram realizados vários estudos para a venda através de uma oferta na B3, contudo, a administração decidiu por uma transação com um comprador direto, sendo que, a Mitsui & Co, na qualidade de sócia, terá preferência.

Potenciais investidores estratégicos interessados na operação devem apresentar valor contábil mínimo de patrimônio líquido em pelo menos US$500 milhões; já os investidores financeiros deverão ter ao menos US$1 bilhão em ativos sob gestão.

De acordo com a análise dos especialistas, o valor de mercado da Gaspetro atualmente se situa ao redor dos R$4 bilhões, sendo que, só a participação da Petrobras está avaliada em mais de R$2 bilhões.


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