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Ibovespa sobe com reunião EUA-China e cenário político no radar

Por Pablo Vinicius Souza
10 outubro 2019 - 18:39
Sexta-feira de cautela

O Ibovespa encerrou em alta nesta quinta-feira (10), depois de oscilar em meio às incertezas sobre o avanço das negociações do acordo comercial entre Estados Unidos e China.

Em Washington, iniciou hoje uma reunião que durará dois dias, entre autoridades de alto escalão dos dois países, para dialogar sobre os termos de um possível acordo comercial.

Entre idas e vindas de comentários aleatórios, o presidente Donald Trump anunciou que se encontrará pessoalmente com o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, para tratar de temas específicos nesta sexta.

O fato impulsionou os mercados internacionais, já que havia boatos sobre um término antecipado das negociações devido à inflexibilidade dos EUA quanto ao adiamento da imposição de tarifas aos produtos chineses.

Contudo, o movimento de alta desacelerou no início da tarde, depois que Trump fez declarações que colocaram em xeque sua disposição em fechar um acordo comercial com o país asiático.

“Grande dia de negociações com a China. Eles querem fechar um acordo, mas e eu?” – publicou o presidente americano em sua conta no Twitter.

Apesar do tom ameaçador de Trump, o principal negociador chinês, Liu He, disse que Pequim está aberto a estabelecer um acordo satisfatório com os EUA, que solucione esse impasse tão prejudicial à economia global.

Por aqui, o sentimento de otimismo com o cenário político também contribuiu com a valorização dos ativos, sobretudo, após o plenário da Câmara dos Deputados aprovar o projeto de lei que prevê a divisão dos recursos do leilão da cessão onerosa no pré-sal.

Além disso, a evolução da agenda de reformas, como a da Previdência, a Tributária e do projeto de regulamentação do setor de saneamento, tende a beneficiar o mercado acionário, à medida que estimula o desenvolvimento do ambiente microeconômico.

Na B3, o destaque vai para as companhias do setor siderúrgico, como CSN (CSNA3), Vale (VALE3) e Gerdau (GGBR4), que subiram acompanhando o aumento dos preços do minério de ferro no cenário internacional.

Como resultado, a Bolsa brasileira teve alta de 0,56% aos 101.817 pontos, anotando um volume financeiro de R$12,897 bilhões.

Dólar fecha a R$4,12 com um olho no Brasil e o outro no exterior

Destoando do comportamento majoritário visto no exterior, o dólar comercial fechou em alta de 0,49% contra o real brasileiro, sendo cotado a R$4,1240 na venda.

O movimento da moeda brasileira foi o contrário dos seus pares emergentes, que avançaram em bloco contra a divisa americana, sobretudo, o rand sul-africano (+0,70%) e o peso mexicano (+0,55%).

O clima positivo nos mercados internacionais foi influenciado pelas perspectivas positivas das negociações entre Estados Unidos e China e a possibilidade de a União Europeia autorizar um Brexit com acordo.

Entretanto, por aqui, pesou no sentimento de risco dos investidores a divulgação de indicadores econômicos decepcionantes, revelando que a retomada do crescimento será lenta e gradual.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as vendas no varejo aumentaram apenas 0,1% em agosto, reforçando a expectativa de continuidade do ciclo de cortes na taxa Selic.

Com a redução do diferencial de juros praticado no Brasil e nos demais países do exterior, a atratividade do real desaba, pressionando a valorização do dólar no câmbio interno.

E por tabela, os contratos de juros futuros recuaram em todos os períodos da curva, refletindo a nova rodada de remoção do prêmio de risco dos ativos.

O mercado está apostando agressivamente que a Selic chegará ao final de 2019 a 4,50%, sem descartar reduções adicionais, principalmente, se houver piora no desempenho econômico.

O DI junho/2020 caiu para 4,58% (4,61% no ajuste anterior), o DI janeiro/2024 declinou para 6,14% (6,23% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2027 recuou a 6,78% (6,83% no ajuste anterior).

Petróleo avança com negociações EUA-China e relatório da Opep

Os contratos futuros de petróleo avançaram no pregão desta quinta-feira (10), com a melhora das perspectivas de negociação do acordo comercial entre Estados Unidos e China.

Os dois países iniciaram uma nova rodada de conversas em Washington, da qual, se espera que resultará um acordo tarifário, pelo menos parcial, que solucione as principais demandas de ambas as partes.

Os investidores estão otimistas com a sinalização do vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, sobre o empenho do gigante asiático em querer encerrar o conflito comercial.

Outro fator que impulsionou os preços da commodity foi a projeção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), divulgada no relatório mensal.

O cartel reduziu suas estimativas de crescimento dos níveis globais de oferta, prevendo uma queda da produção para 1,08 milhão de barris por dia em 2019, e 2,2 milhões em 2020, para países não membros da Opep.

Com isso, os cortes na quantidade total produzida chegarão a 160 mil barris por dia ainda esse ano e cinco mil barris por dia no ano que vem.

Como resultado, o petróleo vendido no West Texas Intermediate (WTI) para entrega em novembro avançou 1,79%, sendo negociado a US$53,55 o barril.

Já o petróleo Brent para dezembro, comercializado na ICE de Londres, fechou em alta de 1,31%, na cotação de US$59,10 o barril.

Noticiário Corporativo: Yduqs registra crescimento de 45% em sua base de alunos no 2º semestre

A Yduqs (YDUQ3) registrou um crescimento de 45% em sua base de alunos no segundo semestre de 2019, em comparação ao mesmo período do ano passado.

Ao todo, foram 132.353 novas matrículas, com grande recuperação do segmento presencial (avançou 20%) e nova expansão do ensino à distância (adicionou 62%).

Segundo informações do grupo, a captação teve alta em todas as regiões do país, com resultados importantes em novos segmentos de atuação e no lançamento de novos cursos.

A companhia conta com uma carteira de clientes atualizada de 495.293 alunos, sendo que, só na graduação presencial, são 237.154 pessoas.

Após a divulgação desta prévia, as ações da Yduqs anotaram valorização de mais de 6% na B3, sendo negociadas a R$36,40 na data de hoje (10/10).

Movimentações na B3  

As ações de maior liquidez do Ibovespa encerraram em alta, de olho na guerra comercial e nas novidades do ambiente político. A seguir, as máximas do índice geral:

COMPANHIAS ESTATAIS
Ativo 09/10 10/10 Ativo 09/10 10/10
Petrobras (PETR3) +2,52% +0,48% Vale (VALE3) +0,77% +3,44%
Petrobras (PETR4) +1,92% +0,83% Embraer (EMBR3) +0,53% -0,29%
Eletrobras (ELET3) -1,22% -0,68% Banco do Brasil (BBAS3) +2,77% +0,45%
Eletrobras (ELET6) +0,21% -1,00% Cemig (CMIG4) -0,07% -0,94%

Carteira Recomendada de Outubro por 17 corretoras

SETOR BANCÁRIO SETOR SIDERÚRGICO
Ativo 09/10 10/10 Ativo 09/10 10/10
Itaú Unibanco (ITUB3) +1,50% +0,88% Usiminas (USIM3) -0,66% +1,45%
Santander (SANB11) +3,30% +2,24% CSN (CSNA3) 00% +5,31%
Bradesco (BBDC3) +3,99% +0,58% Gerdau (GGBR4) -0,24% +3,67%


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